“A Febre dos Braceletes”: Como os braceletes ajudaram a potencializar lendas do poker

Em época anterior a redes sociais e transmissões, bracelete foi fonte de fama e reconhecimento

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O bracelete da WSOP é a grande obsessão do jogador de poker. Muito além de uma joia, ele representa prestígio, história e a eternização entre os grandes nomes do poker mundial. Ao longo das décadas, o bracelete atravessou transformações e em 2026 a criação da peça completa 50 anos.

Nesta nova série do Mundo Poker DOC, vamos revisitar a origem, as curiosidades, os personagens que ajudaram na febre dos braceletes e, claro, a história do Brasil nesse contexto.

LEIA MAIS: “A Febre dos Braceletes”: Como surgiu o bracelete da WSOP, quem teve a ideia e a evolução visual

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#3 – O bracelete potencializa fama

Criado em 1976, ou seja, há 50 anos, o bracelete da WSOP vem antes de muitas evoluções que acompanharam o poker diretamente e indiretamente como rankings, transmissões televisivas, sites online, patrocinadores endinheirados e até mesmo as redes sociais. Nesse contexto, o bracelete foi o maior poder de reconhecimento por muitos anos.

Em épocas distintas, acumular braceletes significou coisas diferentes. Nos anos 70 e 80, era a confirmação de respeito entre profissionais. Na década de 90 e principalmente nos anos 2000, passou a representar fama global. Hoje também funciona como legado, marketing pessoal e medida histórica de grandeza.

LEIA MAIS: “A Febre dos Braceletes”: 1982, o ano em que a WSOP não entregou braceletes aos campeões

Doyle Brunson

Poucos jogadores representam melhor essa relação do que Doyle Brunson. Em uma era em que o poker ainda vivia quase exclusivamente nos cassinos de Las Vegas, seus títulos ajudaram a transformar Brunson em uma referência absoluta do jogo. Ele até recebeu o apelido “Padrinho do Poker”. Os braceletes serviam como prova concreta de superioridade em um ambiente onde a reputação era adquirida no “boca a boca”.

Johnny Chan

Nos anos 80, Johnny Chan elevou ainda mais esse nível. Bicampeão consecutivo do Main Event, Chan virou o rosto da WSOP naquela década. A cena eternizada no filme Rounders ajudou a consolidar uma imagem para uma nova geração de jogadores, mas sua fama já havia sido construída, principalmente, com os múltiplos braceletes conquistados.

Johnny Chan

Phil Hellmuth

Phil Hellmuth foi quem talvez entendeu melhor o valor histórico da contagem de braceletes. Com o tempo, ele transformou cada novo título em puro marketing. O discurso de “maior vencedor” virou combustível para entrevistas, rivalidades, transmissões e debates intermináveis. O “Poker Brat” ajudou a popularizar essa mítica de que o número de braceletes importa desde quando ganhou o Main Event em 1989.

Phil Hellmuth

Enquanto isso, Phil Ivey construiu o caminho oposto. Sem grandes exageros ou desejo midiático obsessivo, os 11 braceletes conquistados ao longo da carreira criaram uma aura fortíssima, uma espécie de gênio silencioso do poker. Cada conquista reforçava a percepção de que ele era o jogador mais talentoso da geração dele.

Com Daniel Negreanu, os braceletes encontraram um aliado perfeito na era da mídia. Carismático, comunicativo e extremamente popular diante das câmeras, Negreanu usou as conquistas como plataforma para se tornar um dos maiores embaixadores do poker mundial. Quem nunca usou o termo “Negreanu” numa mesa entre amigos para se referir a alguém de metido a bom?

Daniel Negreanu
Daniel Negreanu

Erik Seidel

Nomes como Erik Seidel representam outro lado importante da WSOP: a consistência. Longe dos holofotes, Seidel acumulou títulos ao longo de diferentes décadas e consolidou uma carreira marcada pela longevidade. Muitos outros nomes da história do poker seguiram um caminho parecido.

Jogadores mais jovens como Brian Rast, Michael Mizrachi, Scott Seiver, Benny Glaser, Shaun Deeb, Nick Schulman e até Yuri Martins entraram nessa disputa com a fama dos braceletes consolidada, mas hoje dão fortes indícios que passarão muitas das lendas nos próximos anos.

O bracelete não é apenas uma pulseira dourada. Ele passou a funcionar como argumento histórico, ferramenta de marketing e critério de comparação entre os maiores jogadores de poker do mundo. O poker é um jogo muito difícil de medir objetivamente e os braceletes ajudaram a criar parâmetros de grandeza.

O número de braceletes das figuras centrais do texto:

Phil Hellmuth – 17

Phil Ivey – 11

Doyle Brunson – 10

Erik Seidel – 10

Johnny Chan – 10

Daniel Negreanu – 7

O número de braceletes dos outros jogadores:

Benny Glaser – 8

Michael Mizrachi – 8

Shaun Deeb – 8

Brian Rast – 7

Scott Seiver – 7

Nick Schulman – 7

Yuri Martins – 5

O que vem por aí? 

#4 – Phil Hellmuth, o homem que entendeu o valor do bracelete (21/05)

#5 – Bracelete online: banalização ou evolução natural? (22/05)

#6 – Alexandre Gomes, André Akkari e Yuri Martins: o primeiro, o mais midiático e o colecionador de braceletes (25/05)

#7 – Todos os braceletes do Brasil na WSOP (26/05)