“A Febre dos Braceletes”: os três nomes que mudaram a história do Brasil na WSOP

O pioneiro, o midiático e o colecionador construíram a base da história do país na WSOP

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O bracelete da WSOP é a grande obsessão do jogador de poker. Muito além de uma joia, ele representa prestígio, história e a eternização entre os grandes nomes do poker mundial. Ao longo das décadas, o bracelete atravessou transformações e em 2026 a criação da peça completa 50 anos.

Nesta nova série do Mundo Poker DOC, vamos revisitar a origem, as curiosidades, os personagens que ajudaram na febre dos braceletes e, claro, a história do Brasil nesse contexto.

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#6 – A ótica através do trio

O Brasil tem hoje 49 braceletes da WSOP. Esse número é impensável para quem acompanhava o poker nacional até pouco tempo antes da pandemia. Ao longo dessa caminhada, dezenas de nomes ajudaram a construir essa história. O Mundo Poker conta a narrativa sob a ótica de três lendas do poker brasileiro: Alexandre Gomes, André Akkari e Yuri Martins.

Gomes foi o homem que abriu o mar para o poker brasileiro no exterior. O pioneiro, o cara que mostrou que era possível. Akkari foi além. Articulado e visionário, teve o bracelete mais midiático, furou a bolha e virou um porta-bandeira eterno do poker nacional. Nesta fase mais moderna, Yuri Martins é o colecionador. O brasileiro que chegou no topo. Na elite.

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Alexandre Gomes: o homem que abriu a porta

Em 2008, o poker brasileiro ainda engatinhava. O BSOP estava apenas em sua terceira temporada. Eram raríssimos os eventos regionais. A comunidade ganhava adeptos aos poucos, mas já tinha, naquela altura, uma enorme referência: Alexandre Gomes. O jogador de Curitiba vinha faturando resultados gigantescos no exterior.

A cereja do bolo veio ao conquistar o primeiro bracelete brasileiro da WSOP em 2008. A vitória no Evento #48 (US$ 2.000 NLH), atravessando um field de 2.317 entradas, valeu a bagatela de US$ 770.540. Gomes foi o responsável por quebrar uma barreira psicológica. Ele mostrou para todos os jogadores do país na época que era possível sonhar.

O impacto foi imediato. Alexandre virou referência técnica, ganhou projeção internacional e ajudou a inserir o Brasil no mapa do poker mundial. O “efeito Gomes” certamente levou mais grupos de brasileiros para Vegas nos anos seguintes. A bandeira brasileira começou a ser vista mais vezes nos torneios da WSOP.

O bracelete de Alê Gomes surgiu antes da explosão definitiva do poker online no Brasil. Ele foi o rosto de uma geração pioneira, que abriu caminho sem ter referências nacionais anteriores. Muitos dos profissionais brasileiros que vieram depois cresceram vendo Alexandre Gomes como prova de que era possível chegar lá.

André Akkari: o bracelete que furou a bolha

Alexandre Gomes abriu a porta, mas foi André Akkari quem ajudou a transformar a imagem do poker para os brasileiros de vez. Akkari passou por cima do US$ 1.500 NLH enfrentando um field de 2.857 entradas e forrou US$ 675.117 em 2011.

O hiato entre o bracelete de Gomes e o de Akkari é de apenas três anos, mas muita coisa mudou nesse período. O cenário já era bastante diferente quando o Team Pro do PokerStars foi campeão. O poker já tinha ganhado espaço na internet, os primeiros times de poker do país estavam surgindo e a comunidade crescia rapidamente. Mas ainda faltava furar a bolha, conversar com a grande mídia. A vitória de Akkari mudou isso.

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Carismático, articulado e extremamente popular, Akkari conseguiu transformar o título da WSOP em um acontecimento midiático. O bracelete virou pauta em programas esportivos, ganhou espaço no Globo Esporte e ajudou a apresentar o poker para milhões de brasileiros que nunca haviam acompanhado o jogo.

Akkari já era uma das principais vozes do poker brasileiro, mas o bracelete elevou seu papel a outro patamar. Transformou ele no grande embaixador do jogo no país. Não foi o primeiro, mas o bracelete de 2011 teve um peso gigantesco. Talvez nenhum título brasileiro tenha sido tão importante para a popularização do poker em solo brasileiro.

Yuri Martins: o Brasil alcança a elite do poker mundial.

Muitos anos depois do pioneirismo de Alexandre e da popularização conduzida por Akkari, surgiu o jogador que elevaria o Brasil a outro patamar técnico: Yuri Martins. O objetivo dos jogadores era conquistar um bracelete. O “theNERDguy” transformou essa sensação em rotina nos últimos anos. Ele tem cinco pulseiras douradas na carreira.

Yuri virou sinônimo de excelência técnica no cenário mundial. Especialista nato em mixed games – algo ainda raro entre os brasileiros – ele passou a ser reconhecido globalmente como um dos jogadores mais completos do planeta. O primeiro bracelete, em 2019, aconteceu no Evento #51 da WSOP, o $2.500 Mixed Omaha/Seven Card Stud Hi-Lo. No ano seguinte, na pandemia, o bicampeonato aconteceu no US$ 400 PLOSSUS da WSOP Online na GGPoker. Em 2023, o tri veio no US$ 1.500 HORSE em Las Vegas.

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No mesmo ano, o tetracampeonato aconteceu em um dos eventos grandes do online: o US$ 10.000 PLO Championship, de novo na GGPoker. A doce rotina do craque seguiu forte em 2024 com a conquista do US$ 3.000 Nine Game Mix. Reparem bem: todos os cinco títulos de Yuri aconteceram em torneios de mixed games. De acordo com o site da WSOP, ele tem 35 mesas finais da série.

O craque simboliza o momento em que o Brasil deixou de ser apenas um país capaz de revelar campeões ocasionais e passou a formar jogadores pertencentes à elite absoluta do poker mundial. O respeito que Yuri conquistou entre os profissionais internacionais é o maior já alcançado por um brasileiro na história do jogo.

Yuri Martins
Yuri Martins

Os 49 braceletes brasileiros na história da WSOP foram construídos por dezenas de jogadores talentosos. Cada conquista ajudou a fortalecer o país como potência mundial do poker, mas esse trio tem um papel fundamental. Concorda?

O que vem por aí?

#7 – Todos os braceletes do Brasil na WSOP (26/05)