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Tô na Área! Com entrada incrível no mundo do Poker, Fillipe Éverton hoje é instrutor e realiza sonho de vida

O também educador físico é instrutor do Insight Poker Team e contou um pouco da sua carreira

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O Tô na Área começa sua segunda temporada em 2021 com uma grande história. O personagem de hoje possui uma história bastante peculiar, com uma inserção no mundo do poker pra lá de especial e uma carreira construída paralelamente a muitas outras atividades. Estamos falando de Fillipe Éverton, o “Fillipinho” do PokerStars, que hoje em dia é jogador e instrutor do Insight Poker Team. Ele até conheceu o poker como muita gente. Assistindo programas na ESPN, jogando com amigos primeiramente e com uma paixão à primeira vista.

O poker surgiu depois do jogador conhecer e demonstrar um talento natural em diversos esportes. Essa é uma das características predominantes da sua personalidade: “sempre tive muita facilidade com qualquer tipo de esporte. O basquete e o futebol eram paixões maiores, e no futsal fui um pouco mais longe, integrando seleções da cidade, do estado e até me profissionalizando em Caruaru para disputar alguns campeonatos pelo Brasil. Essa parte natural vem desde a infância e me ajuda no poker”, conta.

Filho do meio em uma família tradicional, o morador de Caruaru-PE, a capital do Forró, Fillipe é formado em Educação física desde 2013 e possui pós-graduação e mestrado na Europa. Foi nessa área em que ele conheceu sua namorada, Paula, e é sua companheira de todas as horas. E a família é parte importante da sua entrada no mundo do poker. Além da confiança dos pais em todas as suas decisões, foi sua irmã mais velha, Louise, que talvez até sem querer, abriu as portas para o vasto mundo das cartas.

Começo dos sonhos

“Um dia, minha irmã mais velha, Louise, que sabia o tanto que eu gostava de ler e assistir sobre poker, disse que tinha um amigo que também era do meio. Era 2013. Ele era de São Paulo e fazia uns campeonatos. Quando perguntei o nome, era Uéltom”, fala. Até então, para um morador do interior do Pernambuco, o nome não chamou atenção, a princípio. Mas se tratava de Uéltom Lima, hoje sócio do H2, de um dos grandes clubes do Brasil. Mal sabia Fillipe o que essa ligação se tornaria em pouco tempo.

“Ele perguntou se eu sabia quem era o Igor Federal. Eu dei risada, achando que era uma piada, mas disse que sim. Aí o Uéltom falou pra eu ir pra São Paulo que ele me apresentaria ao Federal e a um monte de gente. Achei que era brincadeira ali na hora, mas decidi pegar o avião e ir. Quando cheguei no H2, fiquei abismado. Dava vontade de chorar. Pra um jovem do interior de PE onde praticamente ninguém devia jogar poker, você ver um clube com aquela estrutura era incrível. O Fernando Scherer estava lá esse dia”, lembra.

Para deixar a história ainda mais incrível, não foi só isso: “eu nunca esqueci um detalhe desse dia. Logo depois eu conheci o Vitão, que parecia um amigo quando veio falar comigo, de tanto que eu conhecia a voz. O mais absurdo foi que, no dia seguinte, o Vitão ia pra Cabreúva gravar com o Akkari algo sobre o curso mensal que ele fazia, e o Uéltom pediu pro Vitão me levar junto. Estava eu, lá, no dia seguinte, junto com o Vitão, Akkari, Padilha, Headão e até o Tiago Camilo. Pude assistir o curso sem pagar nada. Ali foi o começo do sonho”, relembra.

Trabalhos paralelos e insegurança para mudar

Depois de ter conseguido conhecer tantas pessoas importantes e sentir o que era o mundo do poker, a paixão virou meta. Fillipe começou a jogar pra valer, mas nunca conseguia deixar sua área, a Educação Física, para se dedicar exclusivamente ao poker. Ele considera isso um problema: “eu sempre estava jogando quando dava, estudando e fazendo cursos quando podia, mas sempre com outras atividades. Cheguei a entrar no Akkari Team, mas continuei de maneira paralela, trabalhando fora e jogando no tempo livre”, explica.

“Foi a principal dificuldade que enfrentei na minha carreira, a falta de coragem pra largar tudo e tentar de verdade. Tem um momento que você vai ter que fazer isso. Eu sempre falo pros meus alunos que tem alguma outra atividade que não deixem o que estão fazendo no começo da carreira, mas óbvio que chega um momento que você vai ter que optar se quiser levar mais a sério”, fala. A falta de experiência e a insegurança adiaram a entrada definitiva no poker, mas trouxe outras experiências importantes.

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Ele trabalhou muito na área da Educação Física e foi isso que, depois de muito tempo, acabou novamente despertando o amor pelo poker, que havia ficado escondido. “Decidi morar fora com a minha namorada pra fazer o mestrado e tive um mês de férias. Nesse tempo, conversei com um amigo e lembrei da sensação de jogar. Baixei o PokerStars, pedi um buy-in emprestado, dizendo que ia dividir o que lucrasse, e cravei o Bounty Builder $55”, conta. Além de relembrar de sua paixão, o torneio mudou sua vida.

“Eu considero esse meu principal resultado até hoje. Não pelo valor monetário, mas porque ajudou de maneira muito forte a minha estadia na Europa e reacendeu a chama que eu tinha sobre o jogo. Me fez sonhar novamente com isso. Continuei jogando no PS.ES quando estava lá, o que também me ajudou bastante no lado financeiro. Entrei no Insight nessa época. Ainda assim, não parei tudo para viver do poker. Sempre fui apaixonado, mas ainda era paralelo”, explica.

Mudança definitiva e descoberta de um novo amor

Mas tudo mudou algum tempo depois. E se a insegurança ou a comodidade o fez atrasar seu sonho, uma situação inesperada serviu para alterar o rumo das coisas: a pandemia. “Tive que voltar pro Brasil meio às pressas quando aconteceu. Eu já estava no Insight nesse momento, mas jogava apenas quando conseguia. Quando voltei, tudo estava fechado, não tinha onde trabalhar. Foi aí que passei a me dedicar 100% ao poker. É a partir desse momento que passo a me considerar profissional, e tem ido muito bem”, fala Fillipe.

Nos principais sites de poker do mundo, Fillipe Éverton já possui mais de US$ 60 mil de lucro, com uma regularidade sonhada por qualquer jogador. Mas ele tem os pés no chão: “eu trabalho em mim mesmo para que os resultados influenciem o mínimo possível. O jogo é de variância, quanto menos você oscilar no humor, mais constante você vai ser. Resultados são sempre bem vindos, comemoro, agradeço, mas tento não me iludir. Acredito que isso me faz mais forte. Outro ponto importante é a disciplina. Eu sou muito determinado, estudo absolutamente todos os dias”, define.

Agora de vez no mundo do poker e sem intenção de sair, Fillipe alcançou um sonho: “há alguns meses me tornei instrutor do Insight. Mudou minha rotina, mas era algo que eu sonhava e me dá muita alegria. Isso me obrigado a estar preparado. Eu não posso passar algo que não seja verdade, que não tenha estudado. Dezenas de pessoas confiam em mim. Eu aprendo demais com os alunos e aplico muitas coisas no jogo. Mas o principal é que me faz estudar mais. Além disso, receber mensagens de agradecimento, de pessoas evoluindo, me deixam mais feliz do que ganhar. Isso não tem preço”.

Futuro e agradecimentos

Outra das características da qual o profissional do Insight se orgulha é de ser sonhador. Por isso, planos para o futuro estão sempre à sua mira: “quero viajar para Las Vegas uma vez por ano, disputar o WSOP e também os WPTs, principalmente o Monte Carlos. São meus sonhos máximos no poker. E quero ser uma boa pessoas, ajudar quem eu puder, minha família, enfim, ser o melhor que eu posso ser. E agradeço a Deus, também, por chegar até aqui”, conta.

De coração aberto, ele segue o tom de gratidão: “agradeço também aos meus pais, que nem entendem muito desse universo mas me apoiaram e confiaram desde sempre. A minha irmã, que foi a responsável pelo começo e que me dá muitos conselhos. A minha namorada, minha parceira, psicóloga e tudo mais. Que acredita em mim, me ajuda e não me deixa desistir. E fico feliz por estar aqui, significa muito. Espero virar figurinha carimbada”, finaliza.

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Tô na área #75: Matheus Mion detalha como saiu do freeroll e chegou ao primeiro prêmio acima de US$10K

Matheus teve conquistas recentes no poker e quer crescer cada vez mais

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Chegou para os leitores do Mundo Poker a 75ª edição do quadro Tô na Área! Desta vez, quem contou sua história foi o Head de Projetos Matheus Mion, que falou um pouco sobre conheceu o poker, em 2016 e, diferente do que a maioria faz, não iniciou nos home games com amigos, mas sim no PokerStars, ainda de forma gratuita. Também nos explicou como concilia seu trabalho com o jogo e a sensação da primeira premiação acima de US$ 10K.

Casado com Agnes e pais do Lucas e Enrico, Matheus Mion define os três como os amores de sua vida. Aos 31 anos, o player ainda divide o jogo com sua profissão, porém tem planos para o futuro. Quem lhe apresentou o poker foi Vinicius Perri, um de seus backers no Samba Resenha. Ter entrado para o time, segundo Mion, foi fundamental para o seu crescimento e suas recentes conquistas.

LEIA MAIS: Tô na área #74: Hit de US$ 100K em 2025 e vivendo o sonho: conheça a história de Pedro Igor, o “rolicin”

Matheus elencou alguns pontos que o fizeram evoluir como o entendimento do jogo, além da estrutura oferecida, fazendo um agradecimento especial, a psicóloga do time, a Daiana. Todos os bons valores conquistados são marcantes, porém o primeiro acima de US$ 10K é inesquecível para Mion. Foi no US$ 66 Venom Special PKO – 150.000$ GTV (WPN), no ACR Poker, do Americas CardRoom.

Essas e outras histórias foram contadas detalhadamente por Mion em um bate-papo muito legal, onde Matheus contou sobre suas vivências no poker e também em sua profissão. Além, claro, de externar seus próximos passos. Você pode conferir na entrevista abaixo.

Mundo Poker: Quem é Matheus Mion?

Matheus Mion: Tenho 31 anos, sou marido da Agnes, estamos juntos há mais de 12 anos, sou pai do Lucca e do Enrico — os três amores da minha vida.

Sou o filho mais novo da Dona Lucy e tenho duas irmãs que admiro profundamente e que tiveram um papel enorme na minha formação como homem, profissional e pai, que são a Malu e a Talita.

Venho de uma base familiar simples, mas muito sólida, e isso moldou meu senso de responsabilidade, coletividade e propósito com Deus.

Mundo Poker: Há quanto tempo você joga poker e como começou?

Matheus: Comecei a jogar poker em 2016. Quem me apresentou o jogo foi um grande amigo e hoje um dos meus backers no Samba Resenha, o Vinícius Perri.

Aprendi as regras enquanto assistíamos uma mesa final da WSOP e, diferente do caminho mais comum, não fui jogar home game com amigos. Fui direto praticar no PokerStars, gratuitamente.

Desde o primeiro contato me apaixonei pela estratégia e pela profundidade do jogo. E isso só cresceu com o tempo.

Mundo Poker: Você é Head de Projetos. Como faz para conciliar o poker com sua profissão?

Matheus: Conciliar as duas coisas exige disciplina, consciência e muita organização. No meu trabalho, lidero projetos complexos, com grandes equipes, fornecedores, clientes e uma infinidade de detalhes sensíveis. Isso pede foco absoluto, clareza e tomada de decisão rápida.

O poker, por outro lado, virou meu espaço de estudo, performance e desenvolvimento pessoal. A forma que encontrei para equilibrar é ter rotina, prioridade bem definida e entender que cada uma das minhas responsabilidades precisa de presença completa quando estou ali.

Quando estou mergulhado em um projeto — seja um festival, uma estrutura de milhões ou um stand técnico — estou 100% no projeto. Quando estou estudando poker, grindando ou revisando mãos, estou 100% ali. Esse equilíbrio só funciona porque aprendi a respeitar meus limites, a importância do descanso e, principalmente, porque tenho uma família que me apoia 100%.

Mundo Poker: Você é jogador do Samba Resenha. Como foi entrar no time e quanta diferença fez no seu jogo?

Matheus: Entrar no Samba Resenha foi um divisor de águas para mim. Além de ser um time com metodologia única, estrutura e uma mentalidade muito forte, ele também representa pertencimento — estar rodeado de pessoas que pensam grande, estudam sério e vivem o jogo com propósito.

No Resenha, tudo mudou. Meu entendimento do jogo, a estrutura oferecida e os fundamentos evoluíram de um jeito que eu jamais teria conseguido sozinho, minha consistência finalmente começou a aparecer, e meu processo mental deu um salto enorme. Por isso, sou extremamente grato a Daiana que é a psicóloga do time.

Ali, aprendi que por trás de qualquer grande resultado existem pessoas, valores e uma cultura muito forte. Admiro profundamente quem está no Resenha, não apenas como jogadores, mas como seres humanos. A forma como eles pensam o jogo, cuidam do ambiente, compartilham conhecimento e vivem seus princípios elevou completamente o meu padrão. É um time que te faz crescer porque faz questão de crescer junto.

Mas talvez o mais importante seja a cultura do time, que te faz buscar sempre o teu teto, não só como jogador, mas como ser humano.

Mundo Poker: Você já teve alguns bons resultados online, com prêmios que passam de 10K. Como foram essas conquistas e qual a mais importante até agora?

Matheus: Essas conquistas representam mais do que números. Cada resultado importante foi a soma de estudo, resiliência, disciplina e, principalmente, maturidade emocional

Já tive alguns prêmios acima de US$ 10K, e cada um marcou um momento diferente da minha evolução. Mas o mais importante, foi o primeiro acima de US$ 10k, que estava em um momento de paternidade inicial e que me ajudou muito. Esse marco mudou muita coisa. É como se eu desbloqueasse algo novo. E assim será quando eu buscar os seis dígitos.

Mundo Poker: O que você planeja para o seu futuro no poker?

Matheus: Meu plano é claro: crescimento consistente e sustentável. Buscando a melhor decisão a cada mão. Não estou nem 10% de onde quero e posso chegar. Quero subir de nível, consolidar meu jogo, performar com regularidade. E, acima de tudo, me tornar a melhor versão de jogador que posso ser.

Confira o Poker de Boteco #120 com Eduardo Carvalho:

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Tô na área #74: Hit de US$ 100K em 2025 e vivendo o sonho: conheça a história de Pedro Igor, o “rolicin”

O carioca vive um grande momento na carreira

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Pedro Igor

Chegou para os leitores do Mundo Poker a 74ª edição do quadro Tô na Área! Com ele, vem a história de Pedro Igor, jogador que conheceu o esporte mental através do seu irmão, passou a jogar na escola e, com a chegada no Full Poker Team, decidiu abandonar o emprego e se dedicar profissionalmente ao jogo. Entre 2024 e 2025, Pedro conquistou seu big hit em torneios live no Uruguai e também no online na GGPoker, quando ganhou mais de US$ 100K no GGMasters.

Pedro Igor, conhecido pelo apelido e nick de “rolicin”, se define como um cara tímido e objetivo, além de ter um coração enorme. Começou a jogar poker por volta dos seus 17 ou 18 anos, quando seu irmão chamou alguns amigos em sua casa. E se apaixonou. A partir dali, começou a jogar frequentemente, inclusive nos intervalos da escola e, posteriormente, no clube da cidade.

Quando viu, já estava totalmente entregue ao esporte mental. Passou a conhecer e a conviver com players que levavam a vida no poker profissionalmente e começou a entrar em times como o extinto Forra, Midas e em 2018 no Start, que é a base do Full Poker Team. Até chegar ao time principal da equipe, ele conciliava o jogo com um trabalho em um buffet, onde tinha que fazer algumas festas. Quando subiu para o time principal, largou o emprego e se dedicou somente ao poker.

LEIA MAIS: Tô na Área #73: Se dividindo entre engenharia e poker, Rafael Yoshida tem grandes sonhos com o esporte mental

Suas maiores conquistas começaram a aparecer desde o último ano, em 2024. O “rolicin”, ainda, teve o privilégio de dividir uma mesa final do JPT com seu irmão Rodrigo Gil, o “Roliço”, justamente quem o apresentou ao poker e a quem ele dá muitos créditos pela carreira que tem hoje em dia. O grinder tem grandes sonhos ainda a conquistar no jogo e espera ajudar outros players, assim como ele foi ajudado no início.

Essas e outras histórias mais detalhadas, você pode conferir abaixo. Pedro Igor bateu um papo muito interessante com o Mundo Poker, onde ele contou toda sua trajetória, suas inspirações e seu início no poker profissional. Ainda falou, mais detalhadamente, sobre dividir a mesa final com alguém tão importante, que o iniciou ao jogo. Além disso, falou sobre seus maiores desejos e como o esporte mental é tão importante em sua vida.

Pedro Igor fez mesa final do JPT ao lado do seu irmão, que foi o responsável por apresentar o poker

Confira a seguir a conversa completa com Pedro Igor:

MP: Quem é Pedro Igor?

Tímido, sincero, objetivo, direto, lógico, analítico, crítico, honesto e com coração enorme.

MP: Há quanto tempo você joga poker e como começou a sua carreira?

Eu jogo desde os meus 17 pra 18 anos, aproximadamente. Basicamente comecei em um final de semana que meus pais foram viajar, e meu irmão convidou uns amigos pra jogar lá em casa. Dali pra frente comecei a jogar frequentemente, jogava no intervalo da escola com os amigos, depois comecei a ir no clube da cidade.

No clube comecei a ter contato com players melhores, onde conheci o “LeoQ7”, que me deu meu primeiro coach e depois me levou pro extinto time da Forra. Do time da Forra, tive uma passagem rápida pelo Midas, aproximadamente uns seis meses. Em fevereiro de 2018, acabo entrando no Start, time de base do Full Poker Team.

Fiquei lá por volta de um ano e subo pro time principal, que foi onde veio realmente a minha profissionalização. Até a chegada no time principal eu conciliava meu horário com um escritório de buffet e tinha que trabalhar em alguma festa do final de semana. Aí, ao longo do tempo, fiz essa transição de abandonar o trabalho da semana e continuei com alguns de final de semana. Quando cheguei no time principal acabei abandonando porque tinha ido bem no Start e o Full me deu toda uma estrutura e suporte para conseguir viver só do poker.

MP: Seu irmão também vive o mundo do poker no lado dos bastidores. Qual a influência dele nessa trajetória?

Acho que toda, né? Logo no início disso tudo, meu irmão cravou uma Copa Carioca, que na época era algo inédito aqui pra gente, pra nossa cidade. Então não tem como dizer que ele não foi minha referência, mas ao longo do tempo ele acabou se tornando diretor de torneio (graças a Deus, diga-se de passagem).

Com essa decisão, ele acabou conhecendo muita gente, trabalhando em grandes eventos e casas de poker do Rio, e obvio que isso acabou me gerando algumas oportunidades também. Com certeza ele teve e tem grande influência na minha carreira.

MP: Seus maiores resultados começaram a aparecer desde o último ano. Mas fora os hits, como estava a construção e o estágio da sua carreira?

Essa resposta é bem complexa, mas vou tentar ser o mais direto possível. Um tempo atrás o Yuri recomendou um livro chamado “Outliers – Os fora de série” e nesse livro o escritor traz a seguinte tese:

“A maioria das pessoas alcançam o ápice das suas carreiras ao chegarem em 10 mil horas de trabalho, ou equivalente a 10 anos de dedicação naquele tema.”

Quando você vai ver a grande maioria dos “FORA DE SÉRIE” são pessoas que já se dedicam bastante até chegarem ao topo. O poker é como um jardim, você começa plantando a semente, não aparece imediatamente o fruto, você tem que voltar ali, regar, preparar aquele terreno para, aí sim, o fruto surgir.

Esse sempre foi o lema da minha carreira e vai continuar sendo.

MP: Em pouco mais de um ano, veio big hit no live no Uruguai e big hit do online no GGMasters. O que aconteceu pra tudo dar certo nesse tempo?

O Full passou por algumas reformulações e trouxe alguns dos melhores players do país pra serem head-coaches do time, então não tem como eu não citar esses fatos. Com toda certeza essa evolução e resultados que eu tive, estão diretamente ligados a isso.

Passei a ter contanto direto com players que são referências: Aziz, Dfranco, Felipe Morelli, Gabriel, Lekaton. Sem contar toda a estrutura e suporte que o Full já possuía. Junto com essa evolução técnica, veio algumas decisões em relação a minha carreira como a rotina, hábitos e ações que um player deve tomar.

MP: E sobre o GGMasters, o maior de todos os seus prêmios, com mais de US$ 100K. Qual foi a sensação?

Sendo bem honesto, demorou bastante pra ficha cair. Eu vinha passando por uma down que já durava aproximadamente uns três a quatro anos. Durante a FT tentei me manter focado em tomar as melhores decisões, baseado na estratégia que tinha traçado antes.

Até chegar no HU eu não tive muita decisão difícil. A FT transcorreu de uma forma que eu imaginei, então isso acabou me dando confiança pra ir executando. Quando chegou no HU, que passou a ser minha maior premiação, não existiria mais make. Aí foi uma sensação de dever cumprido, uma sensação que todo o trabalho foi recompensado. Foi passando um filme na minha cabeça, foi algo surreal internamente. Pra mim acabou sendo bem bom o deal, pois fiquei bem emocionado.

MP: Teve muita comemoração no RJ depois do feito?

Até que foi devagar. Estava no meio da série, também estava me mudando, mas deu pra se divertir.

MP: No JPT, você ganhou um título com o seu irmão fazendo 4-handed. Como foi dividir uma FT com ele?

Um sonho. Meu irmão não me ganha uma mão acho que tem uns oito anos. Então já sabia que teria umas fichas garantidas (risos). Brincadeiras à parte, a gente acabou fazendo deal no 4-handed e eu que eliminei ele ainda. Mas foi muito especial pra gente. Espero que aconteça mais vezes.

MP: O que você planeja pro futuro da sua carreira?

Conseguir manter uma consistência na minha carreira, alcançar novas conquistas e poder colaborar com outros players também.

Confira o episódio #74 do MundoTV Cast com Matheus Rocha:

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Tô na Área #73: Se dividindo entre engenharia e poker, Rafael Yoshida tem grandes sonhos com o esporte mental

O jogador já mira viver exclusivamente do jogo

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Rafael Yoshida

Mais uma edição do quadro “Tô na Área” chegou, trazendo para os leitores do Mundo Poker a história de um personagem que, neste ano, teve seu maior resultado nas mesas online. Mais precisamente, no US$ 55 Mega Main Bounty Hunters da GG World Festival , torneio que o cuiabano/blumenauense Rafael Yoshida faturou quase US$ 40.000 após passar por um field de 11.000 inscritos.

Rafael Yoshida tem 29 anos, é natural de Cuiabá-MT, mas mora há 11 anos em Blumenau-SC. Atualmente, o player ainda divide a profissão que ele escolheu, que é a de Engenheiro de Formação, com os torneios de poker, que leva como um hobby.

Em 2024, Yoshida bateu na trave do mesmo torneio que trouxe a ele sua maior premiação até então, ficou em terceiro e, segundo o próprio, o deixou com um gostinho amargo na boca. Ele quis buscar a redenção em 2025 e ela veio em grande estilo. Isso trouxe a ele um sentimento de satisfação após tantos anos de estudo e dedicação.

LEIA MAIS: Tô Na Área #72: Edson Cichacz compartilha sua trajetória de dedicação, foco e evolução nos MTTs hypers

Rafael conheceu o poker há 12 anos, começando a jogar com os amigos e em home games, para se divertir. Mas, como acontece com muitos, ele se apaixonou e logo foi migrando para os jogos online. Ainda se dividindo entre as duas paixões, profissão e jogo, Yoshida admite estar em fase de transição e pensa, sim, em viver apenas do esporte mental.

A história completa do engenheiro/jogador de poker você pode conferir abaixo. Rafael Yoshida bateu um papo com o Mundo Poker e contou tudo sobre sua vida e trajetória, além de falar sobre como se divide em sua profissão de engenheiro com os torneios. Ele contou também sobre a emoção de ter passado por um field gigantesco e cravar o maior torneio que disputou até agora. O sonho dele? Ele também compartilhou com nosso site.

Confira a seguir a conversa completa com Rafael Yoshida:

MP: Quem é Rafael Yoshida?

Sou Rafael Yoshida, tenho 29 anos, engenheiro de formação e apaixonado por poker. Divido minha rotina entre minha carreira na área de tecnologia e minha dedicação ao poker, que hoje ocupa um espaço importante e especial na minha vida.

MP: O que você fazia antes do poker?

Atualmente trabalho como engenheiro de cloud, sempre buscando soluções eficientes e inteligentes — uma mentalidade que, aliás, se conecta bastante com o poker. Eu acredito que a lógica, a análise e a tomada de decisões sob pressão são habilidades que se aplicam nos dois mundos.

MP: Quando você conheceu o poker e quando começou a jogar?

Comecei a jogar há cerca de 12 anos, como muitos, em mesas com amigos. Eram jogos em casa, mais por diversão, até que naturalmente fui migrando para o online e me aprofundando no estudo do jogo. Hoje, o poker é uma parte bastante significativa da minha vida.

MP: Quando e por que você decidiu virar profissional?

Na verdade, ainda não me considero um profissional. Hoje o poker é um hobby levado com muita seriedade — estudo bastante, participo de torneios grandes e busco sempre evoluir. No entanto, depois de alguns resultados importantes, especialmente o mais recente, confesso que a ideia de uma transição para o profissionalismo começa a parecer mais real e possível.

MP: Como foi sua trajetória até hoje?

Logo na minha primeira semana jogando poker online, durante um festival MicroMillions no PokerStars, acabei ficando em segundo lugar em um torneio de US$ 11, faturando cerca de US$ 6.000 — o que, pra mim na época, era uma quantia realmente absurda. Foi um começo conturbado, e sinceramente, não recomendo pra ninguém (risos). Cria uma falsa sensação de que você sabe o que está fazendo. Desde então, fui amadurecendo no jogo e tive alguns resultados dos quais me orgulho, como uma cravada no WCOOP Edition US$ 55 e, mais recentemente, a vitória no Mega Main US$ 55 da World Festival.

MP: Qual você considera seu maior momento no poker?

Com certeza a vitória no US$ 55 Mega Main Bounty Hunters da World Festival Series. Foram mais de 11.000 entradas em que sair campeão com um prêmio de US$ 40.000 foi um marco na minha trajetória. Esse resultado teve um gosto ainda mais especial porque no ano passado eu já havia feito mesa final nesse mesmo torneio também de série, caindo em 3º lugar. Ficou aquele gostinho amargo na boca… e agora veio a redenção.

MP: Vários amigos vieram falar sobre sua cravada no US$ 55 Bounty Hunters, torneio que lhe trouxe US$ 40.000. Esse carinho é um reconhecimento do seu esforço?

Sem dúvida! Foi muito legal ver tanta gente me mandando mensagens, torcendo, celebrando comigo. Esse carinho é um reconhecimento que vai além do resultado em si — mostra que as pessoas acompanham minha trajetória e torcem pelo meu sucesso. Também me sinto muito sortudo por algo assim ter acontecido comigo. Bater 11.000 entradas é quase surreal — tem uma dose de estudo, esforço e, claro, de muita sorte também. Sou muito grato por tudo isso.

MP: Em que ponto você acredita que está sua carreira hoje?

Acredito que estou num ponto de reflexão e transição. Ainda mantenho minha carreira como engenheiro, mas o poker vem ganhando um espaço cada vez maior. Essa última conquista me trouxe confiança e abriu possibilidades. Tenho avaliado com carinho os próximos passos — quem sabe o poker não se torne mais do que um hobby num futuro próximo?

MP: Qual o maior sonho da sua vida no poker?

Disputar e vencer um grande torneio ao vivo, como uma WSOP ou até mesmo um Triton — se é pra sonhar, por que não sonhar grande? (risos). Mas mais do que títulos, meu sonho é poder jogar esse jogo que tanto amo por muito tempo. Ter a oportunidade de viajar pelo mundo e simplesmente jogar seria, pra mim, o cenário ideal.

Confira o episódio #106 do Poker de Boteco com Andressa Lincoln:

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