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“A Febre dos Braceletes”: Bracelete online é a banalização do maior símbolo do poker ou evolução natural?

Sede do “Poker Brat” em se tornar o maior vencedor ajudou na valorização do bracelete

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O bracelete da WSOP é a grande obsessão do jogador de poker. Muito além de uma joia, ele representa prestígio, história e a eternização entre os grandes nomes do poker mundial. Ao longo das décadas, o bracelete atravessou transformações e em 2026 a criação da peça completa 50 anos.

Nesta nova série do Mundo Poker DOC, vamos revisitar a origem, as curiosidades, os personagens que ajudaram na febre dos braceletes e, claro, a história do Brasil nesse contexto.

LEIA MAIS: “A Febre dos Braceletes”: Como surgiu o bracelete da WSOP, quem teve a ideia e a evolução visual

#5 – A expansão do bracelete

Durante décadas, conquistar um bracelete da WSOP significava sobreviver ao calor de Las Vegas e enfrentar fields enormes ao vivo. Era justamente essa combinação de dificuldade, tradição e prestígio que transformava a pulseira dourada no objeto mais cobiçado do poker. Com o tempo, adaptações foram acontecendo.

A primeira delas foi expandir a WSOP para além de Las Vegas. Em 2007, a organização criou a WSOP Europe, levando os braceletes para diferentes cidades do Velho Continente. A internacionalização avançou ainda mais com a criação da WSOP Asia-Pacific, disputada na Austrália em 2013 e 2014. A grande aposta atual da marca é a WSOP Paradise nas Bahamas.

Em 2015, veio outra transformação marcante. A WSOP passou a incluir oficialmente eventos valendo bracelete online através da plataforma WSOP.com. O americano Anthony Spinella entrou para a história como o primeiro campeão virtual da série ao superar um field de 905 entradas em um torneio de US$ 1.000 de buy-in.

LEIA MAIS: “A Febre dos Braceletes”: 1982, o ano em que a WSOP não entregou braceletes aos campeões

A expansão aconteceu de maneira relativamente tímida. Houve apenas um bracelete online em 2016, três em 2017 e quatro em 2018. O crescimento começou a acelerar em 2019, quando a WSOP já distribuiu nove títulos virtuais. Mais do que dobrar o número, na época, virou motivo de debate na comunidade internacional.

Eis que 2020 chegou e o mundo encarou a pandemia da Covid-19. Enquanto todos entravam em isolamento, a GGPoker vivia uma fase de plena ascensão, embora ainda estivesse longe de se tornar a gigante da indústria do poker online. A plataforma havia dado um passo importante no fim de 2019 ao anunciar a contratação de Daniel Negreanu como embaixador.

O verdadeiro ponto de virada viria poucos meses depois. Com os jogadores confinados em casa e a realização da WSOP presencial suspensa, a GGPoker firmou uma surpreendente parceria com a WSOP para a criação de uma série online valendo braceletes. Foi o catalisador perfeito para a expansão global do site.

A WSOP Online aconteceu em dois braços diferentes. A versão internacional, na GGPoker, distribuiu 54 braceletes. A versão doméstica entregou 31 pulseiras douradas via WSOP.com. Em 2020, foram 85 braceletes vencidos através da tela de um computador ou celular. A ideia foi um sucesso total.

A pandemia acabou… e agora?

Em 2021, as vacinas chegaram e o mundo foi normalizando aos poucos. A WSOP voltou a acontecer em Las Vegas de 30 de setembro a 23 de novembro seguindo rígidos protocolos de saúde e segurança. Mesmo com o anúncio, a organização decidiu manter os eventos na GGPoker e na WSOP.com. Foram 33 braceletes distribuídos em cada plataforma poucos meses antes da edição presencial.

A WSOP percebeu o potencial comercial do modelo. Então, os debates começaram. A geração mais antiga discutia o real valor de um bracelete conquistado nesses moldes, mas muitas pessoas que não tinham a oportunidade de viajar comemoravam a chance de ganhar a joia mais cobiçada do poker sem sair de casa.

Apesar das críticas, a WSOP Online segue acontecendo a todo vapor tanto na versão via GGPoker como na edição doméstica na WSOP.com. Teve edições voltadas apenas para mercados específicos como Canadá e o estado da Pensilvânia.

LEIA MAIS: “A Febre dos Braceletes”: Como os braceletes ajudaram a potencializar lendas do poker

Erik Seidel e Phil Hellmuth já criticaram publicamente a quantidade de torneios valendo bracelete anualmente. Daniel Negreanu também concordou em partes na defesa de uma redução. A quantidade de joias online pesa na conta. Há fortes indícios que 2026 vai repetir o modelo do ano passado com pelo menos 63 braceletes distribuídos somando os dois formatos disponíveis.

“Os eventos da WSOP.com especificamente eu acho vergonhosos, eu pessoalmente não os jogo”, alfinetou Negreanu em novembro do ano passado.

Daniel Negreanu defendeu corte moderado dos braceletes ano passado

Você conhece esses jogadores?

O grupo de tetracampeões da WSOP reúne nomes bem respeitados do cenário mundial, como Huck Seed, Chance Kornuth, Joe Cada, Julien Martini, Michael Addamo, Phil Hui, Sam Soverel, Max Pescatori, George Danzer, David Peters, Dan Zack e muitos outros.

A lista dos donos de quatro braceletes, porém, traz dois casos particularmente simbólicos da nova era da WSOP: Guy Dunlap e Joshua Remitio conquistaram todos os seus títulos exclusivamente em eventos online, sem nenhuma vitória presencial.

A presença dessa dupla já com quatro títulos talvez seja um dos maiores sinais de como a corrida por braceletes pode mudar drasticamente nos próximos anos.

Joshua Remitio

GGPoker + WSOP

O cenário recente indica que a tendência está longe de desacelerar. Em 2024, a empresa controladora da GGPoker concluiu a compra da WSOP, reforçando ainda mais a conexão entre a marca e a gigante do poker online. O movimento serve quase como um alerta para quem acredita em uma futura redução dos braceletes virtuais.

Existe, na verdade, um interesse comercial evidente em expandir esse ecossistema, aumentar o alcance global da WSOP e transformar os eventos online em parte cada vez mais relevante para o conjunto da marca.

Basta uma rápida pesquisa no Google para encontrar dezenas de reportagens, vídeos e debates sobre o número de braceletes distribuídos, especialmente online. Uma das grandes questões que os novos donos da WSOP precisarão enfrentar nos próximos anos talvez seja justamente esta: como preservar a mística do bracelete enquanto se torna cada vez mais fácil criar novos campeões da série?

O que vem por aí? 

#6 – Alexandre Gomes, André Akkari e Yuri Martins: o primeiro, o mais midiático e o colecionador de braceletes (25/05)

#7 – Todos os braceletes do Brasil na WSOP (26/05)

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“A Febre dos Braceletes”: Phil Hellmuth, o homem que transformou a caça aos braceletes em obsessão

Sede do “Poker Brat” em se tornar o maior vencedor ajudou na valorização do bracelete

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O bracelete da WSOP é a grande obsessão do jogador de poker. Muito além de uma joia, ele representa prestígio, história e a eternização entre os grandes nomes do poker mundial. Ao longo das décadas, o bracelete atravessou transformações e em 2026 a criação da peça completa 50 anos.

Nesta nova série do Mundo Poker DOC, vamos revisitar a origem, as curiosidades, os personagens que ajudaram na febre dos braceletes e, claro, a história do Brasil nesse contexto.

LEIA MAIS: “A Febre dos Braceletes”: Como surgiu o bracelete da WSOP, quem teve a ideia e a evolução visual

#4 – A importância da obsessão de Hellmuth para os braceletes

No último texto da série, o Mundo Poker DOC mostrou como algumas das maiores lendas da história do poker tiveram suas trajetórias diretamente associadas às conquistas de braceletes da WSOP. Entre todos esses nomes, porém, existe um personagem que desenvolveu uma relação diferente com o símbolo máximo da WSOP: Phil Hellmuth, ainda hoje o maior vencedor da história da série.

Hellmuth liderou uma espécie de transição na forma como os braceletes passaram a ser enxergados dentro do poker. O então jovem de 24 anos abriu a porteira com estilo ao vencer o Main Event de 1989 derrotando o atual bicampeão Johnny Chan. Naquele momento, Chan era o grande nome do poker mundial e buscava um tricampeonato consecutivo que parecia inevitável.

Naquela época, o maior vencedor de braceletes era Johnny Moss, com nove títulos. Logo atrás vinham Doyle Brunson com seis, Billy Baxter com cinco, além de Chan, Stu Ungar, Amarillo Slim, Bill Boyd e Walter “Puggy” Pearson, todos com quatro. Apesar do prestígio gigantesco dessas conquistas, aquela geração ainda não tratava a corrida por braceletes da maneira obsessiva que o poker moderno passou a tratar depois. Hellmuth, sim.

LEIA MAIS: “A Febre dos Braceletes”: 1982, o ano em que a WSOP não entregou braceletes aos campeões

O “Poker Brat” seguiu acumulando títulos em ritmo frenético. Conquistou mais um bracelete em 1992 e explodiu de vez em 1993, quando venceu três eventos na mesma edição da WSOP. Em 1997 já havia alcançado seis títulos e, até 2003, acumulava nove braceletes, entrando definitivamente na disputa histórica.

Em 2005, tanto Doyle Brunson quanto Johnny Chan conquistaram seus décimos braceletes. Hellmuth, mais jovem e ainda no auge competitivo, enxergou ali uma oportunidade histórica. A partir daquele momento, sua busca pelo topo virou quase uma obsessão pública. E essa obsessão trouxe um valor adicional ao bracelete.

Hellmuth percebeu antes de muitos que a joia da WSOP havia deixado de representar apenas uma vitória isolada. Ela agora simbolizava grandeza histórica. “Para mim, os braceletes sempre foram algo enorme, mais do que para outros jogadores, porque eu sabia que eles representavam história”, disse em entrevista nos meados dos anos 2000.

Bracelete em 1989, aos 24 anos, abriu a jornada de Phil Hellmuth

As vitórias de Hellmuth vinham com uma enxurrada de entrevistas, provocações, discursos sobre legado e, claro, com as doses calculadas de prepotência e arrogância que ajudaram a construir sua imagem pública. A contagem de braceletes virou um assunto permanente da mídia especializada.

Em 2006, Hellmuth empatou com Chan e Brunson e depois nadou de braçada. Ultrapassou a dupla lendária em 2007 ao conquistar o 11º bracelete da carreira. Ampliou o recorde para 13 em 2012 com duas conquistas. Foi campeão em 2015, 2018, 2021 e 2023. Hellmuth resistiu ao tempo e disparou com 17 braceletes.

O jogador mais próximo dele hoje é Phil Ivey com 11, mas uma legião de jogadores de uma geração mais jovem que a dele não para de vencer. Shaun Deeb, com oito, vem usando a mesma receita da “persona” Hellmuth: afirma constantemente que vai ultrapassar o “Poker Brat” nesta corrida mais cedo e mais tarde.

Benny Glaser, gênio dos mixed games, também tem oito, assim como Michael Mizrachi. Brian Rast, Nick Schulman e Scott Seiver são do time de heptacampeões. Até o brasileiro Yuri Martins, dono de cinco braceletes, já mencionou publicamente a possibilidade de perseguir o recorde. Por que não?

É bem provável que Phil Hellmuth seja superado em algum momento. Mas talvez esse seja justamente seu maior legado para a história dos braceletes da WSOP: ter transformado a joia em algo que precisava ser perseguido.

O que vem por aí? 

#5 – Bracelete online: banalização ou evolução natural? (22/05)

#6 – Alexandre Gomes, André Akkari e Yuri Martins: o primeiro, o mais midiático e o colecionador de braceletes (25/05)

#7 – Todos os braceletes do Brasil na WSOP (26/05)

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“A Febre dos Braceletes”: Como os braceletes ajudaram a potencializar lendas do poker

Em época anterior a redes sociais e transmissões, bracelete foi fonte de fama e reconhecimento

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O bracelete da WSOP é a grande obsessão do jogador de poker. Muito além de uma joia, ele representa prestígio, história e a eternização entre os grandes nomes do poker mundial. Ao longo das décadas, o bracelete atravessou transformações e em 2026 a criação da peça completa 50 anos.

Nesta nova série do Mundo Poker DOC, vamos revisitar a origem, as curiosidades, os personagens que ajudaram na febre dos braceletes e, claro, a história do Brasil nesse contexto.

LEIA MAIS: “A Febre dos Braceletes”: Como surgiu o bracelete da WSOP, quem teve a ideia e a evolução visual

#3 – O bracelete potencializa fama

Criado em 1976, ou seja, há 50 anos, o bracelete da WSOP vem antes de muitas evoluções que acompanharam o poker diretamente e indiretamente como rankings, transmissões televisivas, sites online, patrocinadores endinheirados e até mesmo as redes sociais. Nesse contexto, o bracelete foi o maior poder de reconhecimento por muitos anos.

Em épocas distintas, acumular braceletes significou coisas diferentes. Nos anos 70 e 80, era a confirmação de respeito entre profissionais. Na década de 90 e principalmente nos anos 2000, passou a representar fama global. Hoje também funciona como legado, marketing pessoal e medida histórica de grandeza.

LEIA MAIS: “A Febre dos Braceletes”: 1982, o ano em que a WSOP não entregou braceletes aos campeões

Doyle Brunson

Poucos jogadores representam melhor essa relação do que Doyle Brunson. Em uma era em que o poker ainda vivia quase exclusivamente nos cassinos de Las Vegas, seus títulos ajudaram a transformar Brunson em uma referência absoluta do jogo. Ele até recebeu o apelido “Padrinho do Poker”. Os braceletes serviam como prova concreta de superioridade em um ambiente onde a reputação era adquirida no “boca a boca”.

Johnny Chan

Nos anos 80, Johnny Chan elevou ainda mais esse nível. Bicampeão consecutivo do Main Event, Chan virou o rosto da WSOP naquela década. A cena eternizada no filme Rounders ajudou a consolidar uma imagem para uma nova geração de jogadores, mas sua fama já havia sido construída, principalmente, com os múltiplos braceletes conquistados.

Johnny Chan

Phil Hellmuth

Phil Hellmuth foi quem talvez entendeu melhor o valor histórico da contagem de braceletes. Com o tempo, ele transformou cada novo título em puro marketing. O discurso de “maior vencedor” virou combustível para entrevistas, rivalidades, transmissões e debates intermináveis. O “Poker Brat” ajudou a popularizar essa mítica de que o número de braceletes importa desde quando ganhou o Main Event em 1989.

Phil Hellmuth

Enquanto isso, Phil Ivey construiu o caminho oposto. Sem grandes exageros ou desejo midiático obsessivo, os 11 braceletes conquistados ao longo da carreira criaram uma aura fortíssima, uma espécie de gênio silencioso do poker. Cada conquista reforçava a percepção de que ele era o jogador mais talentoso da geração dele.

Com Daniel Negreanu, os braceletes encontraram um aliado perfeito na era da mídia. Carismático, comunicativo e extremamente popular diante das câmeras, Negreanu usou as conquistas como plataforma para se tornar um dos maiores embaixadores do poker mundial. Quem nunca usou o termo “Negreanu” numa mesa entre amigos para se referir a alguém de metido a bom?

Daniel Negreanu

Daniel Negreanu

Erik Seidel

Nomes como Erik Seidel representam outro lado importante da WSOP: a consistência. Longe dos holofotes, Seidel acumulou títulos ao longo de diferentes décadas e consolidou uma carreira marcada pela longevidade. Muitos outros nomes da história do poker seguiram um caminho parecido.

Jogadores mais jovens como Brian Rast, Michael Mizrachi, Scott Seiver, Benny Glaser, Shaun Deeb, Nick Schulman e até Yuri Martins entraram nessa disputa com a fama dos braceletes consolidada, mas hoje dão fortes indícios que passarão muitas das lendas nos próximos anos.

O bracelete não é apenas uma pulseira dourada. Ele passou a funcionar como argumento histórico, ferramenta de marketing e critério de comparação entre os maiores jogadores de poker do mundo. O poker é um jogo muito difícil de medir objetivamente e os braceletes ajudaram a criar parâmetros de grandeza.

O número de braceletes das figuras centrais do texto:

Phil Hellmuth – 17

Phil Ivey – 11

Doyle Brunson – 10

Erik Seidel – 10

Johnny Chan – 10

Daniel Negreanu – 7

O número de braceletes dos outros jogadores:

Benny Glaser – 8

Michael Mizrachi – 8

Shaun Deeb – 8

Brian Rast – 7

Scott Seiver – 7

Nick Schulman – 7

Yuri Martins – 5

O que vem por aí? 

#4 – Phil Hellmuth, o homem que entendeu o valor do bracelete (21/05)

#5 – Bracelete online: banalização ou evolução natural? (22/05)

#6 – Alexandre Gomes, André Akkari e Yuri Martins: o primeiro, o mais midiático e o colecionador de braceletes (25/05)

#7 – Todos os braceletes do Brasil na WSOP (26/05)

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“A Febre dos Braceletes”: 1982, o ano em que a WSOP não entregou braceletes aos campeões

Troca para relógios de ouro da marca Baume Mercier durou apenas uma temporada

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Jack Straus, David Sklansky e Billy Baxter: campeões em 1982

O bracelete da WSOP é a grande obsessão do jogador de poker. Muito além de uma joia, ele representa prestígio, história e a eternização entre os grandes nomes do poker mundial. Ao longo das décadas, o bracelete atravessou transformações e em 2026 a criação da peça completa 50 anos.

Nesta nova série do Mundo Poker DOC, vamos revisitar a origem, as curiosidades, os personagens que ajudaram na febre dos braceletes e, claro, a história do Brasil nesse contexto.

#2 – 1982, o ano sem bracelete

O ano de 1982 foi de fatos históricos. Teve a eliminação do Brasil para a Itália de Paolo Rossi na Copa do Mundo, a Guerra das Malvinas e o lançamento de Thriller, álbum que transformou Michael Jackson em um fenômeno global. Enquanto o mundo acompanhava acontecimentos marcantes, a WSOP também viveu um capítulo curioso: o único ano em que decidiu não entregar braceletes aos campeões.

Em mais de cinco décadas de história, a WSOP viveu mudanças de formato, explosões de popularidade e transformações milionárias. No entanto, poucas decisões causaram tanta estranheza quanto a de 1982, quando a série simplesmente abandonou os braceletes como recompensa física principal dos campeões. Fato que é desconhecido nos dias de hoje por muitas pessoas.

LEIA MAIS: “Downswing, o lado invisível do poker”: psicóloga e mental coach abordam sobre os impactos emocionais da downswing

Naquele início dos anos 80, o bracelete ainda estava longe de possuir o peso simbólico que carrega atualmente. A premiação existia desde 1976, por ideia de Benny Binion, mas ainda era tratada mais como uma lembrança elegante do que propriamente como um troféu histórico. O fator tempo ainda não tinha contribuído para a dimensão.

Foi justamente por isso que, em 1982, a organização resolveu inovar. Em vez dos tradicionais braceletes, os campeões receberam relógios de ouro. A mudança buscava entregar um prêmio considerado mais sofisticado e alinhado ao luxo que cercava Las Vegas na época. Ainda tinha um ingrediente machista na mudança, pois várias pessoas consideravam o bracelete “muito feminino”.

O problema? A aceitação não foi das melhores. Muitos jogadores sentiram falta do bracelete quase imediatamente. Ainda que ele ainda não tivesse alcançado o status simbólico atual, já começava a criar uma identidade própria dentro da WSOP. Naquele ano, 15 relógios no total foram distribuídos.

O escritor David Sklansky, falecido neste ano, venceu dois torneios em 1982 e ganhou dois relógios da marca Baume Mercier. “Apesar desses relógios valerem mais dinheiro que os braceletes, os jogadores de poker queriam continuar a tradição do bracelete”, explicou Sklansky para o PokerOrg no ano passado.

A reação dos profissionais ajudou a organização a perceber rapidamente que o bracelete tinha algo especial. Não demorou muito para a WSOP voltar atrás. Em 1983, os braceletes retornaram oficialmente às mesas e nunca mais deixaram de existir.

Os campeões de 1982 não receberam braceletes físicos posteriormente, mas são reconhecidos oficialmente pela WSOP como vencedores equivalentes a braceletes, inclusive na contagem histórica. O campeão do Main Event, por exemplo, foi Jack Straus, que na campanha da vitória eternizou a frase “a chip and chair”, o famoso “uma ficha e uma cadeira”.

Os campeões de 1982 que ganharam um relógio da WSOP:

Billy Baxter – US$ 2.500 Ace to Five Draw

Billy Baxter – US$ 10.000 2-7 Draw

Tom Cress – US$ 1.000 7-Card Stud Split

Jim Doman – US$ 1.000 NLH

June Field – US$ 500 Ladies 7-Card Stud

Nick Helm – US$ 1.000 7-Card Razz

David Sklansky e Danii Kelly – US$ 800 Mixed Doubles (torneio em dupla misto)

Ralph Morton – US$ 1.500 NLH

John Paquette – US$ 1.000 Limit Hold’em

Chip Reese – US$ 5.000 Limit 7-Card Stud

Vera Richmond – US$ 1.000 Ace to Five Draw

David Sklansky – US$ 1.000 Draw High

Don Williams – US$ 1.000 7-Card Stud

Jack Straus – US$ 10.000 Main Event NLH

O que vem por aí? 

#3 – como o bracelete ajudou a potencializar lendas (20/05)

#4 – Phil Hellmuth, o homem que entendeu o valor do bracelete (21/05)

#5 – Bracelete online: banalização ou evolução natural? (22/05)

#6 – Alexandre Gomes, André Akkari e Yuri Martins: o primeiro, o mais midiático e o colecionador de braceletes (25/05)

#7 – Todos os braceletes do Brasil na WSOP (26/05)

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