Tô na Área! Rafaella Dias, a Lallah, vai do mundo do CS para as mesas de poker e começa 2023 com big hit: “significou muito”
As disputas no Counter-Strike com Neymar trouxeram Lallah para o poker
O quadro “Tô na Área” está de volta para uma terceira temporada com o objetivo de sempre: apresentar novos jogadores que estão aparecendo no cenário e trabalhando para ficar. A primeira personagem é a jovem Rafaella Dias, mais conhecida nas redes sociais e até mesmo já no mundo do poker como Lallah. A relação da mato-grossense de Cuiabá com o poker é recente.
Formada em Comunicação Social, a publicitária de 25 anos trabalhava em uma Secretaria de Saúde na área de marketing. As coisas mudaram bastante na vida de Lallah em um curto espaço de tempo. Ela saiu de Cuiabá, onde morou a vida inteira, para se mudar para São Paulo junto com a amiga Cynthia Kelly para dar uma guinada na carreira do poker.
Para chegar nas mesas de poker, primeiro, Lallah teve que galgar um espaço em uma outra comunidade, muito semelhante com a nossa, e hoje cada vez mais entrelaçada: a dos E-Sports. Foi através do Counter-Strike que Rafaella fez muitas de suas amizades da vida – inclusive a de Cynthia, sempre inseparáveis – e que é o ponto de partida de sua trajetória.
Lan House: porta para amizades
“Sempre fui gamer nas horas vagas”, revela. “Tive uma Lan House quando tinha 15 anos, e foi onde comecei com os jogos online. Também comecei com os ‘corujões’ da Lan e depois passei a jogar com pessoas online. Fui fazendo amizades para fora da minha cidade e foi no CS que fiz a maioria dos meus amigos, inclusive a amiga que hoje mora comigo”, explica.
“Ficava até de madrugada jogando, eu gostava muito de ficar no PC até mais do que sair de casa. Sempre fui muito competitiva e gostava de ganhar. Passava horas jogando. Minha mãe no início sempre reclamava, mas eu nunca dei trabalho, então era antes eu em casa do que na rua. Para ela era uma troca justa”, continua.
Amizade com Neymar e contato com o poker
A vida dentro dessa comunidade fez com que Lallah criasse vínculos com muitas pessoas. Isso fez com que ela chegasse até em Neymar e seus amigos. Foi assim que ela teve seu contato mais forte com o poker. “Fiz amizades incríveis no CS. Eles são uma galera muito top. A gente jogava Mix (formato de disputa do CS) com eles. No período da quarentena que a galera ficou mais em casa foi criado um home game. Foi lá que eu comecei a jogar com eles o poker”, completa.
“Eu tinha uma breve noção do baralho porque outro amigo meu havia me ensinado”. Lallah, então, passou a frequentar também os torneios organizados por Neymar presencialmente. “Foi com eles que comecei a jogar e até ganhei meu primeiro troféu. Aquela emoção do troféu mudou muita coisa. Aquela adrenalina, nunca tremi tanto na vida. É bizarro como o CS me levou para tantos lugares”.

O divisor de águas
O gosto pelo poker foi imediato, mas o estalo para trilhar uma carreira no jogo não veio naquele momento. Lallah foi uma das participantes do Big Player Brazil. A convivência na gravação do programa foi o ponto de partida da carreira. “Eu jogava brincando há mais ou menos um ano, mas nunca tinha estudado, jogava apenas por diversão e resenha com amigos”, explica.
“No início do ano participei de um reality de poker e, após ficar quase 30 dias vivendo isso juntamente com a Cynthia, decidimos entrar nesse mercado do poker que vem crescendo muito. Decidimos que iríamos morar em São Paulo, começar com lives e participar de alguns eventos. Juntamos uma grana e estamos aqui… sobrevivendo! (risos)”.
Mesmo em pouco tempo viajando e comparecendo em torneios, a jogadora já se sente parte da comunidade. “Eu tô há quatro meses apenas conhecendo a galera, então ainda não tenho muito a dizer, mas já fiz alguns amigos sim, a galera é muito receptiva. Tô gostando bastante e já me enxergo em casa (risos)”.
A cuiabana tem na ponta da língua quem são suas referências no poker. “Akkari, Rafael Moraes, Lali, Neymar foi essa galera que me ensinou, as primeiras pessoas que me deram toque, as minhas inspirações são eles e foi com eles o meu primeiro contato”.
Twitch e cenário atual da carreira
Lallah e Cynthia participaram de algumas lives no ano passado e têm projetos para 2023. “A gente fazia live no partypoker e agora estamos bem focadas em também fazer para os nossos canais”, conta. “Agora eu tô começando a trabalhar mais em cima do meu canal. Também tô mexendo com outras parcerias para deixar a minha live melhor”, acrescenta.
A jogadora revelou que está, neste momento, sem um time de poker. “Eu jogava pela Wide, mas quando eu viajei para o Catar (para acompanhar a Copa do Mundo) eu ia ficar um mês sem conseguir fazer live. A gente encerrou o contrato. Agora eu tô sem time, jogando por conta e fazendo as lives por conta também”.

Big hit em início de ano conturbado
Mesmo com pouco tempo de carreira, o ano de 2023 de Lallah começou com um resultado de impacto e US$ 8.653 motivos para comemorar. Esse foi o prêmio conquistado por ela depois de ter enfrentado um numeroso field de 6.484 no Sunday Hundred Grand do GGPoker. Ela transformou o investimento de US$ 15 nesse hit ao terminar como vice-campeã.
O resultado veio em um momento perfeito depois de um início de conturbado. Também foi uma resposta para a difícil tomada de decisão de migrar para o poker e mudar de cidade. “Quando tomamos uma decisão muito importante de largar sua cidade, seus pais, sair da sua zona de conforto e arriscar em algo novo sempre bate incertezas. Será que estou no caminho certo?”.
“Meu cartão tinha sido clonado, fora outras coisas, minha doença Lúpus estava atacada, eu estava iniciando o ano um pouco abalada, com a cabeça a mil e com vários problemas financeiro, então significou muito, deu um gás pra continuar tentando. Foi um sinal para não desistir e tô aqui na luta”, finaliza Lallah.
Confira o Poker de Boteco #24 com Olívio Gontijo:


