Paradise
Erro na FT do Main Event da WSOP Paradise evidencia falta de estudo de jogadores de poker em questão crucial
Prejuízo não foi o primeiro nem será o último de desavisados
Aconteceu mais uma vez. Jogando o 3-handed do Main Event da WSOP Paradise, o australiano Daniel Neilson perdeu um all in de AK x KQ e, na hora da contagem, repassou 10 milhões de fichas a mais para o adversário. Segundo o próprio, o anúncio errado da dealer lhe custou US$ 116.000 em ICM.
Ao invés das 38.000.000 que era o stack do adversário, Neilson foi informado pelo dealer que o all in era de 48.000.000, causando um prejuízo de 10 big blinds após a mão. Restando com apenas 5 bbs (ao invés dos 15), o australiano foi eliminado na mão seguinte. A história completa você encontra na matéria do meu colega Guilherme Schiff.
Um erro como esse é grave, triste para o poker e ninguém gostaria de noticiar, muito menos viver, mas com meus bons anos de experiência no poker, sempre notei que existe um despreparo de modo geral para essa situação vinda dos jogadores.
Não me leve a mal. Se você joga poker e conhece as regras, sabe como se portar e sabe requerer seus direitos, esse texto não é para você. Porém, vejo uma quantidade enorme de jogadores profissionais, que dão milhares de dólares de buy-in anualmente e não entendem as regras básicas do poker ao vivo.
Para esse erro acontecer, precisa existir uma sucessão de pequenos erros. O dealer que fez a contagem incorreta. O jogador que pagou, mas não se atentou no stack do adversário (meio que regra básica, não?), e do jogador beneficiado que não relatou (não temos como julgar se ele percebeu ou não).
Como maior interessado na sua vida no torneio, Daniel Nielsen deveria ser o mais atento a isso. Veja a regra número dois do regulamento da ADPT, que costuma gerir os torneios de poker no país:
“2 – RESPONSABILIDADE DO JOGADOR: É responsabilidade dos jogadores: conferir os dados de sua inscrição e designação de assentos; verificar que recebeu o número correto de cartas para a modalidade em jogo antes que AS ocorra; proteger as suas cartas; tornar as suas intenções claras; acompanhar a ação da mesa; agir na sua vez com terminologia ou gestos apropriados; defender o seu direito de agir; manter suas cartas visíveis; manter suas fichas empilhadas corretamente; permanecer à mesa quando com uma mão viva; abrir corretamente todas as suas cartas quando concorrer no showdown; fazer-se ouvir quando houver um erro acontecendo; jogar de forma a não atrasar a disputa; pedir tempo quando justificável; mover-se para outra mesa rapidamente; respeitar à regra de “um jogador por mão”; conhecer e respeitar as regras; seguir a etiqueta apropriada informar à casa se virem ou experimentarem comportamento discriminatório ou ofensivo e, em geral, contribuir com a organização do torneio onde todos os jogadores se sintam bem-vindos.”
Resolvi destacar três pontos no texto acima. O jogador é responsável por acompanhar o que acontece na mesa, ou seja, ver se tudo que está acontecendo, está dentro dos conformes. É responsável por manter suas fichas empilhadas corretamente para que a contagem de fichas seja feita de forma fácil. Isso serve também para cobrar que seus adversários façam o mesmo.
Por último, caso veja um erro acontecendo, você é obrigado a se fazer ouvir. Avisar o dealer, pedir para chamar a organização e não deixar que a mão prossiga até que o problema seja resolvido de uma forma satisfatória, já que uma vez que uma nova mão foi iniciada, o problema da anterior não pode mais ser resolvido.
Confira como foi:
Para deixar bem claro, isso não é uma “passada de pano” para os erros dos staffs. Porém, tenho uma notícia para você, jogador de poker. Os erros nunca irão parar de acontecer. É um trabalho humano, e como todo trabalho humano, está suscetível a erros. Se você não tiver plena consciência de como funcionam as regras, pode ser o “premiado” da vez. Vai deixar essa parte da sua profissão também na mão da variância?
Anualmente, a ADTP (Associação de Diretores de Torneios de Poker) se reúne em um evento gratuito para discutir as regras que gerem os torneios de poker no país. Inclusive, sempre noticiamos previamente o evento, assim como outros veículos de mídia e a própria CBTH, através do seu Instagram.
Desde que tenho notícia desse encontro, que acontece desde 2011, poucas vezes ou quase nunca, jogadores de poker brasileiros participaram. Lembrando que ele é aberto ao público em geral.
Quantas vezes você já chamou um jogador de futebol de burro porque ele pediu impedimento em lateral, ou o caso do Luis Suarez, que pediu toque de mão (pênalti) quando – pasmem – o goleiro tocou com a mão na bola dentro da área. Se você é um jogador profissional de poker, é inadmissível não conhecer e estudar as regras dos torneios de poker. O prejuízo pode ser gigantesco.
Confira o Poker de Boteco #53 com Gabriel Schroeder:
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Poker feminino mostra força em 2025 com quatro hits milionários durante o ano; confira
Natasha Mercier foi a quarta jogadora com um hit milionário

A WSOP Paradise marcou praticamente o fim do calendário do poker mundial em 2025 e os jogadores começam a se preparar para um merecido descanso. Ainda assim, foi possível anotar mais um resultado muito expressivo para o cenário mundial com o quarto hit feminino acima de sete dígitos.
Natasha Mercier levou US$ 1.800.000 com o sexto lugar no Super Main Event da WSOP Paradise. A marca foi expressiva por muitos fatores: foi a maior premiação conquistada por uma jogadora durante o ano de 2025 e a elevou para a segunda colocação no posto de mulheres com mais prêmios em 2025, perdendo apenas para a canadense Kristen Foxen.
Mercier já contava com alguns bons resultados na carreira, conquistados nos festivais mundiais de 2015 e 2016. Dez anos depois de seu primeiro hit de seis dígitos, ela conquistou uma nova marca, agora milionária. Foi também um dos maiores prêmios femininos da história e, assim como aconteceu com os jogadores brasileiros, foi uma nova marca conquistada na WSOP Paradise.
Os outros prêmios milionários vieram em situações distintas. O mais notável deles veio com Leo Margets na mesa final da WSOP Las Vegas, a primeira vez que uma mulher esteve na mesa final da WSOP Las Vegas em um longo período. Ela foi recompensada com US$ 1.500.000 pelo histórico desempenho.
Kristen Foxen levou US$ 1.104.000 com a terceira colocação no Evento #10 da Triton Jeju, com buy-in de US$ 125.000. Por fim, Sosia Jiang também brilhou na Triton Jeju, com seu pódio no Evento #8 lhe garantindo US$ 1.381.000.
Confira o Poker de Boteco #121 com Alexandre “Bigorna”:
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WSOP Paradise de 2025 é finalizada como um dos maiores momentos da história do poker brasileiro; veja o resumo completo
Série nas Bahamas deu cinco prêmios milionários para o Brasil e feitos memoráveis

A WSOP Paradise de 2025 vai ficar marcada na história como um dos maiores momentos do poker brasileiro. Nas Bahamas, os jogadores do país deram um verdadeiro show e o desempenho obtido por vários nomes do poker nacional vão ser lembrados para sempre. Foram inúmeros feitos, prêmios milionários e a sensação de que, sim, o poker brasileiro está no topo do mundo.
Finalizada ontem, a WSOP Paradise de 2025 trouxe números expressivos. De forma incrível, foram cinco (!!!) prêmios de pelo menos US$ 1 milhão conquistado por jogadores brasileiros, todos eles entrando no top 10 da história do poker nacional. Além disso, um novo bracelete foi somado para a contagem verde e amarela, com João Simão conquistando o tri.
Em ordem cronológica, o primeiro prêmio acima de US$ 1 milhão veio com pompa. Numa reta histórica, Pedro Padilha foi vice-campeão do Triton Main Event da WSOP Paradise, de US$ 100.000, e embolsou a fortuna de US$ 3.160.000, o que, naquele dia, transformou-se no segundo maior prêmio de todos os tempos do poker nacional.
LEIA MAIS: Belarmino de Souza entra no top 10 de maiores premiações brasileiras no live; confira o ranking
Mal sabíamos que aquela seria apenas o primeiro feito do maior dia da história do poker brasileiro. Algumas horas depois, veio o maior momento já visto até hoje. No Evento #10 Triton NLH 8-Handed, de US$ 125.000, aconteceu uma façanha que ficará eternizada. Três dos maiores nomes do poker nacional fizeram o 3-handed do torneio valendo um bracelete da WSOP.
João Simão, Felipe Boianovsky e Yuri Martins decidiram o torneio histórico (sim, essa palavra vai se repetir) e tornaram aquele dia memorável. Os três craques conquistaram suas maiores premiações das carreiras e colocaram a bandeira brasileira de vez no topo do mundo.
O conto de fadas terminou com João Simão campeão e, junto ao seu terceiro bracelete, o mineiro levou a baita forra de US$ 3.067.000 . Vice-campeão, Felipe Boianovsky também faturou alto, saindo com US$ 2.131.000. Por fim, em terceiro, Yuri Martins somou seu primeiro hit de sete dígitos na carreira e fez a festa com US$ 1.409.000.

João Simão com seu terceiro bracelete e o troféu da Triton
Se terminasse aí, a edição da WSOP Paradise já entraria nos livros. Mas teve mais. Na reta final, Belarmino de Souza decidiu ir por ainda mais. No maior torneio da série, o Super Main Event de US$ 25.000, Belarmino também cravou seu nome entre os principais da história do poker nacional.
Belarmino de Souza fez uma campanha sensacional no Super Main Event e, assim como no último ano, colocou a bandeira verde e amarela na decisão. O jovem e talentoso jogador encerrou sua participação com um belíssimo terceiro lugar, feito que lhe rendeu incríveis US$ 4.000.000.
Esta premiação se tornou a segunda maior da história do poker brasileiro – ultrapassando a de Padilha, dias antes – e fica atrás apenas da de Marcelo Aziz. Coincidentemente, foi também na WSOP Paradise que Aziz conquistou o topo da lista, com o vice-campeonato do Super Main Event de 2024, que lhe rendeu US$ 4.600.000

Belarmino de Souza
Não bastasse os cinco prêmios milionários e o bracelete de João Simão, ainda teve mais. Felipe Mojave, por exemplo, chegou muito próximo do sonho de levar seu primeiro título na WSOP. O brasileiro contou com a torcida de milhares de pessoas pelo Brasil, mas ficou no quase. Ele foi vice no Evento #12 US$ 10.000 8-Game e ficou com US$ 188.900.
Iago Botelho foi outro a ficar com um quase valioso. O grinder, que garantiu seu primeiro bracelete ao longo de 2025, fez mesa final no GGMillion$, também de US$ 25.000, e ficou perto do bicampeonato. Ele terminou no quarto lugar da disputa e faturou US$ 512.800 com o desempenho.
A edição de 2025 da WSOP Paradise ainda trouxe o big hit da carreira de Kelvin Kerber (US$ 415.000), outros dois prêmios de meio milhão para João Simão, uma outra mesa final de Yuri Martins e até mesmo nos paralelos o Brasil brilhou. Kelvin Kerber, Larissa Hauagge e Roger Ruivo, por exemplo, se deram bem nas competições extraoficiais.
Por fim, o palco nas Bahamas é tão bom para o Brasil que até o online deu certo. Jogando diretamente do salão da WSOP Paradise, Gustavo Campos conquistou o título do tradicional US$ 10.300 GGMillion$ na GGPoker, levando US$ 223.824. No mesmo dia, Gustavo ainda alcançou a 53ª posição e levou mais US$ 180.000.
A edição de 2025 foi histórica. Que a de 2026 seja ainda mais!
Confira o Poker de Boteco #121 com Alexandre “Bigorna”:
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Bernhard Binder vira heads-up contra Jean-Noel Thorel e se consagra campeão do Super Main Event da WSOP Paradise
O austríaco levou US$ 10 milhões pela cravada

O Super Main Event da WSOP Paradise chegou ao fim. O torneio com o maior garantido da história do poker foi encerrado nesta quinta-feira com uma mesa final de altíssimo nível e um longo heads-up, que acabou encerrado com a vitória do austríaco Bernhard Binder sobre o francês Jean-Noel Thorel.
Binder superou um field de 2.891 entradas, composto pelos melhores jogadores do mundo, para ficar com o título. A recompensa foi a bolada de US$ 10.000.000 garantida na conta no que foi, de longe, o melhor resultado de sua carreira. De acordo com o Hendon Mob, seu melhor resultado anterior no live era de apenas US$ 64.500 numa edição recente da Triton Series.
Binder jogou com inteligência. Mostrando um desempenho sólido desde o início da mesa final, ele evitou grandes colisões com o chip leader Jean-Noel Thorel enquanto os payjumps se acumulavam. No 3-handed, esteve também o brasileiro Belarmino de Souza, que acabou por se envolver num spot impossível de escapar contra o veterano Thorel. Belarmino acabou eliminado e levou US$ 4.000.000.
LEIA MAIS: Iago Botelho fica com a quarta colocação no Evento #14 US$ 25.000 GGMillion$ da WSOP Paradise
O que se desenhou foi um heads-up longo e imprevisível. Com duas formas de jogar completamente diferentes, Binder não conseguiu encontrar a fórmula para disparar contra Thorel durante boas horas da disputa. Ele aplicou também um blefe histórico sobre o francês em um spot de missed straight draw que, caso Jean-Noel tivesse dado o call, se sagraria o campeão do torneio.
Mas a experiência de Thorel acabou por entrar em desvantagem depois de algumas horas e Binder obteve a liderança do heads-up, abrindo boa vantagem na contagem de fichas. Na mão final, um all in pré-flop de de Binder se sobressaiu sobre o de Thorel no board e deu o primeiro bracelete e uma forra imensa para o austríaco.
“Thorel é um adversário especial, e jogar heads-up contra ele é desafiador porque acontecem mais coisas inesperadas do que com muitos outros oponentes. Foi um grande desafio”, disse Binder, em entrevista à PokerNews após o título. Cercado de amigos na comemoração, o austríaco também falou sobre esse ponto:
“Isso é o melhor. O melhor de tudo. Se eu estivesse aqui sozinho e ganhasse, não significaria nem um pouco do que significa agora comemorar com tantas pessoas. E também ter um impacto para elas, porque muitas delas também tiveram sua parcela de vitória”, completou Binder.
Confira a premiação final:
1º – Bernhard Binder (Áustria) – US$ 10.000.000
2º – Jean-Noel Thorel (França) – US$ 6.000.000
3º – Belarmino De Souza (Brasil) – US$ 4.000.000
4º – Terrance Reid (EUA) – US$ 3.000.000
5º – Eric Wasserson (EUA) -US$ 2.350.000
6º – Natasha Mercier (Líbano) -US$ 1.800.000
7º – Peter Chien (Canadá) – US$ 1.400.000
8º – Franco Spitale (Argentina) – US$ 1.100.000
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