KSOP AGENTINA

Mundo Poker DOC

“Downswing, o lado invisível do poker”: os craques do poker brasileiro que revelaram downswings gigantescas

Terceiro texto da série relembra fases complicadas de grandes nomes do país

Published

on

Nos dois primeiros capítulos da série “Downswing, o lado invisível do poker”, o Mundo Poker explicou o conceito de downswing, detalhou a matemática por trás da variância e mostrou por que períodos negativos fazem parte da carreira de qualquer profissional. Agora, no terceiro texto, relembramos relatos públicos de jogadores brasileiros renomados que enfrentaram longas fases de prejuízo e decidiram expor essa realidade.

CLIQUE AQUI PARA LER O TEXTO 1 | CLIQUE AQUI PARA LER O TEXTO 2

A mídia especializada em poker, tanto no Brasil quanto no exterior, adotou uma linha editorial mais cautelosa ao tratar perdas financeiras, evitando a exposição constante de resultados negativos. Quando os próprios jogadores optam por abrir números e compartilhar experiências, no entanto, o impacto é outro: os relatos servem como alerta para novos profissionais e ajudam a mostrar, sem filtros, o quão desafiador é construir e manter uma carreira no jogo.

Desde a criação do Mundo Poker em 2019, diversos depoimentos já foram publicados por aqui. Yuri Martins, Saymon Dias, Gabriel Schroeder, Felipe Ketzer, Luigi Soncin e Gabriel Nóbrega, jogadores extremamente vencedores e consolidados, donos de múltiplos títulos live e online, até de braceletes da WSOP, já falaram abertamente sobre downswings marcantes. Vamos recordar?

Felipe Ketzer

Um dos episódios mais conhecidos foi o de Felipe Ketzer. Durante a pandemia da Covid-19, o poker online viveu um boom global com aumento expressivo no volume de jogos e valores de buy-ins. Foi nesse período que o craque enfrentou uma das maiores downswings públicas do poker brasileiro, chegando a acumular pouco mais de US$ 500 mil de prejuízo.

Ele contou com todos os detalhes em um episódio do MundoTV Cast em 2022. Naquela altura, já havia dado a volta por cima.

“É um número super impactante, acho que provavelmente 99% dos jogadores não conseguiria lidar com isso. Eu vejo muito cara de time com make-up de US$ 10K, US$ 20K, US$ 40K e o cara já desmotiva de maneira absurda, acha que não vai buscar, começa a duvidar da própria capacidade. A questão psicológica, do mindset, é uma coisa bizarra. Vários dias chegava a noite e não sabia o que fazer, só com vontade de chorar. Parecia que não ia passar nunca”, relatou no vídeo.

Gabriel Schroder

“Poker só é divertido quando se ganha”. Foi com essa frase que Gabriel Schroeder, dono de bracelete da WSOP conquistado ao vivo em Las Vegas, abriu um forte desabafo em 2023 após dois momentos difíceis na carreira. Um dos períodos durou 22 meses ao longo de quase 15.000 (!) torneios disputados. No auge da downswing, ele revelou ter perdido US$ 60.000 em apenas 40 dias durante a pandemia. “Ali foi meu fundo do poço, onde mais duvidei da minha capacidade na vida toda”, escreveu.

O segundo período negativo ocorreu entre setembro de 2022 e janeiro de 2023. Embora não tenha divulgado valores, Schroeder afirmou que a recuperação veio após um resultado online de US$ 117.973.

Gabriel Schroeder

Gabriel Schroeder

Saymon Dias

Em maio de 2023, Saymon Dias decidiu tornar pública uma grande downswing com o objetivo de alertar jogadores iniciantes sobre a realidade da carreira nos MTTs. Ele compartilhou um gráfico referente a 16 meses de jogos, entre janeiro de 2022 e maio de 2023. Em determinado momento, chegou a estar US$ 80 mil no lucro, mas o recorte terminou com cerca de US$ 100 mil de prejuízo.

Segundo Saymon, a intenção era mostrar que “a vida do jogador de MTT não é tão fácil quanto parece”.

Gabriel Nóbrega

Dono de diversos resultados estrondosos tanto no online como no poker ao vivo, Gabriel Nóbrega apareceu nos holofotes em abril de 2024 quando cravou um torneio grande no ACR Poker para US$ 181.370. O título, porém, teve um significado ainda maior: foi o livramento de uma downswing enorme.

“Quem acompanha os resultados dos jogadores no poker acaba não fazendo ideia do lado ‘negativo’ do jogo. Esses últimos meses eu tava passando pela maior downswing da minha vida, junto com os torneios ao vivo foram mais de US$ 160.000. Foi exaustivo para caramba, parecia que não ia acabar nunca, mas quem joga poker sabe que a única solução é intensificar os estudos e trabalhar”, relatou na época.

Luigi Soncin

Em agosto de 2025, foi a vez de Luigi Soncin expor uma downswing das mais pesadas publicamente. Acostumado a compartilhar reflexões e ensinamentos em seu perfil no Instagram, o craque veio a público mostrar os números. Após o encerramento do BSOP Winter Millions, ele contou estar enfrentando a maior downswing da carreira.

Naquela altura, ele disse estar em um período de prejuízo de US$ 310.000. Luigi deixou os detalhes bem explicados: foram 3.847 entradas em torneios e US$ 1,2 milhão investidos em buy-ins.

Yuri Martins

Yuri Martins sempre foi uma das vozes mais ativas quando o assunto é variância. Em 2021, ele publicou no Instagram um relato sobre a maior downswing da carreira até então: cerca de US$ 250 mil, jogando torneios com média de buy-in de US$ 1.000, portanto, o equivalente a aproximadamente 250 buy-ins. Ele deu dicas valiosas na publicação.

Com a evolução da carreira e a participação em eventos cada vez mais high stakes, os swings naturalmente cresceram. Em abril de 2024, em um vídeo da Reg Life, ele contou que nunca pegou uma downswing “de um milhão”, mas que já passou por perdas significativas de “centenas de milhares de dólares”.

“Tem domingos durante SCOOP, WCOOP, séries da GG junto que são bem caros. Tem domingos que são de mais de US$ 100.000. Já aconteceu de ‘bricar’ tudo num domingo. São US$ 100.000, mas são 20, 15 torneios. Chance de perder bastante é muito grande”, conta o craque em outro trecho.

Rafael Moraes, Will Arruda e Pedro Madeira

Em corte publicado no Youtube (que também foi inserido no primeiro texto desta série de reportagens), o trio do 4-bet Team Rafael Moraes, Will Arruda e Pedro Madeira também tratou o tema com naturalidade. Os três revelaram os maiores períodos de perdas da carreira.

“Pra vocês terem noção, nessa época, 2012, 2013, 2014, downswing de US$ 100.000 era quase que ‘imbuscável’. Era absurdo. Hoje eu jogando live, 25K, 10K, 5K, pegar uma downswing de 350K é absolutamente normal”, explicou.

Moraes revelou que a maior sequência negativa da carreira foi em torno US$ 500.000. Arruda relatou perdas máximas de cerca de US$ 200.000, enquanto Madeira contou sobre duas downswings. Uma de US$ 400.000 e outra anterior de US$ 180.000. O vídeo é de março de 2024.

Exemplos internacionais

Não são apenas os jogadores brasileiros que foram a público mostrar a realidade. Diversos jogadores estrangeiros, inclusive embaixadores de marcas do poker, contaram sobre os períodos de perda. Um dos casos emblemáticos foi o de Rayan Chamas, streamer bem conhecido pela alcunha de “Beriuzy”.

Chamas fez um vídeo longo de 14 minutos no Youtube contando sobre o aspecto psicológico ao enfrentar uma downswing pesada de US$ 500.000 em agosto de 2023. Posteriormente, o número chegou a atingir US$ 800.000. No início de 2025, Beriuzy já havia conseguido recuperar o ferro nas mesas.

O polêmico Nik Airball, americano acostumado a jogar sessões caríssimas de cash game, revelou em 2023 ter atingido uma downswing insana de US$ 8 milhões. “Parece muito ruim, mas os jogos têm sido muito grandes, então não é tão louco quanto parece. Recentemente, o jogo PLO está jogando em média US$ 1.000 / US$ 2.000”, afirmou na época.

O famoso vlogger Ethan Yau, o “Rampage”, publicou em julho do ano passado uma downswing fortíssima bem detalhada. Nos sete meses de 2025, ele acumulou uma perda em sequência de US$ 357.213. Foram seis meses no vermelho e apenas um mês no azul até aquele momento.

No final de fevereiro deste ano, Brad Owen, embaixador do WPT, também fez um forte desabafo. Em um texto publicado na íntegra pelo Mundo Poker, ele disse estar US$ 100.000 negativo logo nesses primeiros dois meses do ano após um 2025 de prejuízo. “Eu sinto que estou perdendo minha identidade e que sou um fracasso se não conseguir mudar isso logo”, escreveu em um trecho.

Brad Owen

Os efeitos psicológicos da downswing

A downswing faz parte do poker, mas, como mostram os relatos acima, nem mesmo os jogadores mais experientes estão imunaes ao impacto emocional desses períodos.

No próximo capítulo da série, o foco será justamente esse aspecto mental e psicológico. O quarto e último texto da série traz a visão de duas especialistas da área: a mental coach Thaís Dresch e a psicóloga Daiana Guimarães, do Samba Team. Elas analisam como jogadores lidam psicologicamente com as inevitáveis fases negativas do jogo.

O que vem por aí? 

15/04: Artigo #4: “psicóloga e mental coach abordam sobre os impactos emocionais da downswing”

Click to comment

Mundo Poker DOC

“A Febre dos Braceletes”: relembre os 49 braceletes brasileiros na história da WSOP

Brasil tem 15 conquistas em Las Vegas, o palco principal da série mundial

Published

on

O bracelete da WSOP é a grande obsessão do jogador de poker. Muito além de uma joia, ele representa prestígio, história e a eternização entre os grandes nomes do poker mundial. Ao longo das décadas, o bracelete atravessou transformações e em 2026 a criação da peça completa 50 anos.

Nesta nova série do Mundo Poker DOC, vamos revisitar a origem, as curiosidades, os personagens que ajudaram na febre dos braceletes e, claro, a história do Brasil nesse contexto.

LEIA MAIS: “A Febre dos Braceletes”: Como surgiu o bracelete da WSOP, quem teve a ideia e a evolução visual

O Brasil vive uma fase incrível na WSOP. Entre conquistas presenciais e online, o país já soma 49 braceletes, um número que ajuda a traduzir o tamanho da evolução do poker brasileiro nos últimos anos. De Alexandre Gomes em 2008 até a geração atual, o Brasil deixou de ser um mero coadjuvante no cenário para se tornar uma potência.

Dos 49 braceletes brasileiros, 15 foram conquistados em Las Vegas, no palco principal da WSOP, enquanto 29 vieram nas edições online da série. O país ainda soma quatro títulos na WSOP Paradise, disputada nas Bahamas, além de um bracelete na WSOP Europa.

LEIA MAIS: “A Febre dos Braceletes”: os três nomes que mudaram a história do Brasil na WSOP

Yuri Martins, dono de cinco braceletes, é quem lidera esse ranking. João Simão, com três, aparece logo atrás, enquanto Dante Goya tem dois braceletes. Eles formam o seleto grupo dos únicos brasileiros multicampeões da série, simbolizando uma geração que colocou o Brasil definitivamente entre as grandes escolas do poker mundial.

Você lembra de todos os campeões? O último artigo do Mundo Poker DOC “A Febre dos Braceletes” traz a lista completa dos títulos brasileiros na WSOP.

Confira:

Confira todos os artigos do Mundo Poker DOC “A Febre dos Braceletes”:

#1 – “A Febre dos Braceletes”: Como surgiu o bracelete da WSOP, quem teve a ideia e a evolução visual

#2 – “A Febre dos Braceletes”: 1982, o ano em que a WSOP não entregou braceletes aos campeões

#3 – “A Febre dos Braceletes”: Como os braceletes ajudaram a potencializar lendas do poker

#4 – “A Febre dos Braceletes”: Phil Hellmuth, o homem que transformou a caça aos braceletes em obsessão

#5 – “A Febre dos Braceletes”: Bracelete online é a banalização do maior símbolo do poker ou evolução natural?

#6 “A Febre dos Braceletes”: os três nomes que mudaram a história do Brasil na WSOP

#7 – “A Febre dos Braceletes”: relembre os 49 braceletes brasileiros na história da WSOP

Continue Reading

Mundo Poker DOC

“A Febre dos Braceletes”: os três nomes que mudaram a história do Brasil na WSOP

O pioneiro, o midiático e o colecionador construíram a base da história do país na WSOP

Published

on

O bracelete da WSOP é a grande obsessão do jogador de poker. Muito além de uma joia, ele representa prestígio, história e a eternização entre os grandes nomes do poker mundial. Ao longo das décadas, o bracelete atravessou transformações e em 2026 a criação da peça completa 50 anos.

Nesta nova série do Mundo Poker DOC, vamos revisitar a origem, as curiosidades, os personagens que ajudaram na febre dos braceletes e, claro, a história do Brasil nesse contexto.

LEIA MAIS: “A Febre dos Braceletes”: Como surgiu o bracelete da WSOP, quem teve a ideia e a evolução visual

#6 – A ótica através do trio

O Brasil tem hoje 49 braceletes da WSOP. Esse número é impensável para quem acompanhava o poker nacional até pouco tempo antes da pandemia. Ao longo dessa caminhada, dezenas de nomes ajudaram a construir essa história. O Mundo Poker conta a narrativa sob a ótica de três lendas do poker brasileiro: Alexandre Gomes, André Akkari e Yuri Martins.

Gomes foi o homem que abriu o mar para o poker brasileiro no exterior. O pioneiro, o cara que mostrou que era possível. Akkari foi além. Articulado e visionário, teve o bracelete mais midiático, furou a bolha e virou um porta-bandeira eterno do poker nacional. Nesta fase mais moderna, Yuri Martins é o colecionador. O brasileiro que chegou no topo. Na elite.

LEIA MAIS: “A Febre dos Braceletes”: 1982, o ano em que a WSOP não entregou braceletes aos campeões

Alexandre Gomes: o homem que abriu a porta

Em 2008, o poker brasileiro ainda engatinhava. O BSOP estava apenas em sua terceira temporada. Eram raríssimos os eventos regionais. A comunidade ganhava adeptos aos poucos, mas já tinha, naquela altura, uma enorme referência: Alexandre Gomes. O jogador de Curitiba vinha faturando resultados gigantescos no exterior.

A cereja do bolo veio ao conquistar o primeiro bracelete brasileiro da WSOP em 2008. A vitória no Evento #48 (US$ 2.000 NLH), atravessando um field de 2.317 entradas, valeu a bagatela de US$ 770.540. Gomes foi o responsável por quebrar uma barreira psicológica. Ele mostrou para todos os jogadores do país na época que era possível sonhar.

O impacto foi imediato. Alexandre virou referência técnica, ganhou projeção internacional e ajudou a inserir o Brasil no mapa do poker mundial. O “efeito Gomes” certamente levou mais grupos de brasileiros para Vegas nos anos seguintes. A bandeira brasileira começou a ser vista mais vezes nos torneios da WSOP.

O bracelete de Alê Gomes surgiu antes da explosão definitiva do poker online no Brasil. Ele foi o rosto de uma geração pioneira, que abriu caminho sem ter referências nacionais anteriores. Muitos dos profissionais brasileiros que vieram depois cresceram vendo Alexandre Gomes como prova de que era possível chegar lá.

André Akkari: o bracelete que furou a bolha

Alexandre Gomes abriu a porta, mas foi André Akkari quem ajudou a transformar a imagem do poker para os brasileiros de vez. Akkari passou por cima do US$ 1.500 NLH enfrentando um field de 2.857 entradas e forrou US$ 675.117 em 2011.

O hiato entre o bracelete de Gomes e o de Akkari é de apenas três anos, mas muita coisa mudou nesse período. O cenário já era bastante diferente quando o Team Pro do PokerStars foi campeão. O poker já tinha ganhado espaço na internet, os primeiros times de poker do país estavam surgindo e a comunidade crescia rapidamente. Mas ainda faltava furar a bolha, conversar com a grande mídia. A vitória de Akkari mudou isso.

LEIA MAIS: “A Febre dos Braceletes”: Como os braceletes ajudaram a potencializar lendas do poker

Carismático, articulado e extremamente popular, Akkari conseguiu transformar o título da WSOP em um acontecimento midiático. O bracelete virou pauta em programas esportivos, ganhou espaço no Globo Esporte e ajudou a apresentar o poker para milhões de brasileiros que nunca haviam acompanhado o jogo.

Akkari já era uma das principais vozes do poker brasileiro, mas o bracelete elevou seu papel a outro patamar. Transformou ele no grande embaixador do jogo no país. Não foi o primeiro, mas o bracelete de 2011 teve um peso gigantesco. Talvez nenhum título brasileiro tenha sido tão importante para a popularização do poker em solo brasileiro.

Yuri Martins: o Brasil alcança a elite do poker mundial.

Muitos anos depois do pioneirismo de Alexandre e da popularização conduzida por Akkari, surgiu o jogador que elevaria o Brasil a outro patamar técnico: Yuri Martins. O objetivo dos jogadores era conquistar um bracelete. O “theNERDguy” transformou essa sensação em rotina nos últimos anos. Ele tem cinco pulseiras douradas na carreira.

Yuri virou sinônimo de excelência técnica no cenário mundial. Especialista nato em mixed games – algo ainda raro entre os brasileiros – ele passou a ser reconhecido globalmente como um dos jogadores mais completos do planeta. O primeiro bracelete, em 2019, aconteceu no Evento #51 da WSOP, o $2.500 Mixed Omaha/Seven Card Stud Hi-Lo. No ano seguinte, na pandemia, o bicampeonato aconteceu no US$ 400 PLOSSUS da WSOP Online na GGPoker. Em 2023, o tri veio no US$ 1.500 HORSE em Las Vegas.

LEIA MAIS: “A Febre dos Braceletes”: Bracelete online é a banalização do maior símbolo do poker ou evolução natural?

No mesmo ano, o tetracampeonato aconteceu em um dos eventos grandes do online: o US$ 10.000 PLO Championship, de novo na GGPoker. A doce rotina do craque seguiu forte em 2024 com a conquista do US$ 3.000 Nine Game Mix. Reparem bem: todos os cinco títulos de Yuri aconteceram em torneios de mixed games. De acordo com o site da WSOP, ele tem 35 mesas finais da série.

O craque simboliza o momento em que o Brasil deixou de ser apenas um país capaz de revelar campeões ocasionais e passou a formar jogadores pertencentes à elite absoluta do poker mundial. O respeito que Yuri conquistou entre os profissionais internacionais é o maior já alcançado por um brasileiro na história do jogo.

Yuri Martins

Yuri Martins

Os 49 braceletes brasileiros na história da WSOP foram construídos por dezenas de jogadores talentosos. Cada conquista ajudou a fortalecer o país como potência mundial do poker, mas esse trio tem um papel fundamental. Concorda?

O que vem por aí?

#7 – Todos os braceletes do Brasil na WSOP (26/05)

Continue Reading

Mundo Poker DOC

“A Febre dos Braceletes”: Bracelete online é a banalização do maior símbolo do poker ou evolução natural?

Sede do “Poker Brat” em se tornar o maior vencedor ajudou na valorização do bracelete

Published

on

O bracelete da WSOP é a grande obsessão do jogador de poker. Muito além de uma joia, ele representa prestígio, história e a eternização entre os grandes nomes do poker mundial. Ao longo das décadas, o bracelete atravessou transformações e em 2026 a criação da peça completa 50 anos.

Nesta nova série do Mundo Poker DOC, vamos revisitar a origem, as curiosidades, os personagens que ajudaram na febre dos braceletes e, claro, a história do Brasil nesse contexto.

LEIA MAIS: “A Febre dos Braceletes”: Como surgiu o bracelete da WSOP, quem teve a ideia e a evolução visual

#5 – A expansão do bracelete

Durante décadas, conquistar um bracelete da WSOP significava sobreviver ao calor de Las Vegas e enfrentar fields enormes ao vivo. Era justamente essa combinação de dificuldade, tradição e prestígio que transformava a pulseira dourada no objeto mais cobiçado do poker. Com o tempo, adaptações foram acontecendo.

A primeira delas foi expandir a WSOP para além de Las Vegas. Em 2007, a organização criou a WSOP Europe, levando os braceletes para diferentes cidades do Velho Continente. A internacionalização avançou ainda mais com a criação da WSOP Asia-Pacific, disputada na Austrália em 2013 e 2014. A grande aposta atual da marca é a WSOP Paradise nas Bahamas.

Em 2015, veio outra transformação marcante. A WSOP passou a incluir oficialmente eventos valendo bracelete online através da plataforma WSOP.com. O americano Anthony Spinella entrou para a história como o primeiro campeão virtual da série ao superar um field de 905 entradas em um torneio de US$ 1.000 de buy-in.

LEIA MAIS: “A Febre dos Braceletes”: 1982, o ano em que a WSOP não entregou braceletes aos campeões

A expansão aconteceu de maneira relativamente tímida. Houve apenas um bracelete online em 2016, três em 2017 e quatro em 2018. O crescimento começou a acelerar em 2019, quando a WSOP já distribuiu nove títulos virtuais. Mais do que dobrar o número, na época, virou motivo de debate na comunidade internacional.

Eis que 2020 chegou e o mundo encarou a pandemia da Covid-19. Enquanto todos entravam em isolamento, a GGPoker vivia uma fase de plena ascensão, embora ainda estivesse longe de se tornar a gigante da indústria do poker online. A plataforma havia dado um passo importante no fim de 2019 ao anunciar a contratação de Daniel Negreanu como embaixador.

O verdadeiro ponto de virada viria poucos meses depois. Com os jogadores confinados em casa e a realização da WSOP presencial suspensa, a GGPoker firmou uma surpreendente parceria com a WSOP para a criação de uma série online valendo braceletes. Foi o catalisador perfeito para a expansão global do site.

A WSOP Online aconteceu em dois braços diferentes. A versão internacional, na GGPoker, distribuiu 54 braceletes. A versão doméstica entregou 31 pulseiras douradas via WSOP.com. Em 2020, foram 85 braceletes vencidos através da tela de um computador ou celular. A ideia foi um sucesso total.

A pandemia acabou… e agora?

Em 2021, as vacinas chegaram e o mundo foi normalizando aos poucos. A WSOP voltou a acontecer em Las Vegas de 30 de setembro a 23 de novembro seguindo rígidos protocolos de saúde e segurança. Mesmo com o anúncio, a organização decidiu manter os eventos na GGPoker e na WSOP.com. Foram 33 braceletes distribuídos em cada plataforma poucos meses antes da edição presencial.

A WSOP percebeu o potencial comercial do modelo. Então, os debates começaram. A geração mais antiga discutia o real valor de um bracelete conquistado nesses moldes, mas muitas pessoas que não tinham a oportunidade de viajar comemoravam a chance de ganhar a joia mais cobiçada do poker sem sair de casa.

Apesar das críticas, a WSOP Online segue acontecendo a todo vapor tanto na versão via GGPoker como na edição doméstica na WSOP.com. Teve edições voltadas apenas para mercados específicos como Canadá e o estado da Pensilvânia.

LEIA MAIS: “A Febre dos Braceletes”: Como os braceletes ajudaram a potencializar lendas do poker

Erik Seidel e Phil Hellmuth já criticaram publicamente a quantidade de torneios valendo bracelete anualmente. Daniel Negreanu também concordou em partes na defesa de uma redução. A quantidade de joias online pesa na conta. Há fortes indícios que 2026 vai repetir o modelo do ano passado com pelo menos 63 braceletes distribuídos somando os dois formatos disponíveis.

“Os eventos da WSOP.com especificamente eu acho vergonhosos, eu pessoalmente não os jogo”, alfinetou Negreanu em novembro do ano passado.

Daniel Negreanu defendeu corte moderado dos braceletes ano passado

Você conhece esses jogadores?

O grupo de tetracampeões da WSOP reúne nomes bem respeitados do cenário mundial, como Huck Seed, Chance Kornuth, Joe Cada, Julien Martini, Michael Addamo, Phil Hui, Sam Soverel, Max Pescatori, George Danzer, David Peters, Dan Zack e muitos outros.

A lista dos donos de quatro braceletes, porém, traz dois casos particularmente simbólicos da nova era da WSOP: Guy Dunlap e Joshua Remitio conquistaram todos os seus títulos exclusivamente em eventos online, sem nenhuma vitória presencial.

A presença dessa dupla já com quatro títulos talvez seja um dos maiores sinais de como a corrida por braceletes pode mudar drasticamente nos próximos anos.

Joshua Remitio

GGPoker + WSOP

O cenário recente indica que a tendência está longe de desacelerar. Em 2024, a empresa controladora da GGPoker concluiu a compra da WSOP, reforçando ainda mais a conexão entre a marca e a gigante do poker online. O movimento serve quase como um alerta para quem acredita em uma futura redução dos braceletes virtuais.

Existe, na verdade, um interesse comercial evidente em expandir esse ecossistema, aumentar o alcance global da WSOP e transformar os eventos online em parte cada vez mais relevante para o conjunto da marca.

Basta uma rápida pesquisa no Google para encontrar dezenas de reportagens, vídeos e debates sobre o número de braceletes distribuídos, especialmente online. Uma das grandes questões que os novos donos da WSOP precisarão enfrentar nos próximos anos talvez seja justamente esta: como preservar a mística do bracelete enquanto se torna cada vez mais fácil criar novos campeões da série?

O que vem por aí? 

#6 – Alexandre Gomes, André Akkari e Yuri Martins: o primeiro, o mais midiático e o colecionador de braceletes (25/05)

#7 – Todos os braceletes do Brasil na WSOP (26/05)

Continue Reading

MAIS LIDAS