Mundo Poker DOC
“Downswing, o lado invisível do poker”: o que é downswing no poker e por que é importante entender o conceito
Mundo Poker vai abordar o tema em uma série de quatro reportagens
Downswing. Praticamente todos que fazem parte do ecossistema do poker já ouviram e muito provavelmente já vivenciaram em algum momento da carreira. É inevitável. O tema aparece em conversas de todos os níveis, da resenha entre amigos aos grupos mais avançados de estudos. Chegou a hora de você entender de uma vez por todas o que realmente significa.
Em uma série especial de quatro reportagens, o Mundo Poker vai explorar o conceito de uma forma diferente. O objetivo é transformar esses textos em um guia prático de aprendizado para que iniciantes entendam melhor a natureza do jogo e a importância de compreender esse e outros conceitos do jogo o quanto antes.
Afinal, o que é downswing?
Downswing é um período prolongado de resultados negativos no poker. É quando um jogador passa por uma sequência de perdas. É a manifestação prática da variância negativa ao longo de uma amostra de jogos.
Como isso pode acontecer?
O poker é reconhecido estatisticamente como um jogo de habilidade no longo prazo, mas os resultados de curto e médio prazo não dependem apenas de habilidade. Você pode estar jogando o poker de maneira quase perfeita, mas nem assim estará imune ao elemento de aleatoriedade das cartas e das probabilidades.
Você pode perder vários all ins consecutivos como favorito, não consegue converter sessões jogando seu A-Game em lucro e, consequentemente, entra numa maré de prejuízo. Entenda de uma vez por todas: isso é extremamente normal e acontece com todos os jogadores. Ninguém está imune a uma downswing.
Em um jogo baseado em probabilidades, sequências negativas não são exceção, mas sim parte natural da distribuição dos resultados.
Por enquanto fácil, né? Agora vem outro termo importante…
O que é EV?
EV (Expected Value ou valor esperado) representa o resultado médio que uma decisão vai gerar no longo prazo. É uma forma matemática de medir se uma jogada é lucrativa independentemente do resultado imediato. Um jogador pode perder uma mão específica, mas mesmo assim pode ter tomado, no fim das contas, a melhor decisão em termos de EV. O cenário em questão, repetido milhares de vezes, tende a dar lucro.
É muito comum ver jogadores extremamente técnicos como Yuri Martins e Felipe Boianovsky, por exemplo, usando o termo “EV” ou “EV positivo” em suas explicações mais aprofundadas. Grande parte das decisões no poker é baseada em EV. Compreender o significado ajuda a entender toda a natureza do jogo.
Compreender o EV permite separar desempenho de resultado. É justamente essa diferença que explica por que bons jogadores também atravessam longos períodos de perdas. Daniel Almeida, um dos jogadores mais técnicos do país, explica nesse vídeo abaixo o conceito de EV de maneira bastante didática:
“O cara que nunca tomou umas duas downswings fortes e buscou ainda não sabe o que é jogar poker”
Nesse vídeo abaixo, Rafael Moraes, Pedro Madeira e Will Arruda, três dos mais experientes e melhores jogadores do Brasil, abordaram o tema de maneira bem abrangente e até revelaram o valor de seus piores momentos de perdas. A frase em aspas é de Will Arruda, um dos fundadores do 4-bet Team.
Entender o conceito de downswing é apenas o pontapé inicial. A parte realmente difícil vem depois: como diferenciar uma fase natural da variância dos erros reais no próprio jogo? Você vai descobrir nas futuras reportagens da série “Downswing, o lado invisível do poker”.
O que vem por aí?
01/04: Artigo #2: “a matemática da variância que escancara as oscilações naturais do jogo”
08/04: Artigo #3: “os craques do poker brasileiro que revelaram downswings gigantescas”
15/04: Artigo #4: “psicóloga e mental coach abordam sobre os impactos emocionais da downswing”
Mundo Poker DOC
“A Febre dos Braceletes”: 1982, o ano em que a WSOP não entregou braceletes aos campeões
Troca para relógios de ouro da marca Baume Mercier durou apenas uma temporada
O bracelete da WSOP é a grande obsessão do jogador de poker. Muito além de uma joia, ele representa prestígio, história e a eternização entre os grandes nomes do poker mundial. Ao longo das décadas, o bracelete atravessou transformações e em 2026 a criação da peça completa 50 anos.
Nesta nova série do Mundo Poker DOC, vamos revisitar a origem, as curiosidades, os personagens que ajudaram na febre dos braceletes e, claro, a história do Brasil nesse contexto.
#2 – 1982, o ano sem bracelete
O ano de 1982 foi de fatos históricos. Teve a eliminação do Brasil para a Itália de Paolo Rossi na Copa do Mundo, a Guerra das Malvinas e o lançamento de Thriller, álbum que transformou Michael Jackson em um fenômeno global. Enquanto o mundo acompanhava acontecimentos marcantes, a WSOP também viveu um capítulo curioso: o único ano em que decidiu não entregar braceletes aos campeões.
Em mais de cinco décadas de história, a WSOP viveu mudanças de formato, explosões de popularidade e transformações milionárias. No entanto, poucas decisões causaram tanta estranheza quanto a de 1982, quando a série simplesmente abandonou os braceletes como recompensa física principal dos campeões. Fato que é desconhecido nos dias de hoje por muitas pessoas.
Naquele início dos anos 80, o bracelete ainda estava longe de possuir o peso simbólico que carrega atualmente. A premiação existia desde 1976, por ideia de Benny Binion, mas ainda era tratada mais como uma lembrança elegante do que propriamente como um troféu histórico. O fator tempo ainda não tinha contribuído para a dimensão.
Foi justamente por isso que, em 1982, a organização resolveu inovar. Em vez dos tradicionais braceletes, os campeões receberam relógios de ouro. A mudança buscava entregar um prêmio considerado mais sofisticado e alinhado ao luxo que cercava Las Vegas na época. Ainda tinha um ingrediente machista na mudança, pois várias pessoas consideravam o bracelete “muito feminino”.
O problema? A aceitação não foi das melhores. Muitos jogadores sentiram falta do bracelete quase imediatamente. Ainda que ele ainda não tivesse alcançado o status simbólico atual, já começava a criar uma identidade própria dentro da WSOP. Naquele ano, 15 relógios no total foram distribuídos.
Did you know the WSOP didn’t award traditional bracelets in 1982? 🧐
Poker legend @DavidSklansky—3x champ and author of The Theory of Poker—stopped by the PokerOrg Legends Lounge to show us one of the rarest WSOP trophies ever. 🏆♠️ pic.twitter.com/5bARzigc0B
— Poker Org (@pokerorg) June 27, 2025
O escritor David Sklansky, falecido neste ano, venceu dois torneios em 1982 e ganhou dois relógios da marca Baume Mercier. “Apesar desses relógios valerem mais dinheiro que os braceletes, os jogadores de poker queriam continuar a tradição do bracelete”, explicou Sklansky para o PokerOrg no ano passado.
A reação dos profissionais ajudou a organização a perceber rapidamente que o bracelete tinha algo especial. Não demorou muito para a WSOP voltar atrás. Em 1983, os braceletes retornaram oficialmente às mesas e nunca mais deixaram de existir.
Os campeões de 1982 não receberam braceletes físicos posteriormente, mas são reconhecidos oficialmente pela WSOP como vencedores equivalentes a braceletes, inclusive na contagem histórica. O campeão do Main Event, por exemplo, foi Jack Straus, que na campanha da vitória eternizou a frase “a chip and chair”, o famoso “uma ficha e uma cadeira”.

Os campeões de 1982 que ganharam um relógio da WSOP:
Billy Baxter – US$ 2.500 Ace to Five Draw
Billy Baxter – US$ 10.000 2-7 Draw
Tom Cress – US$ 1.000 7-Card Stud Split
Jim Doman – US$ 1.000 NLH
June Field – US$ 500 Ladies 7-Card Stud
Nick Helm – US$ 1.000 7-Card Razz
David Sklansky e Danii Kelly – US$ 800 Mixed Doubles (torneio em dupla misto)
Ralph Morton – US$ 1.500 NLH
John Paquette – US$ 1.000 Limit Hold’em
Chip Reese – US$ 5.000 Limit 7-Card Stud
Vera Richmond – US$ 1.000 Ace to Five Draw
David Sklansky – US$ 1.000 Draw High
Don Williams – US$ 1.000 7-Card Stud
Jack Straus – US$ 10.000 Main Event NLH
O que vem por aí?
#3 – como o bracelete ajudou a potencializar lendas (20/05)
#4 – Phil Hellmuth, o homem que entendeu o valor do bracelete (21/05)
#5 – Bracelete online: banalização ou evolução natural? (22/05)
#6 – Alexandre Gomes, André Akkari e Yuri Martins: o primeiro, o mais midiático e o colecionador de braceletes (25/05)
#7 – Todos os braceletes do Brasil na WSOP (26/05)
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“A Febre dos Braceletes”: Como surgiu o bracelete da WSOP, quem teve a ideia e a evolução visual
Artigos vão destrinchar fatos históricos e personagens marcantes da história de 50 anos do bracelete
O bracelete da WSOP é a grande obsessão do jogador de poker. Muito além de uma joia, ele representa prestígio, história e a eternização entre os grandes nomes do poker mundial. Ao longo das décadas, o bracelete atravessou transformações e em 2026 a criação da peça completa 50 anos.
Nesta nova série do Mundo Poker DOC, vamos revisitar a origem, as curiosidades, os personagens que ajudaram na febre dos braceletes e, claro, a história do Brasil nesse contexto.
#1 – A Origem
Olhar para um bracelete da WSOP hoje é enxergar o maior símbolo de conquista do poker mundial. Mas nem sempre foi assim. Nos primeiros anos da série criada em 1970, os campeões recebiam um troféu diferente: uma espécie de taça de prata. A premiação física inicial durou apenas cinco anos.
A mudança aconteceu em 1976. O responsável pela ideia foi o lendário Benny Binion, fundador da WSOP e uma das figuras mais visionárias da história do poker. Binion queria criar algo que diferenciasse o poker dos outros esportes e, ao mesmo tempo, pudesse ser usado pelos próprios jogadores. A lógica era simples: sentar na mesa usando um bracelete de campeão teria um impacto muito maior do que deixar um troféu em casa.
A aceitação, inicialmente, foi curiosa. Na década de 70, joias masculinas estavam em alta nos Estados Unidos, o que ajudou a transformar a novidade em desejo. Mas como tudo que é novo, ainda não existia o desejo pela obsessão. Ninguém imaginava que aquele acessório se tornaria, décadas depois, o objeto mais sonhado do poker mundial.
Os primeiros modelos eram bem simples se comparados às peças atuais. Becky Binion, filha de Benny, chegou a descrever os braceletes da época como “pepitas de ouro achatadas”. O designer escolhido para produzir as joias foi o joalheiro de Las Vegas Mordechai Yerushalmi, que anos depois se tornaria praticamente sinônimo dos braceletes da WSOP. Na época, cada peça tinha valor estimado em cerca de US$ 500.

Bracelete de 2019 foi homenagem a 50 anos da WSOP
Os designers e a evolução do bracelete:
Mordechai Yerushalmi (1876 a 2004)
Primeiro designer da peça, o joalheiro de Lsas Vegas Yerushalmi exerceu a função por muitos anos. A saída dele aconteceu em 2004 quando os direitos da WSOP foram comprados pela Harrah’s Entertainment.
Gold and Diamond International (2005)
A empresa de Memphis venceu uma licitação e foi a fornecedora das joias no ano de 2005.
Frederick Goldman (2006)
No ano seguinte, foi quem fabricou as joias e adicionou um componente importante. O bracelete passou a ter pedras mais preciosas e acabamento luxuoso. A de campeão do Main Event, vencida por Jamie Gold, tinha 259 pedras, 7,2 quilates de diamantes e 120 gramas de ouro branco e amarelo.
Corum (2007 a 2009)
Famosa relojoaria da Suíça, a Corum assumiu na sequência por três anos e deu seguimento ao bracelete com uma pegada mais luxuosa iniciada pela Goldman. Os campeões também recebiam um relógio da marca na época.

Bracelete de 2007 foi feito pela marca suíça Corum
OnTilt Designs (2010 e 2011)
Empresa australiana que venceu a concorrência da época para fabricar a peça. A ideia principal da marca era resgatar o visual pesado e clássico dos anos 70 e 80, mas sem perder o luxo. Quem desenhou a peça foi o designer americano Steve Soffa.
Jason of Beverly Hills (2012 a 2018)
Jason Arasheben, um dos designers de joias mais famosos do esporte americano, assumiu a função com sua empresa. Ele mudou o patamar visual e continuou incluindo pedras luxuosas com ainda mais afinco.
Jostens (2019 até hoje)
O bracelete hoje é feito em parceria com a Jostens, empresa americana especializada em anéis e troféus esportivos.

Bracelete é produzido pela Jostens desde 2019
O que vem por aí?
#2 – 1982, o ano sem bracelete (19/05)
#3 – como o bracelete ajudou a potencializar lendas (20/05)
#4 – Phil Hellmuth, o homem que entendeu o valor do bracelete (21/05)
#5 – Bracelete online: banalização ou evolução natural? (22/05)
#6 – Alexandre Gomes, André Akkari e Yuri Martins: o primeiro, o mais midiático e o colecionador de braceletes (25/05)
#7 – Todos os braceletes do Brasil na WSOP (26/05)
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“Downswing, o lado invisível do poker”: psicóloga e mental coach abordam sobre os impactos emocionais da downswing
Último texto da série aborda a visão de especialistas sobre o aspecto mental do jogo
Nos três primeiros artigos da série “Downswing, o lado invisível do poker”, o Mundo Poker explicou o conceito de downswing, exemplificou a matemática por trás da variância e relembrou relatos públicos de nomes consagrados do poker que enfrentaram longos períodos de prejuízo. Agora, o foco é debater sobre os impactos psicológicos e emocionais.
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Se a downswing é comprovadamente inevitável do ponto de vista matemático, o impacto psicológico ainda é um dos maiores desafios da carreira de um jogador profissional. Para compreender melhor o assunto, conversamos com duas especialistas que acompanham diariamente a rotina de grinders: a mental coach Thaís Dresch, que trabalha com o poker desde 2019, e Daiana Guimarães, psicóloga do Samba Team há seis anos.
Downswing pode ser a porta de entrada para a terapia
Daiana Guimarães contou para o Mundo Poker que o Samba Team abraçou a ideia do cuidado mental como prioridade. “Meu compromisso é ampliar o espaço para o debate sobre saúde mental dentro do time, trazendo o tema como algo tão essencial quanto o conteúdo técnico apresentado nas aulas”.
“Tenho total autonomia para atuar em diferentes frentes do time e, principalmente, conto com a abertura e receptividade dos players e sócios”, explica Daiana. Perguntada se a maior parte dos problemas está relacionada a sequência prolongadas de prejuízo, a psicóloga deu uma resposta interessante que mostra a evolução neste tema.
“A downswing pode ser o precursor do início da terapia, já que o jogador muitas vezes espera estar um momento de muita vulnerabilidade para buscar ajuda”, conta. “Porém, vale pontuar que isso tem acontecido cada vez menos. Está comum os jogadores me procurarem para auxiliá-los a criar cronogramas de estudo, trabalhar regulação emocional durante e pós-grind, questões pessoais, entre outros temas”, reitera.
Nosso cérebro não está preparado para uma downswing
Uma das grandes dificuldades emocionais da downswing nasce de um paradoxo: o jogador sabe que a variância existe, mas o cérebro humano não foi feito para lidar bem com isso. A mental coach Thaís Dresch deu um exemplo prático.
“Imagine, por exemplo, uma pessoa com intolerância à lactose. Ao ingerir laticínios, ela sente uma forte dor de estômago. Esse resultado negativo (a dor) atua como um feedback imediato que a desencoraja a repetir o hábito. É um processo evolutivo que nos permite aprender e evitar ações autodestrutivas”.
“No poker, entretanto, esse mecanismo é contraintuitivo. Você pode tomar a decisão tecnicamente correta e, ainda assim, ter um resultado negativo. O nosso lado emocional não processa bem que esse sofrimento e essa perda sejam “naturais”, mesmo que o lado racional entenda o conceito de variância. É quase um conflito com a nossa própria natureza e com o que aprendemos em milhares de anos de evolução da espécie”.
Questionamento sobre as próprias habilidades
A downswing que dura bastante tempo faz muitos jogadores questionarem as próprias habilidades. “Um dos primeiros pensamentos que o jogador tem: ‘Será que sou realmente bom?’, ‘Será que não tive sorte até aqui?’, ‘Qualquer hora vão perceber que não sou tão capaz’. Na terapia cognitiva comportamental falamos sobre a importância do autoconceito, aquilo que pensamos sobre nós mesmos, e, em momentos vulneráveis, colocamos à prova muitos questionamentos”, explica Daiana.
“Por isso a importância do autoconhecimento, pois, sem ele, podemos acreditar em qualquer pensamento disfuncional que nossa mente nos propõe e tratar isso como uma verdade absoluta. A terapia ajuda o sujeito a ampliar o seu repertório, questionar seus pensamentos e, então, criar estratégias para passar por tudo isso”, completa a psicóloga do Samba Team.
Thaís adotou uma linha semelhante. “O jogador começa a questionar se o seu conhecimento técnico ainda é válido, já que o resultado esperado não aparece. O primeiro impulso é internalizar a responsabilidade, especialmente em pessoas com perfil de alta autocobrança e perfeccionismo”.
Quando a downswing afeta as decisões
A maré ruim pode fazer muitos jogadores a tomarem decisões diferentes do habitual nas mesas. “Isso é muito frequente, especialmente em downswings prolongadas. Meses de perdas consecutivas minam a autoconfiança do jogador, gerando incerteza em spots que antes se sentiam mais seguros”, relata Thaís.
“O jogador pode passar a ter medo de se envolver em situações de alta variância, começando a jogar de forma excessivamente tight ou passiva, mas em alguns casos pode acontecer, em jogadores menos pacientes, de querer arriscar mais, numa tentativa de sair logo desse cenário de angústia pela falta de resultados”, completa a mental coach.
Daiana trouxe outro ponto para o tema. “Ninguém está isento das emoções ruins provocadas por um momento de downswing. Ainda é um jogo de pessoas, portanto sempre haverá emoções nas mesas, só que alguns têm mais recursos para passar por períodos ruins, sejam eles recursos técnicos, mentais ou financeiros”.
Como a psicologia ou o mental coach podem ajudar?
“O acompanhamento psicológico pode auxiliar desde a organização da rotina pessoal, regulação emocional, melhorar relações profissionais, criar grupos de estudo e até o monitoramento do grind. Mas a principal função que me vejo nesses momentos é ser uma boa ouvinte, oferecendo um espaço de acolhimento e não julgar esse jogador que já está mais fragilizado”, responde Daiana.
“Faço questão de ser uma psicóloga como qualquer outra deveria ser: com escuta atenta, acolhimento e estratégia”, finaliza a psicóloga do Samba Team.
Thaís explica o trabalho do mental coach: “atua ajudando o jogador a resgatar uma perspectiva racional e técnica sobre o jogo. O objetivo é fazê-lo identificar suas limitações atuais e traçar planos de ação que restabeleçam a autoconfiança, mantendo o foco na qualidade das decisões, e não no resultado imediato”.
“Além disso, o suporte profissional combate a sensação de isolamento. Conversar com alguém que entende as nuances do processo e ter suas ações validadas traz a clareza necessária para que o emocional não se desgaste tanto. Isso permite atravessar a fase ruim de forma mais leve. O mental coach também trabalha preventivamente, aumentando a resistência emocional do jogador através da exposição a pequenos estressores controlados, fortalecendo sua tolerância aos estímulos adversos que são inevitáveis na carreira profissional”, conclui Dresch.
O lado invisível continua sendo humano
A downswing sempre vai fazer parte do poker. Nenhuma evolução técnica ou solver será capaz de derrubar a variância. O que vem mudando, no entanto, é a forma como os jogadores lidam com ela. Como demonstraram Daiana e Thaís, esse “sofrimento” não é mais silencioso. O debate sobre saúde mental ganhou espaço dentro dos times e da comunidade. A capacidade emocional precisa estar tão afiada quanto o conhecimento técnico para performar no poker.
No fim das contas, como ressaltou Guimarães, o poker continua sendo um jogo jogado por pessoas.
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