Tô na Área #73: Se dividindo entre engenharia e poker, Rafael Yoshida tem grandes sonhos com o esporte mental
O jogador já mira viver exclusivamente do jogo

Mais uma edição do quadro “Tô na Área” chegou, trazendo para os leitores do Mundo Poker a história de um personagem que, neste ano, teve seu maior resultado nas mesas online. Mais precisamente, no US$ 55 Mega Main Bounty Hunters da GG World Festival , torneio que o cuiabano/blumenauense Rafael Yoshida faturou quase US$ 40.000 após passar por um field de 11.000 inscritos.
Rafael Yoshida tem 29 anos, é natural de Cuiabá-MT, mas mora há 11 anos em Blumenau-SC. Atualmente, o player ainda divide a profissão que ele escolheu, que é a de Engenheiro de Formação, com os torneios de poker, que leva como um hobby.
Em 2024, Yoshida bateu na trave do mesmo torneio que trouxe a ele sua maior premiação até então, ficou em terceiro e, segundo o próprio, o deixou com um gostinho amargo na boca. Ele quis buscar a redenção em 2025 e ela veio em grande estilo. Isso trouxe a ele um sentimento de satisfação após tantos anos de estudo e dedicação.
Rafael conheceu o poker há 12 anos, começando a jogar com os amigos e em home games, para se divertir. Mas, como acontece com muitos, ele se apaixonou e logo foi migrando para os jogos online. Ainda se dividindo entre as duas paixões, profissão e jogo, Yoshida admite estar em fase de transição e pensa, sim, em viver apenas do esporte mental.
A história completa do engenheiro/jogador de poker você pode conferir abaixo. Rafael Yoshida bateu um papo com o Mundo Poker e contou tudo sobre sua vida e trajetória, além de falar sobre como se divide em sua profissão de engenheiro com os torneios. Ele contou também sobre a emoção de ter passado por um field gigantesco e cravar o maior torneio que disputou até agora. O sonho dele? Ele também compartilhou com nosso site.
Confira a seguir a conversa completa com Rafael Yoshida:
MP: Quem é Rafael Yoshida?
Sou Rafael Yoshida, tenho 29 anos, engenheiro de formação e apaixonado por poker. Divido minha rotina entre minha carreira na área de tecnologia e minha dedicação ao poker, que hoje ocupa um espaço importante e especial na minha vida.
MP: O que você fazia antes do poker?
Atualmente trabalho como engenheiro de cloud, sempre buscando soluções eficientes e inteligentes — uma mentalidade que, aliás, se conecta bastante com o poker. Eu acredito que a lógica, a análise e a tomada de decisões sob pressão são habilidades que se aplicam nos dois mundos.
MP: Quando você conheceu o poker e quando começou a jogar?
Comecei a jogar há cerca de 12 anos, como muitos, em mesas com amigos. Eram jogos em casa, mais por diversão, até que naturalmente fui migrando para o online e me aprofundando no estudo do jogo. Hoje, o poker é uma parte bastante significativa da minha vida.
MP: Quando e por que você decidiu virar profissional?
Na verdade, ainda não me considero um profissional. Hoje o poker é um hobby levado com muita seriedade — estudo bastante, participo de torneios grandes e busco sempre evoluir. No entanto, depois de alguns resultados importantes, especialmente o mais recente, confesso que a ideia de uma transição para o profissionalismo começa a parecer mais real e possível.
MP: Como foi sua trajetória até hoje?
Logo na minha primeira semana jogando poker online, durante um festival MicroMillions no PokerStars, acabei ficando em segundo lugar em um torneio de US$ 11, faturando cerca de US$ 6.000 — o que, pra mim na época, era uma quantia realmente absurda. Foi um começo conturbado, e sinceramente, não recomendo pra ninguém (risos). Cria uma falsa sensação de que você sabe o que está fazendo. Desde então, fui amadurecendo no jogo e tive alguns resultados dos quais me orgulho, como uma cravada no WCOOP Edition US$ 55 e, mais recentemente, a vitória no Mega Main US$ 55 da World Festival.
MP: Qual você considera seu maior momento no poker?
Com certeza a vitória no US$ 55 Mega Main Bounty Hunters da World Festival Series. Foram mais de 11.000 entradas em que sair campeão com um prêmio de US$ 40.000 foi um marco na minha trajetória. Esse resultado teve um gosto ainda mais especial porque no ano passado eu já havia feito mesa final nesse mesmo torneio também de série, caindo em 3º lugar. Ficou aquele gostinho amargo na boca… e agora veio a redenção.
MP: Vários amigos vieram falar sobre sua cravada no US$ 55 Bounty Hunters, torneio que lhe trouxe US$ 40.000. Esse carinho é um reconhecimento do seu esforço?
Sem dúvida! Foi muito legal ver tanta gente me mandando mensagens, torcendo, celebrando comigo. Esse carinho é um reconhecimento que vai além do resultado em si — mostra que as pessoas acompanham minha trajetória e torcem pelo meu sucesso. Também me sinto muito sortudo por algo assim ter acontecido comigo. Bater 11.000 entradas é quase surreal — tem uma dose de estudo, esforço e, claro, de muita sorte também. Sou muito grato por tudo isso.
MP: Em que ponto você acredita que está sua carreira hoje?
Acredito que estou num ponto de reflexão e transição. Ainda mantenho minha carreira como engenheiro, mas o poker vem ganhando um espaço cada vez maior. Essa última conquista me trouxe confiança e abriu possibilidades. Tenho avaliado com carinho os próximos passos — quem sabe o poker não se torne mais do que um hobby num futuro próximo?
MP: Qual o maior sonho da sua vida no poker?
Disputar e vencer um grande torneio ao vivo, como uma WSOP ou até mesmo um Triton — se é pra sonhar, por que não sonhar grande? (risos). Mas mais do que títulos, meu sonho é poder jogar esse jogo que tanto amo por muito tempo. Ter a oportunidade de viajar pelo mundo e simplesmente jogar seria, pra mim, o cenário ideal.


