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Tô na Área: Quatro vezes campeã brasileira de Taekwondo, Bárbara Akemi se reinventou com a chegada da pandemia e hoje faz bonito nas mesas

Jogadora ainda é formada em nutrição, mas paixão pelo poker falou mais alto

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A chegada de uma pandemia global é o suficiente para proporcionar as mais diversas alterações no rumo das coisas em toda a sociedade. Com todos sendo obrigados a adotar uma nova realidade, inúmeras pessoas tiveram que adaptar sua antiga rotina para conseguir passar por tempos tão difíceis como o atual. Mas, algumas vezes, esse choque de realidade pode nos colocar em caminhos que nem imaginávamos, tornando possível encontrar um lado positivo em toda situação. Esse foi o caso da paranaense Bárbara Akemi, convidada do Tô na Área dessa semana.

Natural de Londrina, Bárbara desde pequena teve uma vida ligada aos esportes. Com 7 anos, ainda criança, ela começou a praticar Taekwondo, uma arte marcial que exige bastante disciplina e dedicação. Com o decorrer do tempo, a paranaense passou a disputar algumas competições de alto nível e se atrelou ainda mais a esse mundo, ganhando uma característica competitiva em sua personalidade, que mantém até os dias de hoje.

Sua carreira no Taekwondo durou bastante tempo, já que começou tão cedo. Nesse período, Bárbara conseguiu muitos resultados expressivos, apresentando um talento natural aliado ao preparo. “Fui atleta de alto rendimento de Taekwondo por 15 anos, desde os 7 até os 22. Cheguei a lutar pela seleção brasileira e fui campeã brasileira por 4 vezes”, conta. As conquistas aconteceram em 2013 (duas vezes), 2015 e 2017, na categoria juvenil e sub-21 (última), até 49 quilos.

Na modalidade, a jogadora chegou a representar a seleção brasileira

Hoje com 24 anos, a ex-atleta de Taekwondo conheceu o poker na época em que se dedicava a arte marcial. Foi através de um ex-namorado, que havia acabado de ingressar em um time: “ele tinha entrado em um time e eu ficava ali vendo jogar. Fui jogar pela primeira vez em um freerol e na segunda que joguei eu cravei. Logo de cara me apaixonei pelo jogo e ficava procurando como melhorar. Nessa época eu tinha um amigo do Taekwondo que estava se profissionalizando no poker, e ele me ensinou um pouco também”, lembra.

O amigo citado é Guilherme Dias, o “guialves27” do PokerStars. Após o apoio do colega, ela criou sua conta e passou a jogar baratinho. Mas o Taekwondo já tinha deixado um outro legado para a paranaense. Como era um esporte que exigia muito da parte física e os atletas sempre precisavam se pesar, Bárbara se interessou pela Nutrição, ingressando e se formando na faculdade. A jovem passou a trabalhar de nutricionista em uma academia quando deixou o Taekwondo, mas o poker a ajudava a completar sua renda.

Na época em que atuava como nutricionista, ela também participava de torneios ao vivo nos clubes de Londrina. E, nessa parte, o esporte proporcionou mais uma boa surpresa: “conheci o Jônatas (ex-namorado) em um dia 2 de um live e na época ele jogava pra um time. Começamos a sair e a gente sempre estudava juntos, ele compartilhava comigo o conhecimento que tinha”, revela. E a união com o então namorado também influenciou a pensar em novos caminhos.

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“No fim de 2019 decidi que queria estudar mais a sério o poker, e decidi entrar pra CardRoom Poker Team. Grindava em média 3 vezes na semana e trabalhava também, porém o poker já estava se tornando mais importante”, afirma. Poucos meses depois, a COVID-19 apareceu para assustar o mundo e mudar os planos da maiorias das pessoas. Mas Bárbara usou a ocasião como incentivo: “quando entramos em isolamento ano passado, a academia que eu trabalhava fechou por três meses e fiquei sem receber. Eu precisava pagar o aluguel da sala que eu usava, então aproveitei pra estudar e volumar ao máximo”, conta a jogadora.

Os resultados começaram a aparecer e a paranaense conseguiu passar por essa fase tão crítica sem problemas financeiros. Isso foi o suficiente para acreditar que deveria se profissionalizar: “quando a academia reabriu, em julho de 2020, eu decidi ficar só jogando e parar de trabalhar como nutricionista. Desde então estou vivendo do poker. A CardRoom pra mim é um ótimo time, me dão todo o suporte de aulas, minha evolução é também mérito deles”, reconhece.

A mudança não foi bem aceitar pelos pais, que preferiam que a filha seguisse o caminho tradicional no qual já estava. Além da questão cultural do jogo em si, o fator de ser mulher pode ser um agravante, já que o mundo do poker é, inegavelmente, composto por maioria absoluta de homens: “talvez a questão de ser mulher em um ‘jogo de homens’ seja um fator a mais pro meu pai ainda não ter aceitado, mas eu não me arrependo nem me questiono de ter escolhido estar vivendo de poker”, garante.

A jogadora também dá a cara nos eventos ao vivo

Na CardRoom, Bárbara tem a companhia de outras sete jogadoras, que inclusive têm um grupo de estudos entre elas. Voltada para o poker online, ela não vê dificuldades nesse cenário: “agora no online não vejo como um problema, não recebo cantadas nas mesas online nem nada, e no meu time jogo de igual pra igual com todo mundo, tenho o mesmo tratamento dos outros jogadores e sou respeitada”, explica. No live, porém, algumas situações indesejadas já aconteceram.

“Nos torneios live era uma questão mais complicada, sempre tinha um ou outro que dava uma falinha maldosa, eu tinha que me preocupar com a roupa que eu ia jogar pra evitar olhares ou assédio”, diz. Além da infeliz atitude de alguns, ela acredita que algumas vezes acabava sendo subestimada em seu jogo: “tem também a questão que os homens acham que mulher não sabe jogar, então eles sempre me subestimavam. Acabavam tentando blefar toda hora, além de acharem que mulher nunca blefa. Nessa caso a gente precisa se adaptar pagando e blefando mais”, conta, até explicando algumas estratégias.

Além disso, ela consegue apontar algumas coisas que poderiam alterar essa situação “prejudicial” para as mulheres: “acredito que a falta de representatividade feminina no poker seja a grande questão. Não temos tantas jogadoras no field e também são poucas as regulares. Isso impede que novas mulheres que se interessam comecem a jogar. Além disso, alguns até questionam quando tem alguma em destaque, já ouvi comentários duvidando se mulheres famosas do meio do poker são realmente boas ou se ficaram conhecidas apenas por serem bonitas”, conclui.

Enquanto o cenário geral ainda precisa de evolução, a jogadora de Londrina tem em casa o apoio necessário com seu namorado, além do incentivo dos amigos e do irmão. Nos dias de grind, Bárbara ainda continua se exercitando, agora no Crossfit. Treinar de manhã, por exemplo, faz parte da sua rotina. Nas horas vagas, ela brinca com seu cachorro, Linc, é gosta de ver filmes e séries, já que a pandemia a impede de viajar.

Linc, o xodó da casa

E esperando um panorama mais igualitário no live num futuro próximo, a nutricionista também conta seus planos pessoais: “no poker me vejo subindo cada vez mais os limites que eu jogo, batendo o field até alcançar os high stakes. Tenho o sonho de ir pra Las Vegas jogar o WSOP. Fui pra lá na época do Taekwondo lutar um US Open, mas não sobrou dinheiro pra jogar. Quero ir dessa vez pra jogar e aproveitar a cidade e os cassinos”.

Consciente de tudo, a jogadora faz uma reflexão sobre si mesma: “ter crescido na vida de atleta me tornou uma pessoa extremamente competitiva e o poker traz a adrenalina bem parecida com a da luta, acredito que isso que me fez viciar nesse esporte. Eu sempre quero mais e odeio perder, sendo assim procuro me dedicar ao máximo pra evoluir”. E ela também mostra reconhecimento com as pessoas ao seu redor: “eu agradeço a todas as pessoas que acreditam em mim, meu namorado que me ajuda com os estudos e é meu parceiro de vida, meus amigos, minha família e a CardRoom que me dá todo o suporte”, finaliza.

Agora que você já conhece a campeã brasileira de Taekwondo Bárbara Akemi, pode ficar de olho nela nas mesas. Com a mentalidade de uma verdadeira lutadora, seu nome deve aparecer bastante nas manchetes nos próximos tempos.

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Tô na área #75: Matheus Mion detalha como saiu do freeroll e chegou ao primeiro prêmio acima de US$10K

Matheus teve conquistas recentes no poker e quer crescer cada vez mais

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Chegou para os leitores do Mundo Poker a 75ª edição do quadro Tô na Área! Desta vez, quem contou sua história foi o Head de Projetos Matheus Mion, que falou um pouco sobre conheceu o poker, em 2016 e, diferente do que a maioria faz, não iniciou nos home games com amigos, mas sim no PokerStars, ainda de forma gratuita. Também nos explicou como concilia seu trabalho com o jogo e a sensação da primeira premiação acima de US$ 10K.

Casado com Agnes e pais do Lucas e Enrico, Matheus Mion define os três como os amores de sua vida. Aos 31 anos, o player ainda divide o jogo com sua profissão, porém tem planos para o futuro. Quem lhe apresentou o poker foi Vinicius Perri, um de seus backers no Samba Resenha. Ter entrado para o time, segundo Mion, foi fundamental para o seu crescimento e suas recentes conquistas.

LEIA MAIS: Tô na área #74: Hit de US$ 100K em 2025 e vivendo o sonho: conheça a história de Pedro Igor, o “rolicin”

Matheus elencou alguns pontos que o fizeram evoluir como o entendimento do jogo, além da estrutura oferecida, fazendo um agradecimento especial, a psicóloga do time, a Daiana. Todos os bons valores conquistados são marcantes, porém o primeiro acima de US$ 10K é inesquecível para Mion. Foi no US$ 66 Venom Special PKO – 150.000$ GTV (WPN), no ACR Poker, do Americas CardRoom.

Essas e outras histórias foram contadas detalhadamente por Mion em um bate-papo muito legal, onde Matheus contou sobre suas vivências no poker e também em sua profissão. Além, claro, de externar seus próximos passos. Você pode conferir na entrevista abaixo.

Mundo Poker: Quem é Matheus Mion?

Matheus Mion: Tenho 31 anos, sou marido da Agnes, estamos juntos há mais de 12 anos, sou pai do Lucca e do Enrico — os três amores da minha vida.

Sou o filho mais novo da Dona Lucy e tenho duas irmãs que admiro profundamente e que tiveram um papel enorme na minha formação como homem, profissional e pai, que são a Malu e a Talita.

Venho de uma base familiar simples, mas muito sólida, e isso moldou meu senso de responsabilidade, coletividade e propósito com Deus.

Mundo Poker: Há quanto tempo você joga poker e como começou?

Matheus: Comecei a jogar poker em 2016. Quem me apresentou o jogo foi um grande amigo e hoje um dos meus backers no Samba Resenha, o Vinícius Perri.

Aprendi as regras enquanto assistíamos uma mesa final da WSOP e, diferente do caminho mais comum, não fui jogar home game com amigos. Fui direto praticar no PokerStars, gratuitamente.

Desde o primeiro contato me apaixonei pela estratégia e pela profundidade do jogo. E isso só cresceu com o tempo.

Mundo Poker: Você é Head de Projetos. Como faz para conciliar o poker com sua profissão?

Matheus: Conciliar as duas coisas exige disciplina, consciência e muita organização. No meu trabalho, lidero projetos complexos, com grandes equipes, fornecedores, clientes e uma infinidade de detalhes sensíveis. Isso pede foco absoluto, clareza e tomada de decisão rápida.

O poker, por outro lado, virou meu espaço de estudo, performance e desenvolvimento pessoal. A forma que encontrei para equilibrar é ter rotina, prioridade bem definida e entender que cada uma das minhas responsabilidades precisa de presença completa quando estou ali.

Quando estou mergulhado em um projeto — seja um festival, uma estrutura de milhões ou um stand técnico — estou 100% no projeto. Quando estou estudando poker, grindando ou revisando mãos, estou 100% ali. Esse equilíbrio só funciona porque aprendi a respeitar meus limites, a importância do descanso e, principalmente, porque tenho uma família que me apoia 100%.

Mundo Poker: Você é jogador do Samba Resenha. Como foi entrar no time e quanta diferença fez no seu jogo?

Matheus: Entrar no Samba Resenha foi um divisor de águas para mim. Além de ser um time com metodologia única, estrutura e uma mentalidade muito forte, ele também representa pertencimento — estar rodeado de pessoas que pensam grande, estudam sério e vivem o jogo com propósito.

No Resenha, tudo mudou. Meu entendimento do jogo, a estrutura oferecida e os fundamentos evoluíram de um jeito que eu jamais teria conseguido sozinho, minha consistência finalmente começou a aparecer, e meu processo mental deu um salto enorme. Por isso, sou extremamente grato a Daiana que é a psicóloga do time.

Ali, aprendi que por trás de qualquer grande resultado existem pessoas, valores e uma cultura muito forte. Admiro profundamente quem está no Resenha, não apenas como jogadores, mas como seres humanos. A forma como eles pensam o jogo, cuidam do ambiente, compartilham conhecimento e vivem seus princípios elevou completamente o meu padrão. É um time que te faz crescer porque faz questão de crescer junto.

Mas talvez o mais importante seja a cultura do time, que te faz buscar sempre o teu teto, não só como jogador, mas como ser humano.

Mundo Poker: Você já teve alguns bons resultados online, com prêmios que passam de 10K. Como foram essas conquistas e qual a mais importante até agora?

Matheus: Essas conquistas representam mais do que números. Cada resultado importante foi a soma de estudo, resiliência, disciplina e, principalmente, maturidade emocional

Já tive alguns prêmios acima de US$ 10K, e cada um marcou um momento diferente da minha evolução. Mas o mais importante, foi o primeiro acima de US$ 10k, que estava em um momento de paternidade inicial e que me ajudou muito. Esse marco mudou muita coisa. É como se eu desbloqueasse algo novo. E assim será quando eu buscar os seis dígitos.

Mundo Poker: O que você planeja para o seu futuro no poker?

Matheus: Meu plano é claro: crescimento consistente e sustentável. Buscando a melhor decisão a cada mão. Não estou nem 10% de onde quero e posso chegar. Quero subir de nível, consolidar meu jogo, performar com regularidade. E, acima de tudo, me tornar a melhor versão de jogador que posso ser.

Confira o Poker de Boteco #120 com Eduardo Carvalho:

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Tô na área #74: Hit de US$ 100K em 2025 e vivendo o sonho: conheça a história de Pedro Igor, o “rolicin”

O carioca vive um grande momento na carreira

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Pedro Igor

Chegou para os leitores do Mundo Poker a 74ª edição do quadro Tô na Área! Com ele, vem a história de Pedro Igor, jogador que conheceu o esporte mental através do seu irmão, passou a jogar na escola e, com a chegada no Full Poker Team, decidiu abandonar o emprego e se dedicar profissionalmente ao jogo. Entre 2024 e 2025, Pedro conquistou seu big hit em torneios live no Uruguai e também no online na GGPoker, quando ganhou mais de US$ 100K no GGMasters.

Pedro Igor, conhecido pelo apelido e nick de “rolicin”, se define como um cara tímido e objetivo, além de ter um coração enorme. Começou a jogar poker por volta dos seus 17 ou 18 anos, quando seu irmão chamou alguns amigos em sua casa. E se apaixonou. A partir dali, começou a jogar frequentemente, inclusive nos intervalos da escola e, posteriormente, no clube da cidade.

Quando viu, já estava totalmente entregue ao esporte mental. Passou a conhecer e a conviver com players que levavam a vida no poker profissionalmente e começou a entrar em times como o extinto Forra, Midas e em 2018 no Start, que é a base do Full Poker Team. Até chegar ao time principal da equipe, ele conciliava o jogo com um trabalho em um buffet, onde tinha que fazer algumas festas. Quando subiu para o time principal, largou o emprego e se dedicou somente ao poker.

LEIA MAIS: Tô na Área #73: Se dividindo entre engenharia e poker, Rafael Yoshida tem grandes sonhos com o esporte mental

Suas maiores conquistas começaram a aparecer desde o último ano, em 2024. O “rolicin”, ainda, teve o privilégio de dividir uma mesa final do JPT com seu irmão Rodrigo Gil, o “Roliço”, justamente quem o apresentou ao poker e a quem ele dá muitos créditos pela carreira que tem hoje em dia. O grinder tem grandes sonhos ainda a conquistar no jogo e espera ajudar outros players, assim como ele foi ajudado no início.

Essas e outras histórias mais detalhadas, você pode conferir abaixo. Pedro Igor bateu um papo muito interessante com o Mundo Poker, onde ele contou toda sua trajetória, suas inspirações e seu início no poker profissional. Ainda falou, mais detalhadamente, sobre dividir a mesa final com alguém tão importante, que o iniciou ao jogo. Além disso, falou sobre seus maiores desejos e como o esporte mental é tão importante em sua vida.

Pedro Igor fez mesa final do JPT ao lado do seu irmão, que foi o responsável por apresentar o poker

Confira a seguir a conversa completa com Pedro Igor:

MP: Quem é Pedro Igor?

Tímido, sincero, objetivo, direto, lógico, analítico, crítico, honesto e com coração enorme.

MP: Há quanto tempo você joga poker e como começou a sua carreira?

Eu jogo desde os meus 17 pra 18 anos, aproximadamente. Basicamente comecei em um final de semana que meus pais foram viajar, e meu irmão convidou uns amigos pra jogar lá em casa. Dali pra frente comecei a jogar frequentemente, jogava no intervalo da escola com os amigos, depois comecei a ir no clube da cidade.

No clube comecei a ter contato com players melhores, onde conheci o “LeoQ7”, que me deu meu primeiro coach e depois me levou pro extinto time da Forra. Do time da Forra, tive uma passagem rápida pelo Midas, aproximadamente uns seis meses. Em fevereiro de 2018, acabo entrando no Start, time de base do Full Poker Team.

Fiquei lá por volta de um ano e subo pro time principal, que foi onde veio realmente a minha profissionalização. Até a chegada no time principal eu conciliava meu horário com um escritório de buffet e tinha que trabalhar em alguma festa do final de semana. Aí, ao longo do tempo, fiz essa transição de abandonar o trabalho da semana e continuei com alguns de final de semana. Quando cheguei no time principal acabei abandonando porque tinha ido bem no Start e o Full me deu toda uma estrutura e suporte para conseguir viver só do poker.

MP: Seu irmão também vive o mundo do poker no lado dos bastidores. Qual a influência dele nessa trajetória?

Acho que toda, né? Logo no início disso tudo, meu irmão cravou uma Copa Carioca, que na época era algo inédito aqui pra gente, pra nossa cidade. Então não tem como dizer que ele não foi minha referência, mas ao longo do tempo ele acabou se tornando diretor de torneio (graças a Deus, diga-se de passagem).

Com essa decisão, ele acabou conhecendo muita gente, trabalhando em grandes eventos e casas de poker do Rio, e obvio que isso acabou me gerando algumas oportunidades também. Com certeza ele teve e tem grande influência na minha carreira.

MP: Seus maiores resultados começaram a aparecer desde o último ano. Mas fora os hits, como estava a construção e o estágio da sua carreira?

Essa resposta é bem complexa, mas vou tentar ser o mais direto possível. Um tempo atrás o Yuri recomendou um livro chamado “Outliers – Os fora de série” e nesse livro o escritor traz a seguinte tese:

“A maioria das pessoas alcançam o ápice das suas carreiras ao chegarem em 10 mil horas de trabalho, ou equivalente a 10 anos de dedicação naquele tema.”

Quando você vai ver a grande maioria dos “FORA DE SÉRIE” são pessoas que já se dedicam bastante até chegarem ao topo. O poker é como um jardim, você começa plantando a semente, não aparece imediatamente o fruto, você tem que voltar ali, regar, preparar aquele terreno para, aí sim, o fruto surgir.

Esse sempre foi o lema da minha carreira e vai continuar sendo.

MP: Em pouco mais de um ano, veio big hit no live no Uruguai e big hit do online no GGMasters. O que aconteceu pra tudo dar certo nesse tempo?

O Full passou por algumas reformulações e trouxe alguns dos melhores players do país pra serem head-coaches do time, então não tem como eu não citar esses fatos. Com toda certeza essa evolução e resultados que eu tive, estão diretamente ligados a isso.

Passei a ter contanto direto com players que são referências: Aziz, Dfranco, Felipe Morelli, Gabriel, Lekaton. Sem contar toda a estrutura e suporte que o Full já possuía. Junto com essa evolução técnica, veio algumas decisões em relação a minha carreira como a rotina, hábitos e ações que um player deve tomar.

MP: E sobre o GGMasters, o maior de todos os seus prêmios, com mais de US$ 100K. Qual foi a sensação?

Sendo bem honesto, demorou bastante pra ficha cair. Eu vinha passando por uma down que já durava aproximadamente uns três a quatro anos. Durante a FT tentei me manter focado em tomar as melhores decisões, baseado na estratégia que tinha traçado antes.

Até chegar no HU eu não tive muita decisão difícil. A FT transcorreu de uma forma que eu imaginei, então isso acabou me dando confiança pra ir executando. Quando chegou no HU, que passou a ser minha maior premiação, não existiria mais make. Aí foi uma sensação de dever cumprido, uma sensação que todo o trabalho foi recompensado. Foi passando um filme na minha cabeça, foi algo surreal internamente. Pra mim acabou sendo bem bom o deal, pois fiquei bem emocionado.

MP: Teve muita comemoração no RJ depois do feito?

Até que foi devagar. Estava no meio da série, também estava me mudando, mas deu pra se divertir.

MP: No JPT, você ganhou um título com o seu irmão fazendo 4-handed. Como foi dividir uma FT com ele?

Um sonho. Meu irmão não me ganha uma mão acho que tem uns oito anos. Então já sabia que teria umas fichas garantidas (risos). Brincadeiras à parte, a gente acabou fazendo deal no 4-handed e eu que eliminei ele ainda. Mas foi muito especial pra gente. Espero que aconteça mais vezes.

MP: O que você planeja pro futuro da sua carreira?

Conseguir manter uma consistência na minha carreira, alcançar novas conquistas e poder colaborar com outros players também.

Confira o episódio #74 do MundoTV Cast com Matheus Rocha:

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Tô na Área #73: Se dividindo entre engenharia e poker, Rafael Yoshida tem grandes sonhos com o esporte mental

O jogador já mira viver exclusivamente do jogo

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Rafael Yoshida

Mais uma edição do quadro “Tô na Área” chegou, trazendo para os leitores do Mundo Poker a história de um personagem que, neste ano, teve seu maior resultado nas mesas online. Mais precisamente, no US$ 55 Mega Main Bounty Hunters da GG World Festival , torneio que o cuiabano/blumenauense Rafael Yoshida faturou quase US$ 40.000 após passar por um field de 11.000 inscritos.

Rafael Yoshida tem 29 anos, é natural de Cuiabá-MT, mas mora há 11 anos em Blumenau-SC. Atualmente, o player ainda divide a profissão que ele escolheu, que é a de Engenheiro de Formação, com os torneios de poker, que leva como um hobby.

Em 2024, Yoshida bateu na trave do mesmo torneio que trouxe a ele sua maior premiação até então, ficou em terceiro e, segundo o próprio, o deixou com um gostinho amargo na boca. Ele quis buscar a redenção em 2025 e ela veio em grande estilo. Isso trouxe a ele um sentimento de satisfação após tantos anos de estudo e dedicação.

LEIA MAIS: Tô Na Área #72: Edson Cichacz compartilha sua trajetória de dedicação, foco e evolução nos MTTs hypers

Rafael conheceu o poker há 12 anos, começando a jogar com os amigos e em home games, para se divertir. Mas, como acontece com muitos, ele se apaixonou e logo foi migrando para os jogos online. Ainda se dividindo entre as duas paixões, profissão e jogo, Yoshida admite estar em fase de transição e pensa, sim, em viver apenas do esporte mental.

A história completa do engenheiro/jogador de poker você pode conferir abaixo. Rafael Yoshida bateu um papo com o Mundo Poker e contou tudo sobre sua vida e trajetória, além de falar sobre como se divide em sua profissão de engenheiro com os torneios. Ele contou também sobre a emoção de ter passado por um field gigantesco e cravar o maior torneio que disputou até agora. O sonho dele? Ele também compartilhou com nosso site.

Confira a seguir a conversa completa com Rafael Yoshida:

MP: Quem é Rafael Yoshida?

Sou Rafael Yoshida, tenho 29 anos, engenheiro de formação e apaixonado por poker. Divido minha rotina entre minha carreira na área de tecnologia e minha dedicação ao poker, que hoje ocupa um espaço importante e especial na minha vida.

MP: O que você fazia antes do poker?

Atualmente trabalho como engenheiro de cloud, sempre buscando soluções eficientes e inteligentes — uma mentalidade que, aliás, se conecta bastante com o poker. Eu acredito que a lógica, a análise e a tomada de decisões sob pressão são habilidades que se aplicam nos dois mundos.

MP: Quando você conheceu o poker e quando começou a jogar?

Comecei a jogar há cerca de 12 anos, como muitos, em mesas com amigos. Eram jogos em casa, mais por diversão, até que naturalmente fui migrando para o online e me aprofundando no estudo do jogo. Hoje, o poker é uma parte bastante significativa da minha vida.

MP: Quando e por que você decidiu virar profissional?

Na verdade, ainda não me considero um profissional. Hoje o poker é um hobby levado com muita seriedade — estudo bastante, participo de torneios grandes e busco sempre evoluir. No entanto, depois de alguns resultados importantes, especialmente o mais recente, confesso que a ideia de uma transição para o profissionalismo começa a parecer mais real e possível.

MP: Como foi sua trajetória até hoje?

Logo na minha primeira semana jogando poker online, durante um festival MicroMillions no PokerStars, acabei ficando em segundo lugar em um torneio de US$ 11, faturando cerca de US$ 6.000 — o que, pra mim na época, era uma quantia realmente absurda. Foi um começo conturbado, e sinceramente, não recomendo pra ninguém (risos). Cria uma falsa sensação de que você sabe o que está fazendo. Desde então, fui amadurecendo no jogo e tive alguns resultados dos quais me orgulho, como uma cravada no WCOOP Edition US$ 55 e, mais recentemente, a vitória no Mega Main US$ 55 da World Festival.

MP: Qual você considera seu maior momento no poker?

Com certeza a vitória no US$ 55 Mega Main Bounty Hunters da World Festival Series. Foram mais de 11.000 entradas em que sair campeão com um prêmio de US$ 40.000 foi um marco na minha trajetória. Esse resultado teve um gosto ainda mais especial porque no ano passado eu já havia feito mesa final nesse mesmo torneio também de série, caindo em 3º lugar. Ficou aquele gostinho amargo na boca… e agora veio a redenção.

MP: Vários amigos vieram falar sobre sua cravada no US$ 55 Bounty Hunters, torneio que lhe trouxe US$ 40.000. Esse carinho é um reconhecimento do seu esforço?

Sem dúvida! Foi muito legal ver tanta gente me mandando mensagens, torcendo, celebrando comigo. Esse carinho é um reconhecimento que vai além do resultado em si — mostra que as pessoas acompanham minha trajetória e torcem pelo meu sucesso. Também me sinto muito sortudo por algo assim ter acontecido comigo. Bater 11.000 entradas é quase surreal — tem uma dose de estudo, esforço e, claro, de muita sorte também. Sou muito grato por tudo isso.

MP: Em que ponto você acredita que está sua carreira hoje?

Acredito que estou num ponto de reflexão e transição. Ainda mantenho minha carreira como engenheiro, mas o poker vem ganhando um espaço cada vez maior. Essa última conquista me trouxe confiança e abriu possibilidades. Tenho avaliado com carinho os próximos passos — quem sabe o poker não se torne mais do que um hobby num futuro próximo?

MP: Qual o maior sonho da sua vida no poker?

Disputar e vencer um grande torneio ao vivo, como uma WSOP ou até mesmo um Triton — se é pra sonhar, por que não sonhar grande? (risos). Mas mais do que títulos, meu sonho é poder jogar esse jogo que tanto amo por muito tempo. Ter a oportunidade de viajar pelo mundo e simplesmente jogar seria, pra mim, o cenário ideal.

Confira o episódio #106 do Poker de Boteco com Andressa Lincoln:

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