Tô na Área: Higor Seibel leva o poker brasileiro ao topo na Austrália e traz curiosidades sobre trajetória: “influência de Yuri Martins”

O gaúcho de Venâncio Aires possui resultados expressivos nos circuitos australianos

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O quadro de entrevistas “Tô Na Área” do Mundo Poker está de volta em 2024 e o quarto convidado da temporada tem uma bela história e representa muito bem o poker brasileiro na Oceania. É Higor Seibel, gaúcho da pequena cidade chamada Vênancio Alires, que desde 2018 vive em Adelaide, na Austrália, e carrega a bandeira brasileira nos principais torneios realizados no país dos cangurus.

Assim como muitos sonham em sair do Brasil e tentar uma vida em outros países, o então entusiasta do poker na época, realizou o que queria após vencer o Mini Sunday Million do PokerStars e se espelhar em uma lenda do poker brasileiro: “decidi fazer um intercâmbio para o país em 2018, aos 19 anos de idade, após ser influenciado por Yuri Dzivielevski, que já havia vivido na Austrália e despertei a curiosidade em conhecer o país e aprender inglês”, contou Higor.

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Com US$ 170 mil em ganhos em torneios ao vivo, todos na Austrália, ele registra ótimos resultados nos diversos circuitos por lá. Como por exemplo vitórias no Main Event da Adelaide Poker Series, Southern Poker Tour, Australian Poker League e, o mais recente deles, no Australian Poker Tour, onde levou $44 mil com direito a um belo hero call registrado em vídeo, que viralizou na comunidade australiana de poker.

Todas essas curiosidades envolvendo rotina de grind, field dos torneios australianos, poker online bloqueado por lá, escolha de ser profissional, intercâmbio e muito mais, Higor contou em uma bela entrevista ao Mundo Poker no quadro “Tô Na Área”.

Confira a entrevista completa com  Higor Seibel para o “Tô na Área”:

MP: Quem é Higor Seibel?

Higor: “Higor Seibel é um brasileiro de 26 anos de Venâncio Aires Rio Grande do Sul que atualmente reside na Austrália. Decidi fazer um intercâmbio para o país em 2018, aos 19 anos de idade, após ser influenciado por Yuri Dzivielevski, que já havia vivido na Austrália e despertei a curiosidade em conhecer o país e aprender inglês. Um momento crucial na minha jornada foi quando eu alcancei o segundo lugar no prestigioso Mini Sunday Million $22, ganhando um prêmio substancial de cerca de US$ 15 mil.

Foi o catalisador para realizar meu sonho de fazer um intercâmbio na Austrália. Com a ajuda financeira da minha dedicada mãe, Luciane Kist, consegui financiar a viagem e se estabelecer em terras australianas. No início da minha estadia na Austrália, enfrentei desafios típicos de um intercâmbio, tendo que conciliar estudos e trabalho em período integral, o que me afastou um pouco do poker por um tempo.

Após algum tempo vivendo na Austrália, consegui conciliar o trabalho com o poker e, embora inicialmente não planejasse voltar a jogar poker em tempo integral, meus resultados consistentes o levaram a pedir demissão do emprego cerca de 16 meses atrás, para se dedicar profissionalmente ao poker”.

MP: Como o poker surgiu na sua vida?

Higor: “Conheci o poker por meio de amigos por volta de 2013 ou 2014, quando começamos a jogar em garagens por apostas de 2 ou 5 reais. Após despertar minha curiosidade, comecei a assistir torneios na ESPN e, logo em seguida, me juntei a um grupo de jogadores onde aprendi os fundamentos do poker”.

MP: Como é sua rotina de estudos no poker? Consegue conciliar com a carreira profissional?

Higor: “Durante séries ao vivo, eu geralmente não dedico tempo para estudar de forma tradicional. Em vez disso, eu foco em jogar e apenas anoto os spots onde tenho dúvidas. Após a série, reviso esses momentos específicos e os estudo mais a fundo. Atualmente, dedico a maior parte do meu tempo ao poker e tenho investimentos que me permitem ter mais disponibilidade. Isso facilita meu desenvolvimento no jogo, pois posso me concentrar em melhorar minha habilidade sem me preocupar com outras ocupações”.

MP: Você vem se destacando com ótimos resultados nos torneios australianos, poderia descrever como sente o field daí?

Higor: “A proibição do poker online na Austrália desde 2017 resultou em uma diminuição significativa no volume de jogadores e na prática do jogo. Isso pode ter contribuído para tornar o nível de habilidade dos jogadores australianos, tanto regulares quanto recreativos, relativamente mais baixo em comparação com jogadores de outros países, como o Brasil. Mesmo os regulares que percorrem o circuito australiano podem não ter a mesma experiência e técnica que seus colegas de outras regiões devido à falta de prática online”.

MP: O fato do poker online ser proibido na Austrália não atrapalha sua rotina?

Higor: “Eu vejo isso com aspectos positivos e negativos. O aspecto positivo, como mencionei antes, acaba tornando o campo mais suave, enquanto a parte negativa seria a falta de tantas opções para volume de torneios. Algumas plataformas ainda estão em operação na Austrália e há diversos aplicativos com grupos privados onde acontecem high stacks cash games e mtts”.

MP: Jogar a WSOP e representar o Brasil é uma meta?

Higor: “Com certeza! Sempre foi um sonho poder participar e ganhar um bracelete. Ainda estou trabalhando na ideia de ir para a WSOP este ano. Caso não vá este ano, com certeza no ano que vem estarei lá. Um dos pontos negativos são as taxas que são pagas em caso de ganhos, ao contrário da Austrália, onde não precisamos pagar absolutamente nada”.

MP: Pelo Hendon mob você não possui premiações em torneios brasileiros, já jogou por aqui?

Higor: “Joguei em alguns bares quando era menor de idade, mas na época estava apenas aprendendo as regras basicamente. Após isso, joguei um Gauchão quando recém completei 18 anos, onde, se não me engano, fiquei em 13º lugar”.

MP: Veremos o Higor um dia jogando algum torneio pelo Brasil, uma etapa maior do KSOP ou BSOP?

Higor: “Com certeza, também está nos meus planos. Não vou com muita frequência ao Brasil, mas gostaria muito de jogar uma etapa do BSOP Millions ou a maior etapa do KSOP”.

MP: Por fim, deixa um agradecimento para as pessoas especiais na sua vida.

Higor: “Gostaria de expressar minha profunda gratidão à minha mãe por me proporcionar a oportunidade de viver esse sonho na Austrália e por todo o apoio que ela me deu no meu caminho pelo mundo do poker. Apesar de suas reservas iniciais, ela sempre esteve ao meu lado, oferecendo seu suporte incondicional.

A minha namorada, Bruna Albuquerque, merece um agradecimento especial. Mesmo nos momentos mais difíceis, quando a situação no poker parecia desafiadora, ela nunca deixou de me incentivar e de me lembrar do motivo pelo qual perseguia esse sonho. Quando tomei a decisão de deixar um trabalho bem remunerado no ramo imobiliária, ela esteve lá para me apoiar incondicionalmente. Ter alguém tão próximo que apoia minhas decisões profissionais e pessoais tem sido crucial para o meu sucesso.

Além disso, não posso deixar de mencionar meus amigos próximos da comunidade brasileira na Austrália, Claudio Guilherme e Guiga. Seu incentivo constante e sua presença ao meu lado foram fundamentais para manter minha motivação e determinação ao longo desse percurso.

Queria enviar um abraço e um sentimento de saudade para minha família no Brasil, meu pai, Adriano Seibel, meus Tios Joelma & Juca , minha avó Joana Seibel, meu avô Astor Kist, meu padrasto Eloi Brito e todos os outros. Em breve, estarei aí para revê-los.

Agradeço de coração a todas essas pessoas maravilhosas que tornaram possível a realização desse sonho. Sem o apoio de vocês, certamente não estaria onde estou hoje. E continuarei a honrar essa confiança e apoio, perseguindo meus objetivos com ainda mais determinação e gratidão”.

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