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Tô na Área #66: Danilo Leite fala sobre cash games, Meta Game e mudança para Pipa-RN em busca da qualidade de vida

O jogador é um dos regulares brasileiros de cash game

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Recheado de entrevistas interessantes, o quadro Tô na Área do Mundo Poker já trouxe grandes histórias de jogadores profissionais brasileiros que enfrentam diariamente a rotina insana de grind nas mesas online e ao vivo, principalmente torneios. Porém, o 66º convidado é diferenciado e traz como especialidade os cash games. Seu nome é Danilo Leite.

Profissional do time Meta Game, que tem como grande referência os craques Mateus Carrión e Max Lacerda, sócios do projeto, Danilo Leite desenvolve a carreira diariamente focado nas mesas “valendo dinheiro”, principalmente no partypoker, sua sala de grind na atualidade.

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Danilo que é natural de Ourinhos, cidade do interior de São Paulo, largou a rotina do sudeste e foi viver em Tibau do Sul e Pipa, paraísos localizados no Rio Grande do Norte. E foi por lá que ele conseguiu duas mesas finais no Main Events Nordeste Poker Series, o NPS, por dois anos consecutivos, aproveitando a passagem para jogar torneios e por em prática o instinto de competidor.

E foi exatamente lá que ele topou a entrevista para o quadro Tô na Área e resolveu contar a sua história com o poker, trazendo aos leitores também um pouco de como é a rotina de um jogador de cash game, importância do Meta Game na sua carreira e como foi o início neste jogo que todos nós amamos.

“Antes do Meta eu jogava muito com base no achismo, com o time recebi uma metodologia eficaz e aprendi uma estratégia sólida com base científica, possibilitando escalar os limites mais rápido. Fora isso, a rede de contatos com pessoas no mesmo processo de evolução, com as mesmas rotinas e objetivos é vital para a evolução de qualquer jogador”.

Confira a entrevista completa com Danilo Leite para o quadro “Tô na Área”:

MP: Quem é o Danilo? Como começou no poker?

Danilo: “Fala Matheus, primeiramente agradeço o convite do mundo poker, muito legal trocar essa ideia! Bom, o Danilo é um cara simples e que ama o poker e os aprendizados que todo universo desse jogo proporciona.

Comecei no poker como a maioria, jogando entre amigos lá em 2006/2007. Com o tempo fui percebendo que o jogo não era apenas sorte, então comecei a procurar informações sobre. Coincidentemente um desses amigos que jogava comigo ganhou o famoso ‘Aprendendo a Jogar Poker’ do Leo Bello. Aí depois de ler sobre outs e pote odds já era… apaixonei pelo joguinho e nunca mais parei, risos”.

 MP: Você chegou a jogar MTTs antes de cash game?

Danilo: “Muito pouco! Assim que comecei a estudar o jogo encontrei o fórum do +EV e já direcionei meus estudos para o Cash Game. Sempre gostei do Cash pela estrutura de 100 blinds deep proporcionar mais situações de turn e river, diferente da dinâmica de torneios em que grande parte das mãos são resolvidas pré flop ou no Flop. Por fim, acho que na época também fui bastante influenciado pelas transmissões do Poker After Dark com Doyle Brunson, Tom Dwan, Ivey e companhia”.

MP: Como foi fazer mesa final dois anos consecutivos no Main Event do NPS Natal?

Danilo: “Cara isso é uma doideira, era algo que como jogador de cash game eu não esperava. São momentos especiais que de certa forma marcam a carreira de um jogador. Ano passado fiquei em 4º lugar e esse ano em 5º mas, independente de resultado, eu gosto de olhar para o desempenho, sinto que joguei bem e mantive um bom mental mesmo não sendo acostumado com torneios, ainda mais live. Não da pra deixar de dizer que o NPS é um evento muito gostoso, fiz muitos amigos, a galera toda se conhece e o clima é muito agradável, recomendo e pretendo participar mais vezes”.

 MP: Como é a rotina de um jogador de cash? Se puder contar um pouco.

Danilo: “Hoje em dia a minha rotina, tanto de vida como de poker, que acaba sendo uma simbiose hahah, é simples mas bem estruturada. Eu gosto de começar o dia com os afazeres da casa, depois passo para as funções do time (ler discord, preencher planilhas) e responder família, amigos e alunos no whats/insta. Inclusive deixo o momento jabá aqui, quem tiver interesse em Mentoria de Cash Game me chama lá no insta @dleite123!

Feito essas tarefas passo para os meus estudos; revisar mãos marcadas, drillar algum spot, assistir aulas e depois partiu grind. Fora isso tento manter minhas atividades físicas/meditações em dia e ter um tempo de qualidade totalmente off poker (um salve para Michelle Scipião heheh)”.

 MP: Sair de SP e viver nesse paraíso Pipa/RN foi um casamento perfeito com essa rotina?

Danilo: “Com certeza! Antes de vir para Pipa, eu trabalhava na equipe de assessoria de um juiz de direito e estudava e jogava poker no tempo livre. Estava começando a me sentir mal, aquela sensação de peixe fora d’água, sabia que estava fazendo os dois aquém do que poderia.

Vindo para Pipa logo percebi que havia feito a escolha certa. Por aqui tudo é muito perto então não perco tempo com transporte ou qualquer outro tipo de situação de uma cidade grande. Além disso, a qualidade de vida e o ritmo daqui combinam muito com a minha rotina e o meu jeito de ser, tanto que há um ano estou morando em Tibau do Sul (7km de Pipa) por ser ainda mais pacata e tranquila”.

MP: Agora sobre o Meta Game com Zinhão e cia, qual a importância na sua carreira?

Danilo: “O MetaGame é extremamente importante na minha carreira. Com o time aprendi conceitos básicos como GTO, MDA, criação de heurísticas, enfim… os pilares para entender o poker moderno.

Antes do Meta eu jogava muito com base no achismo, com o time recebi uma metodologia eficaz e aprendi uma estratégia sólida com base científica, possibilitando escalar os limites mais rápido. Fora isso, a rede de contatos com pessoas no mesmo processo de evolução, com as mesmas rotinas e objetivos é vital para a evolução de qualquer jogador”.

MP: Pretende atingir os limites mais altos?

Danilo: “Hoje em dia eu entendo que atingir limites maiores é consequência, resultado de dedicação e trabalho. Então o meu foco é sempre em evoluir como jogador e, principalmente, como ser humano e dessa forma subir os limites. No universo do poker são várias as áreas de evolução: parte técnica, mental, habilidade com programas e solvers, gestão de banca, didática, network e por aí vai.

Já como ser humano é necessário estar desperto para o autocuidado, tanto mental como físico, as armadilhas do ego, ser uma pessoa do bem, que agrega no seu ambiente de trabalho, entre outras coisas”.

MP: Veremos o Danilo em algum live grande pelo Brasil? Nem que for pra brincar?

Danilo: “Ahh espero que sim, já joguei alguns BSOPS Millions e a etapa de Natal desse ano. Gosto de me expor às situações que não estudo e consequentemente não vejo com tanta frequência, é estimulante e divertido.

Além disso, no começo da minha carreira eu achava que era Cash ou MTT e hoje, um pouco mais maduro, percebo que o poker é uma ciência extremamente complexa e bela em todas as suas modalidades – inclusive também tenho vontade de começar a me aventurar nos Mixed Games!

 MP: Por fim, quer deixar um agradecimento ou recado para as pessoas importantes na sua vida?

Danilo: “Primeiramente eu tenho muito a agradecer minha família. O tema poker ainda é um pouco delicado dentro de casa, mas hoje eles entendem melhor e respeitam. Inclusive nessa última mesa final do Main Event do NPS minha mãe acompanhou ao vivo e foi um momento muito gostoso ter essa experiência com ela, conversar sobre e ter a torcida e o carinho dela… a veia é foda!

Dentro do poker não posso deixar de citar dois nomes de extrema importância:

Yago Martins – Um grande amigo que o poker me deu, estudamos juntos há anos e espero manter essa boa relação.

Frederico Nizzato – Foi meu instrutor no Metagame por muito tempo, basicamente o responsável por me ensinar a enxergar e pensar o poker de modo profissional.

Por fim meu muito obrigado a todos que torcem verdadeiramente por mim, que sempre mandam mensagens de suporte e apoio, morando tão longe de casa esse tipo de carinho é muito importante, valeu galera!”.

Confira o episódio #79 do Poker de Boteco com Alisson Piekazewicz:

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Tô na área #75: Matheus Mion detalha como saiu do freeroll e chegou ao primeiro prêmio acima de US$10K

Matheus teve conquistas recentes no poker e quer crescer cada vez mais

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Chegou para os leitores do Mundo Poker a 75ª edição do quadro Tô na Área! Desta vez, quem contou sua história foi o Head de Projetos Matheus Mion, que falou um pouco sobre conheceu o poker, em 2016 e, diferente do que a maioria faz, não iniciou nos home games com amigos, mas sim no PokerStars, ainda de forma gratuita. Também nos explicou como concilia seu trabalho com o jogo e a sensação da primeira premiação acima de US$ 10K.

Casado com Agnes e pais do Lucas e Enrico, Matheus Mion define os três como os amores de sua vida. Aos 31 anos, o player ainda divide o jogo com sua profissão, porém tem planos para o futuro. Quem lhe apresentou o poker foi Vinicius Perri, um de seus backers no Samba Resenha. Ter entrado para o time, segundo Mion, foi fundamental para o seu crescimento e suas recentes conquistas.

LEIA MAIS: Tô na área #74: Hit de US$ 100K em 2025 e vivendo o sonho: conheça a história de Pedro Igor, o “rolicin”

Matheus elencou alguns pontos que o fizeram evoluir como o entendimento do jogo, além da estrutura oferecida, fazendo um agradecimento especial, a psicóloga do time, a Daiana. Todos os bons valores conquistados são marcantes, porém o primeiro acima de US$ 10K é inesquecível para Mion. Foi no US$ 66 Venom Special PKO – 150.000$ GTV (WPN), no ACR Poker, do Americas CardRoom.

Essas e outras histórias foram contadas detalhadamente por Mion em um bate-papo muito legal, onde Matheus contou sobre suas vivências no poker e também em sua profissão. Além, claro, de externar seus próximos passos. Você pode conferir na entrevista abaixo.

Mundo Poker: Quem é Matheus Mion?

Matheus Mion: Tenho 31 anos, sou marido da Agnes, estamos juntos há mais de 12 anos, sou pai do Lucca e do Enrico — os três amores da minha vida.

Sou o filho mais novo da Dona Lucy e tenho duas irmãs que admiro profundamente e que tiveram um papel enorme na minha formação como homem, profissional e pai, que são a Malu e a Talita.

Venho de uma base familiar simples, mas muito sólida, e isso moldou meu senso de responsabilidade, coletividade e propósito com Deus.

Mundo Poker: Há quanto tempo você joga poker e como começou?

Matheus: Comecei a jogar poker em 2016. Quem me apresentou o jogo foi um grande amigo e hoje um dos meus backers no Samba Resenha, o Vinícius Perri.

Aprendi as regras enquanto assistíamos uma mesa final da WSOP e, diferente do caminho mais comum, não fui jogar home game com amigos. Fui direto praticar no PokerStars, gratuitamente.

Desde o primeiro contato me apaixonei pela estratégia e pela profundidade do jogo. E isso só cresceu com o tempo.

Mundo Poker: Você é Head de Projetos. Como faz para conciliar o poker com sua profissão?

Matheus: Conciliar as duas coisas exige disciplina, consciência e muita organização. No meu trabalho, lidero projetos complexos, com grandes equipes, fornecedores, clientes e uma infinidade de detalhes sensíveis. Isso pede foco absoluto, clareza e tomada de decisão rápida.

O poker, por outro lado, virou meu espaço de estudo, performance e desenvolvimento pessoal. A forma que encontrei para equilibrar é ter rotina, prioridade bem definida e entender que cada uma das minhas responsabilidades precisa de presença completa quando estou ali.

Quando estou mergulhado em um projeto — seja um festival, uma estrutura de milhões ou um stand técnico — estou 100% no projeto. Quando estou estudando poker, grindando ou revisando mãos, estou 100% ali. Esse equilíbrio só funciona porque aprendi a respeitar meus limites, a importância do descanso e, principalmente, porque tenho uma família que me apoia 100%.

Mundo Poker: Você é jogador do Samba Resenha. Como foi entrar no time e quanta diferença fez no seu jogo?

Matheus: Entrar no Samba Resenha foi um divisor de águas para mim. Além de ser um time com metodologia única, estrutura e uma mentalidade muito forte, ele também representa pertencimento — estar rodeado de pessoas que pensam grande, estudam sério e vivem o jogo com propósito.

No Resenha, tudo mudou. Meu entendimento do jogo, a estrutura oferecida e os fundamentos evoluíram de um jeito que eu jamais teria conseguido sozinho, minha consistência finalmente começou a aparecer, e meu processo mental deu um salto enorme. Por isso, sou extremamente grato a Daiana que é a psicóloga do time.

Ali, aprendi que por trás de qualquer grande resultado existem pessoas, valores e uma cultura muito forte. Admiro profundamente quem está no Resenha, não apenas como jogadores, mas como seres humanos. A forma como eles pensam o jogo, cuidam do ambiente, compartilham conhecimento e vivem seus princípios elevou completamente o meu padrão. É um time que te faz crescer porque faz questão de crescer junto.

Mas talvez o mais importante seja a cultura do time, que te faz buscar sempre o teu teto, não só como jogador, mas como ser humano.

Mundo Poker: Você já teve alguns bons resultados online, com prêmios que passam de 10K. Como foram essas conquistas e qual a mais importante até agora?

Matheus: Essas conquistas representam mais do que números. Cada resultado importante foi a soma de estudo, resiliência, disciplina e, principalmente, maturidade emocional

Já tive alguns prêmios acima de US$ 10K, e cada um marcou um momento diferente da minha evolução. Mas o mais importante, foi o primeiro acima de US$ 10k, que estava em um momento de paternidade inicial e que me ajudou muito. Esse marco mudou muita coisa. É como se eu desbloqueasse algo novo. E assim será quando eu buscar os seis dígitos.

Mundo Poker: O que você planeja para o seu futuro no poker?

Matheus: Meu plano é claro: crescimento consistente e sustentável. Buscando a melhor decisão a cada mão. Não estou nem 10% de onde quero e posso chegar. Quero subir de nível, consolidar meu jogo, performar com regularidade. E, acima de tudo, me tornar a melhor versão de jogador que posso ser.

Confira o Poker de Boteco #120 com Eduardo Carvalho:

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Tô na área #74: Hit de US$ 100K em 2025 e vivendo o sonho: conheça a história de Pedro Igor, o “rolicin”

O carioca vive um grande momento na carreira

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Pedro Igor

Chegou para os leitores do Mundo Poker a 74ª edição do quadro Tô na Área! Com ele, vem a história de Pedro Igor, jogador que conheceu o esporte mental através do seu irmão, passou a jogar na escola e, com a chegada no Full Poker Team, decidiu abandonar o emprego e se dedicar profissionalmente ao jogo. Entre 2024 e 2025, Pedro conquistou seu big hit em torneios live no Uruguai e também no online na GGPoker, quando ganhou mais de US$ 100K no GGMasters.

Pedro Igor, conhecido pelo apelido e nick de “rolicin”, se define como um cara tímido e objetivo, além de ter um coração enorme. Começou a jogar poker por volta dos seus 17 ou 18 anos, quando seu irmão chamou alguns amigos em sua casa. E se apaixonou. A partir dali, começou a jogar frequentemente, inclusive nos intervalos da escola e, posteriormente, no clube da cidade.

Quando viu, já estava totalmente entregue ao esporte mental. Passou a conhecer e a conviver com players que levavam a vida no poker profissionalmente e começou a entrar em times como o extinto Forra, Midas e em 2018 no Start, que é a base do Full Poker Team. Até chegar ao time principal da equipe, ele conciliava o jogo com um trabalho em um buffet, onde tinha que fazer algumas festas. Quando subiu para o time principal, largou o emprego e se dedicou somente ao poker.

LEIA MAIS: Tô na Área #73: Se dividindo entre engenharia e poker, Rafael Yoshida tem grandes sonhos com o esporte mental

Suas maiores conquistas começaram a aparecer desde o último ano, em 2024. O “rolicin”, ainda, teve o privilégio de dividir uma mesa final do JPT com seu irmão Rodrigo Gil, o “Roliço”, justamente quem o apresentou ao poker e a quem ele dá muitos créditos pela carreira que tem hoje em dia. O grinder tem grandes sonhos ainda a conquistar no jogo e espera ajudar outros players, assim como ele foi ajudado no início.

Essas e outras histórias mais detalhadas, você pode conferir abaixo. Pedro Igor bateu um papo muito interessante com o Mundo Poker, onde ele contou toda sua trajetória, suas inspirações e seu início no poker profissional. Ainda falou, mais detalhadamente, sobre dividir a mesa final com alguém tão importante, que o iniciou ao jogo. Além disso, falou sobre seus maiores desejos e como o esporte mental é tão importante em sua vida.

Pedro Igor fez mesa final do JPT ao lado do seu irmão, que foi o responsável por apresentar o poker

Confira a seguir a conversa completa com Pedro Igor:

MP: Quem é Pedro Igor?

Tímido, sincero, objetivo, direto, lógico, analítico, crítico, honesto e com coração enorme.

MP: Há quanto tempo você joga poker e como começou a sua carreira?

Eu jogo desde os meus 17 pra 18 anos, aproximadamente. Basicamente comecei em um final de semana que meus pais foram viajar, e meu irmão convidou uns amigos pra jogar lá em casa. Dali pra frente comecei a jogar frequentemente, jogava no intervalo da escola com os amigos, depois comecei a ir no clube da cidade.

No clube comecei a ter contato com players melhores, onde conheci o “LeoQ7”, que me deu meu primeiro coach e depois me levou pro extinto time da Forra. Do time da Forra, tive uma passagem rápida pelo Midas, aproximadamente uns seis meses. Em fevereiro de 2018, acabo entrando no Start, time de base do Full Poker Team.

Fiquei lá por volta de um ano e subo pro time principal, que foi onde veio realmente a minha profissionalização. Até a chegada no time principal eu conciliava meu horário com um escritório de buffet e tinha que trabalhar em alguma festa do final de semana. Aí, ao longo do tempo, fiz essa transição de abandonar o trabalho da semana e continuei com alguns de final de semana. Quando cheguei no time principal acabei abandonando porque tinha ido bem no Start e o Full me deu toda uma estrutura e suporte para conseguir viver só do poker.

MP: Seu irmão também vive o mundo do poker no lado dos bastidores. Qual a influência dele nessa trajetória?

Acho que toda, né? Logo no início disso tudo, meu irmão cravou uma Copa Carioca, que na época era algo inédito aqui pra gente, pra nossa cidade. Então não tem como dizer que ele não foi minha referência, mas ao longo do tempo ele acabou se tornando diretor de torneio (graças a Deus, diga-se de passagem).

Com essa decisão, ele acabou conhecendo muita gente, trabalhando em grandes eventos e casas de poker do Rio, e obvio que isso acabou me gerando algumas oportunidades também. Com certeza ele teve e tem grande influência na minha carreira.

MP: Seus maiores resultados começaram a aparecer desde o último ano. Mas fora os hits, como estava a construção e o estágio da sua carreira?

Essa resposta é bem complexa, mas vou tentar ser o mais direto possível. Um tempo atrás o Yuri recomendou um livro chamado “Outliers – Os fora de série” e nesse livro o escritor traz a seguinte tese:

“A maioria das pessoas alcançam o ápice das suas carreiras ao chegarem em 10 mil horas de trabalho, ou equivalente a 10 anos de dedicação naquele tema.”

Quando você vai ver a grande maioria dos “FORA DE SÉRIE” são pessoas que já se dedicam bastante até chegarem ao topo. O poker é como um jardim, você começa plantando a semente, não aparece imediatamente o fruto, você tem que voltar ali, regar, preparar aquele terreno para, aí sim, o fruto surgir.

Esse sempre foi o lema da minha carreira e vai continuar sendo.

MP: Em pouco mais de um ano, veio big hit no live no Uruguai e big hit do online no GGMasters. O que aconteceu pra tudo dar certo nesse tempo?

O Full passou por algumas reformulações e trouxe alguns dos melhores players do país pra serem head-coaches do time, então não tem como eu não citar esses fatos. Com toda certeza essa evolução e resultados que eu tive, estão diretamente ligados a isso.

Passei a ter contanto direto com players que são referências: Aziz, Dfranco, Felipe Morelli, Gabriel, Lekaton. Sem contar toda a estrutura e suporte que o Full já possuía. Junto com essa evolução técnica, veio algumas decisões em relação a minha carreira como a rotina, hábitos e ações que um player deve tomar.

MP: E sobre o GGMasters, o maior de todos os seus prêmios, com mais de US$ 100K. Qual foi a sensação?

Sendo bem honesto, demorou bastante pra ficha cair. Eu vinha passando por uma down que já durava aproximadamente uns três a quatro anos. Durante a FT tentei me manter focado em tomar as melhores decisões, baseado na estratégia que tinha traçado antes.

Até chegar no HU eu não tive muita decisão difícil. A FT transcorreu de uma forma que eu imaginei, então isso acabou me dando confiança pra ir executando. Quando chegou no HU, que passou a ser minha maior premiação, não existiria mais make. Aí foi uma sensação de dever cumprido, uma sensação que todo o trabalho foi recompensado. Foi passando um filme na minha cabeça, foi algo surreal internamente. Pra mim acabou sendo bem bom o deal, pois fiquei bem emocionado.

MP: Teve muita comemoração no RJ depois do feito?

Até que foi devagar. Estava no meio da série, também estava me mudando, mas deu pra se divertir.

MP: No JPT, você ganhou um título com o seu irmão fazendo 4-handed. Como foi dividir uma FT com ele?

Um sonho. Meu irmão não me ganha uma mão acho que tem uns oito anos. Então já sabia que teria umas fichas garantidas (risos). Brincadeiras à parte, a gente acabou fazendo deal no 4-handed e eu que eliminei ele ainda. Mas foi muito especial pra gente. Espero que aconteça mais vezes.

MP: O que você planeja pro futuro da sua carreira?

Conseguir manter uma consistência na minha carreira, alcançar novas conquistas e poder colaborar com outros players também.

Confira o episódio #74 do MundoTV Cast com Matheus Rocha:

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Tô na Área #73: Se dividindo entre engenharia e poker, Rafael Yoshida tem grandes sonhos com o esporte mental

O jogador já mira viver exclusivamente do jogo

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Rafael Yoshida

Mais uma edição do quadro “Tô na Área” chegou, trazendo para os leitores do Mundo Poker a história de um personagem que, neste ano, teve seu maior resultado nas mesas online. Mais precisamente, no US$ 55 Mega Main Bounty Hunters da GG World Festival , torneio que o cuiabano/blumenauense Rafael Yoshida faturou quase US$ 40.000 após passar por um field de 11.000 inscritos.

Rafael Yoshida tem 29 anos, é natural de Cuiabá-MT, mas mora há 11 anos em Blumenau-SC. Atualmente, o player ainda divide a profissão que ele escolheu, que é a de Engenheiro de Formação, com os torneios de poker, que leva como um hobby.

Em 2024, Yoshida bateu na trave do mesmo torneio que trouxe a ele sua maior premiação até então, ficou em terceiro e, segundo o próprio, o deixou com um gostinho amargo na boca. Ele quis buscar a redenção em 2025 e ela veio em grande estilo. Isso trouxe a ele um sentimento de satisfação após tantos anos de estudo e dedicação.

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Rafael conheceu o poker há 12 anos, começando a jogar com os amigos e em home games, para se divertir. Mas, como acontece com muitos, ele se apaixonou e logo foi migrando para os jogos online. Ainda se dividindo entre as duas paixões, profissão e jogo, Yoshida admite estar em fase de transição e pensa, sim, em viver apenas do esporte mental.

A história completa do engenheiro/jogador de poker você pode conferir abaixo. Rafael Yoshida bateu um papo com o Mundo Poker e contou tudo sobre sua vida e trajetória, além de falar sobre como se divide em sua profissão de engenheiro com os torneios. Ele contou também sobre a emoção de ter passado por um field gigantesco e cravar o maior torneio que disputou até agora. O sonho dele? Ele também compartilhou com nosso site.

Confira a seguir a conversa completa com Rafael Yoshida:

MP: Quem é Rafael Yoshida?

Sou Rafael Yoshida, tenho 29 anos, engenheiro de formação e apaixonado por poker. Divido minha rotina entre minha carreira na área de tecnologia e minha dedicação ao poker, que hoje ocupa um espaço importante e especial na minha vida.

MP: O que você fazia antes do poker?

Atualmente trabalho como engenheiro de cloud, sempre buscando soluções eficientes e inteligentes — uma mentalidade que, aliás, se conecta bastante com o poker. Eu acredito que a lógica, a análise e a tomada de decisões sob pressão são habilidades que se aplicam nos dois mundos.

MP: Quando você conheceu o poker e quando começou a jogar?

Comecei a jogar há cerca de 12 anos, como muitos, em mesas com amigos. Eram jogos em casa, mais por diversão, até que naturalmente fui migrando para o online e me aprofundando no estudo do jogo. Hoje, o poker é uma parte bastante significativa da minha vida.

MP: Quando e por que você decidiu virar profissional?

Na verdade, ainda não me considero um profissional. Hoje o poker é um hobby levado com muita seriedade — estudo bastante, participo de torneios grandes e busco sempre evoluir. No entanto, depois de alguns resultados importantes, especialmente o mais recente, confesso que a ideia de uma transição para o profissionalismo começa a parecer mais real e possível.

MP: Como foi sua trajetória até hoje?

Logo na minha primeira semana jogando poker online, durante um festival MicroMillions no PokerStars, acabei ficando em segundo lugar em um torneio de US$ 11, faturando cerca de US$ 6.000 — o que, pra mim na época, era uma quantia realmente absurda. Foi um começo conturbado, e sinceramente, não recomendo pra ninguém (risos). Cria uma falsa sensação de que você sabe o que está fazendo. Desde então, fui amadurecendo no jogo e tive alguns resultados dos quais me orgulho, como uma cravada no WCOOP Edition US$ 55 e, mais recentemente, a vitória no Mega Main US$ 55 da World Festival.

MP: Qual você considera seu maior momento no poker?

Com certeza a vitória no US$ 55 Mega Main Bounty Hunters da World Festival Series. Foram mais de 11.000 entradas em que sair campeão com um prêmio de US$ 40.000 foi um marco na minha trajetória. Esse resultado teve um gosto ainda mais especial porque no ano passado eu já havia feito mesa final nesse mesmo torneio também de série, caindo em 3º lugar. Ficou aquele gostinho amargo na boca… e agora veio a redenção.

MP: Vários amigos vieram falar sobre sua cravada no US$ 55 Bounty Hunters, torneio que lhe trouxe US$ 40.000. Esse carinho é um reconhecimento do seu esforço?

Sem dúvida! Foi muito legal ver tanta gente me mandando mensagens, torcendo, celebrando comigo. Esse carinho é um reconhecimento que vai além do resultado em si — mostra que as pessoas acompanham minha trajetória e torcem pelo meu sucesso. Também me sinto muito sortudo por algo assim ter acontecido comigo. Bater 11.000 entradas é quase surreal — tem uma dose de estudo, esforço e, claro, de muita sorte também. Sou muito grato por tudo isso.

MP: Em que ponto você acredita que está sua carreira hoje?

Acredito que estou num ponto de reflexão e transição. Ainda mantenho minha carreira como engenheiro, mas o poker vem ganhando um espaço cada vez maior. Essa última conquista me trouxe confiança e abriu possibilidades. Tenho avaliado com carinho os próximos passos — quem sabe o poker não se torne mais do que um hobby num futuro próximo?

MP: Qual o maior sonho da sua vida no poker?

Disputar e vencer um grande torneio ao vivo, como uma WSOP ou até mesmo um Triton — se é pra sonhar, por que não sonhar grande? (risos). Mas mais do que títulos, meu sonho é poder jogar esse jogo que tanto amo por muito tempo. Ter a oportunidade de viajar pelo mundo e simplesmente jogar seria, pra mim, o cenário ideal.

Confira o episódio #106 do Poker de Boteco com Andressa Lincoln:

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