“A Febre dos Braceletes”: 1982, o ano em que a WSOP não entregou braceletes aos campeões

Troca para relógios de ouro da marca Baume Mercier durou apenas uma temporada

Jack Straus, David Sklansky e Billy Baxter: campeões em 1982
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O bracelete da WSOP é a grande obsessão do jogador de poker. Muito além de uma joia, ele representa prestígio, história e a eternização entre os grandes nomes do poker mundial. Ao longo das décadas, o bracelete atravessou transformações e em 2026 a criação da peça completa 50 anos.

Nesta nova série do Mundo Poker DOC, vamos revisitar a origem, as curiosidades, os personagens que ajudaram na febre dos braceletes e, claro, a história do Brasil nesse contexto.

#2 – 1982, o ano sem bracelete

O ano de 1982 foi de fatos históricos. Teve a eliminação do Brasil para a Itália de Paolo Rossi na Copa do Mundo, a Guerra das Malvinas e o lançamento de Thriller, álbum que transformou Michael Jackson em um fenômeno global. Enquanto o mundo acompanhava acontecimentos marcantes, a WSOP também viveu um capítulo curioso: o único ano em que decidiu não entregar braceletes aos campeões.

Em mais de cinco décadas de história, a WSOP viveu mudanças de formato, explosões de popularidade e transformações milionárias. No entanto, poucas decisões causaram tanta estranheza quanto a de 1982, quando a série simplesmente abandonou os braceletes como recompensa física principal dos campeões. Fato que é desconhecido nos dias de hoje por muitas pessoas.

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Naquele início dos anos 80, o bracelete ainda estava longe de possuir o peso simbólico que carrega atualmente. A premiação existia desde 1976, por ideia de Benny Binion, mas ainda era tratada mais como uma lembrança elegante do que propriamente como um troféu histórico. O fator tempo ainda não tinha contribuído para a dimensão.

Foi justamente por isso que, em 1982, a organização resolveu inovar. Em vez dos tradicionais braceletes, os campeões receberam relógios de ouro. A mudança buscava entregar um prêmio considerado mais sofisticado e alinhado ao luxo que cercava Las Vegas na época. Ainda tinha um ingrediente machista na mudança, pois várias pessoas consideravam o bracelete “muito feminino”.

O problema? A aceitação não foi das melhores. Muitos jogadores sentiram falta do bracelete quase imediatamente. Ainda que ele ainda não tivesse alcançado o status simbólico atual, já começava a criar uma identidade própria dentro da WSOP. Naquele ano, 15 relógios no total foram distribuídos.

O escritor David Sklansky, falecido neste ano, venceu dois torneios em 1982 e ganhou dois relógios da marca Baume Mercier. “Apesar desses relógios valerem mais dinheiro que os braceletes, os jogadores de poker queriam continuar a tradição do bracelete”, explicou Sklansky para o PokerOrg no ano passado.

A reação dos profissionais ajudou a organização a perceber rapidamente que o bracelete tinha algo especial. Não demorou muito para a WSOP voltar atrás. Em 1983, os braceletes retornaram oficialmente às mesas e nunca mais deixaram de existir.

Os campeões de 1982 não receberam braceletes físicos posteriormente, mas são reconhecidos oficialmente pela WSOP como vencedores equivalentes a braceletes, inclusive na contagem histórica. O campeão do Main Event, por exemplo, foi Jack Straus, que na campanha da vitória eternizou a frase “a chip and chair”, o famoso “uma ficha e uma cadeira”.

Os campeões de 1982 que ganharam um relógio da WSOP:

Billy Baxter – US$ 2.500 Ace to Five Draw

Billy Baxter – US$ 10.000 2-7 Draw

Tom Cress – US$ 1.000 7-Card Stud Split

Jim Doman – US$ 1.000 NLH

June Field – US$ 500 Ladies 7-Card Stud

Nick Helm – US$ 1.000 7-Card Razz

David Sklansky e Danii Kelly – US$ 800 Mixed Doubles (torneio em dupla misto)

Ralph Morton – US$ 1.500 NLH

John Paquette – US$ 1.000 Limit Hold’em

Chip Reese – US$ 5.000 Limit 7-Card Stud

Vera Richmond – US$ 1.000 Ace to Five Draw

David Sklansky – US$ 1.000 Draw High

Don Williams – US$ 1.000 7-Card Stud

Jack Straus – US$ 10.000 Main Event NLH

O que vem por aí? 

#3 – como o bracelete ajudou a potencializar lendas (20/05)

#4 – Phil Hellmuth, o homem que entendeu o valor do bracelete (21/05)

#5 – Bracelete online: banalização ou evolução natural? (22/05)

#6 – Alexandre Gomes, André Akkari e Yuri Martins: o primeiro, o mais midiático e o colecionador de braceletes (25/05)

#7 – Todos os braceletes do Brasil na WSOP (26/05)