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“Downswing, o lado invisível do poker”: psicóloga e mental coach abordam sobre os impactos emocionais da downswing

Último texto da série aborda a visão de especialistas sobre o aspecto mental do jogo

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Nos três primeiros artigos da série “Downswing, o lado invisível do poker”, o Mundo Poker explicou o conceito de downswing, exemplificou a matemática por trás da variância e relembrou relatos públicos de nomes consagrados do poker que enfrentaram longos períodos de prejuízo. Agora, o foco é debater sobre os impactos psicológicos e emocionais.

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Se a downswing é comprovadamente inevitável do ponto de vista matemático, o impacto psicológico ainda é um dos maiores desafios da carreira de um jogador profissional. Para compreender melhor o assunto, conversamos com duas especialistas que acompanham diariamente a rotina de grinders: a mental coach Thaís Dresch, que trabalha com o poker desde 2019, e Daiana Guimarães, psicóloga do Samba Team há seis anos.

Downswing pode ser a porta de entrada para a terapia

Daiana Guimarães contou para o Mundo Poker que o Samba Team abraçou a ideia do cuidado mental como prioridade. “Meu compromisso é ampliar o espaço para o debate sobre saúde mental dentro do time, trazendo o tema como algo tão essencial quanto o conteúdo técnico apresentado nas aulas”.

“Tenho total autonomia para atuar em diferentes frentes do time e, principalmente, conto com a abertura e receptividade dos players e sócios”, explica Daiana. Perguntada se a maior parte dos problemas está relacionada a sequência prolongadas de prejuízo, a psicóloga deu uma resposta interessante que mostra a evolução neste tema.

“A downswing pode ser o precursor do início da terapia, já que o jogador muitas vezes espera estar um momento de muita vulnerabilidade para buscar ajuda”, conta. “Porém, vale pontuar que isso tem acontecido cada vez menos. Está comum os jogadores me procurarem para auxiliá-los a criar cronogramas de estudo, trabalhar regulação emocional durante e pós-grind, questões pessoais, entre outros temas”, reitera.

Nosso cérebro não está preparado para uma downswing

Uma das grandes dificuldades emocionais da downswing nasce de um paradoxo: o jogador sabe que a variância existe, mas o cérebro humano não foi feito para lidar bem com isso. A mental coach Thaís Dresch deu um exemplo prático.

“Imagine, por exemplo, uma pessoa com intolerância à lactose. Ao ingerir laticínios, ela sente uma forte dor de estômago. Esse resultado negativo (a dor) atua como um feedback imediato que a desencoraja a repetir o hábito. É um processo evolutivo que nos permite aprender e evitar ações autodestrutivas”.

“No poker, entretanto, esse mecanismo é contraintuitivo. Você pode tomar a decisão tecnicamente correta e, ainda assim, ter um resultado negativo. O nosso lado emocional não processa bem que esse sofrimento e essa perda sejam “naturais”, mesmo que o lado racional entenda o conceito de variância. É quase um conflito com a nossa própria natureza e com o que aprendemos em milhares de anos de evolução da espécie”.

Questionamento sobre as próprias habilidades

A downswing que dura bastante tempo faz muitos jogadores questionarem as próprias habilidades. “Um dos primeiros pensamentos que o jogador tem: ‘Será que sou realmente bom?’, ‘Será que não tive sorte até aqui?’, ‘Qualquer hora vão perceber que não sou tão capaz’. Na terapia cognitiva comportamental falamos sobre a importância do autoconceito, aquilo que pensamos sobre nós mesmos, e, em momentos vulneráveis, colocamos à prova muitos questionamentos”, explica Daiana.

“Por isso a importância do autoconhecimento, pois, sem ele, podemos acreditar em qualquer pensamento disfuncional que nossa mente nos propõe e tratar isso como uma verdade absoluta. A terapia ajuda o sujeito a ampliar o seu repertório, questionar seus pensamentos e, então, criar estratégias para passar por tudo isso”, completa a psicóloga do Samba Team.

Thaís adotou uma linha semelhante. “O jogador começa a questionar se o seu conhecimento técnico ainda é válido, já que o resultado esperado não aparece. O primeiro impulso é internalizar a responsabilidade, especialmente em pessoas com perfil de alta autocobrança e perfeccionismo”.

Quando a downswing afeta as decisões

A maré ruim pode fazer muitos jogadores a tomarem decisões diferentes do habitual nas mesas. “Isso é muito frequente, especialmente em downswings prolongadas. Meses de perdas consecutivas minam a autoconfiança do jogador, gerando incerteza em spots que antes se sentiam mais seguros”, relata Thaís.

“O jogador pode passar a ter medo de se envolver em situações de alta variância, começando a jogar de forma excessivamente tight ou passiva, mas em alguns casos pode acontecer, em jogadores menos pacientes, de querer arriscar mais, numa tentativa de sair logo desse cenário de angústia pela falta de resultados”, completa a mental coach.

Daiana trouxe outro ponto para o tema. “Ninguém está isento das emoções ruins provocadas por um momento de downswing. Ainda é um jogo de pessoas, portanto sempre haverá emoções nas mesas, só que alguns têm mais recursos para passar por períodos ruins, sejam eles recursos técnicos, mentais ou financeiros”.

Como a psicologia ou o mental coach podem ajudar? 

“O acompanhamento psicológico pode auxiliar desde a organização da rotina pessoal, regulação emocional, melhorar relações profissionais, criar grupos de estudo e até o monitoramento do grind. Mas a principal função que me vejo nesses momentos é ser uma boa ouvinte, oferecendo um espaço de acolhimento e não julgar esse jogador que já está mais fragilizado”, responde Daiana.

“Faço questão de ser uma psicóloga como qualquer outra deveria ser: com escuta atenta, acolhimento e estratégia”, finaliza a psicóloga do Samba Team.

Thaís explica o trabalho do mental coach: “atua ajudando o jogador a resgatar uma perspectiva racional e técnica sobre o jogo. O objetivo é fazê-lo identificar suas limitações atuais e traçar planos de ação que restabeleçam a autoconfiança, mantendo o foco na qualidade das decisões, e não no resultado imediato”.

“Além disso, o suporte profissional combate a sensação de isolamento. Conversar com alguém que entende as nuances do processo e ter suas ações validadas traz a clareza necessária para que o emocional não se desgaste tanto. Isso permite atravessar a fase ruim de forma mais leve. O mental coach também trabalha preventivamente, aumentando a resistência emocional do jogador através da exposição a pequenos estressores controlados, fortalecendo sua tolerância aos estímulos adversos que são inevitáveis na carreira profissional”, conclui Dresch.

O lado invisível continua sendo humano

A downswing sempre vai fazer parte do poker. Nenhuma evolução técnica ou solver será capaz de derrubar a variância. O que vem mudando, no entanto, é a forma como os jogadores lidam com ela. Como demonstraram Daiana e Thaís, esse “sofrimento” não é mais silencioso. O debate sobre saúde mental ganhou espaço dentro dos times e da comunidade. A capacidade emocional precisa estar tão afiada quanto o conhecimento técnico para performar no poker.

No fim das contas, como ressaltou Guimarães, o poker continua sendo um jogo jogado por pessoas.

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“A Febre dos Braceletes”: relembre os 49 braceletes brasileiros na história da WSOP

Brasil tem 15 conquistas em Las Vegas, o palco principal da série mundial

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O bracelete da WSOP é a grande obsessão do jogador de poker. Muito além de uma joia, ele representa prestígio, história e a eternização entre os grandes nomes do poker mundial. Ao longo das décadas, o bracelete atravessou transformações e em 2026 a criação da peça completa 50 anos.

Nesta nova série do Mundo Poker DOC, vamos revisitar a origem, as curiosidades, os personagens que ajudaram na febre dos braceletes e, claro, a história do Brasil nesse contexto.

LEIA MAIS: “A Febre dos Braceletes”: Como surgiu o bracelete da WSOP, quem teve a ideia e a evolução visual

O Brasil vive uma fase incrível na WSOP. Entre conquistas presenciais e online, o país já soma 49 braceletes, um número que ajuda a traduzir o tamanho da evolução do poker brasileiro nos últimos anos. De Alexandre Gomes em 2008 até a geração atual, o Brasil deixou de ser um mero coadjuvante no cenário para se tornar uma potência.

Dos 49 braceletes brasileiros, 15 foram conquistados em Las Vegas, no palco principal da WSOP, enquanto 29 vieram nas edições online da série. O país ainda soma quatro títulos na WSOP Paradise, disputada nas Bahamas, além de um bracelete na WSOP Europa.

LEIA MAIS: “A Febre dos Braceletes”: os três nomes que mudaram a história do Brasil na WSOP

Yuri Martins, dono de cinco braceletes, é quem lidera esse ranking. João Simão, com três, aparece logo atrás, enquanto Dante Goya tem dois braceletes. Eles formam o seleto grupo dos únicos brasileiros multicampeões da série, simbolizando uma geração que colocou o Brasil definitivamente entre as grandes escolas do poker mundial.

Você lembra de todos os campeões? O último artigo do Mundo Poker DOC “A Febre dos Braceletes” traz a lista completa dos títulos brasileiros na WSOP.

Confira:

Confira todos os artigos do Mundo Poker DOC “A Febre dos Braceletes”:

#1 – “A Febre dos Braceletes”: Como surgiu o bracelete da WSOP, quem teve a ideia e a evolução visual

#2 – “A Febre dos Braceletes”: 1982, o ano em que a WSOP não entregou braceletes aos campeões

#3 – “A Febre dos Braceletes”: Como os braceletes ajudaram a potencializar lendas do poker

#4 – “A Febre dos Braceletes”: Phil Hellmuth, o homem que transformou a caça aos braceletes em obsessão

#5 – “A Febre dos Braceletes”: Bracelete online é a banalização do maior símbolo do poker ou evolução natural?

#6 “A Febre dos Braceletes”: os três nomes que mudaram a história do Brasil na WSOP

#7 – “A Febre dos Braceletes”: relembre os 49 braceletes brasileiros na história da WSOP

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“A Febre dos Braceletes”: os três nomes que mudaram a história do Brasil na WSOP

O pioneiro, o midiático e o colecionador construíram a base da história do país na WSOP

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O bracelete da WSOP é a grande obsessão do jogador de poker. Muito além de uma joia, ele representa prestígio, história e a eternização entre os grandes nomes do poker mundial. Ao longo das décadas, o bracelete atravessou transformações e em 2026 a criação da peça completa 50 anos.

Nesta nova série do Mundo Poker DOC, vamos revisitar a origem, as curiosidades, os personagens que ajudaram na febre dos braceletes e, claro, a história do Brasil nesse contexto.

LEIA MAIS: “A Febre dos Braceletes”: Como surgiu o bracelete da WSOP, quem teve a ideia e a evolução visual

#6 – A ótica através do trio

O Brasil tem hoje 49 braceletes da WSOP. Esse número é impensável para quem acompanhava o poker nacional até pouco tempo antes da pandemia. Ao longo dessa caminhada, dezenas de nomes ajudaram a construir essa história. O Mundo Poker conta a narrativa sob a ótica de três lendas do poker brasileiro: Alexandre Gomes, André Akkari e Yuri Martins.

Gomes foi o homem que abriu o mar para o poker brasileiro no exterior. O pioneiro, o cara que mostrou que era possível. Akkari foi além. Articulado e visionário, teve o bracelete mais midiático, furou a bolha e virou um porta-bandeira eterno do poker nacional. Nesta fase mais moderna, Yuri Martins é o colecionador. O brasileiro que chegou no topo. Na elite.

LEIA MAIS: “A Febre dos Braceletes”: 1982, o ano em que a WSOP não entregou braceletes aos campeões

Alexandre Gomes: o homem que abriu a porta

Em 2008, o poker brasileiro ainda engatinhava. O BSOP estava apenas em sua terceira temporada. Eram raríssimos os eventos regionais. A comunidade ganhava adeptos aos poucos, mas já tinha, naquela altura, uma enorme referência: Alexandre Gomes. O jogador de Curitiba vinha faturando resultados gigantescos no exterior.

A cereja do bolo veio ao conquistar o primeiro bracelete brasileiro da WSOP em 2008. A vitória no Evento #48 (US$ 2.000 NLH), atravessando um field de 2.317 entradas, valeu a bagatela de US$ 770.540. Gomes foi o responsável por quebrar uma barreira psicológica. Ele mostrou para todos os jogadores do país na época que era possível sonhar.

O impacto foi imediato. Alexandre virou referência técnica, ganhou projeção internacional e ajudou a inserir o Brasil no mapa do poker mundial. O “efeito Gomes” certamente levou mais grupos de brasileiros para Vegas nos anos seguintes. A bandeira brasileira começou a ser vista mais vezes nos torneios da WSOP.

O bracelete de Alê Gomes surgiu antes da explosão definitiva do poker online no Brasil. Ele foi o rosto de uma geração pioneira, que abriu caminho sem ter referências nacionais anteriores. Muitos dos profissionais brasileiros que vieram depois cresceram vendo Alexandre Gomes como prova de que era possível chegar lá.

André Akkari: o bracelete que furou a bolha

Alexandre Gomes abriu a porta, mas foi André Akkari quem ajudou a transformar a imagem do poker para os brasileiros de vez. Akkari passou por cima do US$ 1.500 NLH enfrentando um field de 2.857 entradas e forrou US$ 675.117 em 2011.

O hiato entre o bracelete de Gomes e o de Akkari é de apenas três anos, mas muita coisa mudou nesse período. O cenário já era bastante diferente quando o Team Pro do PokerStars foi campeão. O poker já tinha ganhado espaço na internet, os primeiros times de poker do país estavam surgindo e a comunidade crescia rapidamente. Mas ainda faltava furar a bolha, conversar com a grande mídia. A vitória de Akkari mudou isso.

LEIA MAIS: “A Febre dos Braceletes”: Como os braceletes ajudaram a potencializar lendas do poker

Carismático, articulado e extremamente popular, Akkari conseguiu transformar o título da WSOP em um acontecimento midiático. O bracelete virou pauta em programas esportivos, ganhou espaço no Globo Esporte e ajudou a apresentar o poker para milhões de brasileiros que nunca haviam acompanhado o jogo.

Akkari já era uma das principais vozes do poker brasileiro, mas o bracelete elevou seu papel a outro patamar. Transformou ele no grande embaixador do jogo no país. Não foi o primeiro, mas o bracelete de 2011 teve um peso gigantesco. Talvez nenhum título brasileiro tenha sido tão importante para a popularização do poker em solo brasileiro.

Yuri Martins: o Brasil alcança a elite do poker mundial.

Muitos anos depois do pioneirismo de Alexandre e da popularização conduzida por Akkari, surgiu o jogador que elevaria o Brasil a outro patamar técnico: Yuri Martins. O objetivo dos jogadores era conquistar um bracelete. O “theNERDguy” transformou essa sensação em rotina nos últimos anos. Ele tem cinco pulseiras douradas na carreira.

Yuri virou sinônimo de excelência técnica no cenário mundial. Especialista nato em mixed games – algo ainda raro entre os brasileiros – ele passou a ser reconhecido globalmente como um dos jogadores mais completos do planeta. O primeiro bracelete, em 2019, aconteceu no Evento #51 da WSOP, o $2.500 Mixed Omaha/Seven Card Stud Hi-Lo. No ano seguinte, na pandemia, o bicampeonato aconteceu no US$ 400 PLOSSUS da WSOP Online na GGPoker. Em 2023, o tri veio no US$ 1.500 HORSE em Las Vegas.

LEIA MAIS: “A Febre dos Braceletes”: Bracelete online é a banalização do maior símbolo do poker ou evolução natural?

No mesmo ano, o tetracampeonato aconteceu em um dos eventos grandes do online: o US$ 10.000 PLO Championship, de novo na GGPoker. A doce rotina do craque seguiu forte em 2024 com a conquista do US$ 3.000 Nine Game Mix. Reparem bem: todos os cinco títulos de Yuri aconteceram em torneios de mixed games. De acordo com o site da WSOP, ele tem 35 mesas finais da série.

O craque simboliza o momento em que o Brasil deixou de ser apenas um país capaz de revelar campeões ocasionais e passou a formar jogadores pertencentes à elite absoluta do poker mundial. O respeito que Yuri conquistou entre os profissionais internacionais é o maior já alcançado por um brasileiro na história do jogo.

Yuri Martins

Yuri Martins

Os 49 braceletes brasileiros na história da WSOP foram construídos por dezenas de jogadores talentosos. Cada conquista ajudou a fortalecer o país como potência mundial do poker, mas esse trio tem um papel fundamental. Concorda?

O que vem por aí?

#7 – Todos os braceletes do Brasil na WSOP (26/05)

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“A Febre dos Braceletes”: Bracelete online é a banalização do maior símbolo do poker ou evolução natural?

Sede do “Poker Brat” em se tornar o maior vencedor ajudou na valorização do bracelete

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O bracelete da WSOP é a grande obsessão do jogador de poker. Muito além de uma joia, ele representa prestígio, história e a eternização entre os grandes nomes do poker mundial. Ao longo das décadas, o bracelete atravessou transformações e em 2026 a criação da peça completa 50 anos.

Nesta nova série do Mundo Poker DOC, vamos revisitar a origem, as curiosidades, os personagens que ajudaram na febre dos braceletes e, claro, a história do Brasil nesse contexto.

LEIA MAIS: “A Febre dos Braceletes”: Como surgiu o bracelete da WSOP, quem teve a ideia e a evolução visual

#5 – A expansão do bracelete

Durante décadas, conquistar um bracelete da WSOP significava sobreviver ao calor de Las Vegas e enfrentar fields enormes ao vivo. Era justamente essa combinação de dificuldade, tradição e prestígio que transformava a pulseira dourada no objeto mais cobiçado do poker. Com o tempo, adaptações foram acontecendo.

A primeira delas foi expandir a WSOP para além de Las Vegas. Em 2007, a organização criou a WSOP Europe, levando os braceletes para diferentes cidades do Velho Continente. A internacionalização avançou ainda mais com a criação da WSOP Asia-Pacific, disputada na Austrália em 2013 e 2014. A grande aposta atual da marca é a WSOP Paradise nas Bahamas.

Em 2015, veio outra transformação marcante. A WSOP passou a incluir oficialmente eventos valendo bracelete online através da plataforma WSOP.com. O americano Anthony Spinella entrou para a história como o primeiro campeão virtual da série ao superar um field de 905 entradas em um torneio de US$ 1.000 de buy-in.

LEIA MAIS: “A Febre dos Braceletes”: 1982, o ano em que a WSOP não entregou braceletes aos campeões

A expansão aconteceu de maneira relativamente tímida. Houve apenas um bracelete online em 2016, três em 2017 e quatro em 2018. O crescimento começou a acelerar em 2019, quando a WSOP já distribuiu nove títulos virtuais. Mais do que dobrar o número, na época, virou motivo de debate na comunidade internacional.

Eis que 2020 chegou e o mundo encarou a pandemia da Covid-19. Enquanto todos entravam em isolamento, a GGPoker vivia uma fase de plena ascensão, embora ainda estivesse longe de se tornar a gigante da indústria do poker online. A plataforma havia dado um passo importante no fim de 2019 ao anunciar a contratação de Daniel Negreanu como embaixador.

O verdadeiro ponto de virada viria poucos meses depois. Com os jogadores confinados em casa e a realização da WSOP presencial suspensa, a GGPoker firmou uma surpreendente parceria com a WSOP para a criação de uma série online valendo braceletes. Foi o catalisador perfeito para a expansão global do site.

A WSOP Online aconteceu em dois braços diferentes. A versão internacional, na GGPoker, distribuiu 54 braceletes. A versão doméstica entregou 31 pulseiras douradas via WSOP.com. Em 2020, foram 85 braceletes vencidos através da tela de um computador ou celular. A ideia foi um sucesso total.

A pandemia acabou… e agora?

Em 2021, as vacinas chegaram e o mundo foi normalizando aos poucos. A WSOP voltou a acontecer em Las Vegas de 30 de setembro a 23 de novembro seguindo rígidos protocolos de saúde e segurança. Mesmo com o anúncio, a organização decidiu manter os eventos na GGPoker e na WSOP.com. Foram 33 braceletes distribuídos em cada plataforma poucos meses antes da edição presencial.

A WSOP percebeu o potencial comercial do modelo. Então, os debates começaram. A geração mais antiga discutia o real valor de um bracelete conquistado nesses moldes, mas muitas pessoas que não tinham a oportunidade de viajar comemoravam a chance de ganhar a joia mais cobiçada do poker sem sair de casa.

Apesar das críticas, a WSOP Online segue acontecendo a todo vapor tanto na versão via GGPoker como na edição doméstica na WSOP.com. Teve edições voltadas apenas para mercados específicos como Canadá e o estado da Pensilvânia.

LEIA MAIS: “A Febre dos Braceletes”: Como os braceletes ajudaram a potencializar lendas do poker

Erik Seidel e Phil Hellmuth já criticaram publicamente a quantidade de torneios valendo bracelete anualmente. Daniel Negreanu também concordou em partes na defesa de uma redução. A quantidade de joias online pesa na conta. Há fortes indícios que 2026 vai repetir o modelo do ano passado com pelo menos 63 braceletes distribuídos somando os dois formatos disponíveis.

“Os eventos da WSOP.com especificamente eu acho vergonhosos, eu pessoalmente não os jogo”, alfinetou Negreanu em novembro do ano passado.

Daniel Negreanu defendeu corte moderado dos braceletes ano passado

Você conhece esses jogadores?

O grupo de tetracampeões da WSOP reúne nomes bem respeitados do cenário mundial, como Huck Seed, Chance Kornuth, Joe Cada, Julien Martini, Michael Addamo, Phil Hui, Sam Soverel, Max Pescatori, George Danzer, David Peters, Dan Zack e muitos outros.

A lista dos donos de quatro braceletes, porém, traz dois casos particularmente simbólicos da nova era da WSOP: Guy Dunlap e Joshua Remitio conquistaram todos os seus títulos exclusivamente em eventos online, sem nenhuma vitória presencial.

A presença dessa dupla já com quatro títulos talvez seja um dos maiores sinais de como a corrida por braceletes pode mudar drasticamente nos próximos anos.

Joshua Remitio

GGPoker + WSOP

O cenário recente indica que a tendência está longe de desacelerar. Em 2024, a empresa controladora da GGPoker concluiu a compra da WSOP, reforçando ainda mais a conexão entre a marca e a gigante do poker online. O movimento serve quase como um alerta para quem acredita em uma futura redução dos braceletes virtuais.

Existe, na verdade, um interesse comercial evidente em expandir esse ecossistema, aumentar o alcance global da WSOP e transformar os eventos online em parte cada vez mais relevante para o conjunto da marca.

Basta uma rápida pesquisa no Google para encontrar dezenas de reportagens, vídeos e debates sobre o número de braceletes distribuídos, especialmente online. Uma das grandes questões que os novos donos da WSOP precisarão enfrentar nos próximos anos talvez seja justamente esta: como preservar a mística do bracelete enquanto se torna cada vez mais fácil criar novos campeões da série?

O que vem por aí? 

#6 – Alexandre Gomes, André Akkari e Yuri Martins: o primeiro, o mais midiático e o colecionador de braceletes (25/05)

#7 – Todos os braceletes do Brasil na WSOP (26/05)

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