Lex Veldhuis faz balanço de sua primeira WSOP Online, destaca sucesso das transmissões e revela detalhes da carreira; confira
O streamer holandês fez um longo desabafo no X
O holandês Lex Veldhuis é considerado por muitos o maior streamer de poker da atualidade, dado os números impressionantes que alcança diariamente ao transmitir seus torneios. Nos últimos meses, com a WSOP Online, isso ficou evidente, e ele confirmou o feito com dados impressionantes, que foram expostos em uma longa postagem no X.
Lex também aproveitou o momento para fazer um desabafo sobre a carreira, comemorando todas as conquistas relacionadas ao seu desempenho nas transmissões e aos números alcançados. Veldhuis, no entanto, revelou que perdeu US$ 120.000, mas destacou a gratidão por ter participado pela primeira vez da série na GGPoker.
Isso tudo se deu por conta de sua antiga parceria com o PokerStars, que o impedia de jogar em outras plataformas. Lex se mostrou visivelmente incomodado na época e passou a repensar se realmente ficar preso à marca faria melhor efeito para sua carreira, já que a oferta de torneios ficava limitada, o que obviamente o levou a não renovar.
Na longa postagem, Lex revelou que acumulou 550.000 horas assistidas, 260.000 espectadores únicos e alcançou um pico de 10.000 pessoas simultâneas acompanhando sua transmissão durante a reta do Main Event. Ele jogou com um ABI médio de US$ 640, enquanto seus melhores resultados nos torneios valendo braceletes foram um 5º, um 10º, dois 14º lugares e um 15º lugar.
O desabafo de Veldhuis também vai muito além do desempenho na WSOP Online e streams. São abordados assuntos como sua trajetória no poker, os problemas financeiros que enfrentou, o início da carreira como streamer, a importância da família e o processo de reconstrução pessoal e profissional.
Confira a longa postagem traduzida:
“Lembro de ter ficado arrasado quando a versão online da WSOP foi para a GG, porque minha parceria com o Stars significava que eu não participaria. No entanto, os braceletes e a marca WSOP sempre significaram muito para mim. Antigamente, era por causa da glória e do sonho de ser jogador de poker que eu via na televisão. Hoje, é mais sobre tentar provar para mim mesmo que consigo fazer as coisas da maneira certa.
Há 20 anos, eu grindava muito, mas não estava realmente aproveitando o processo nem pensando no futuro. A emoção da competição era o que me fazia querer competir no mais alto nível. Eu me concentrava demais em momentos específicos, em vez de pensar em coisas como longevidade, continuidade e uma perspectiva de futuro. Talvez fosse uma busca excessiva por adrenalina, ou talvez eu fosse apenas um jovem de 20 anos esgotado, com uma mentalidade competitiva e instável e sucesso demais cedo demais. Acabei cansado e despreparado para lidar com a tempestade em que eu mesmo constantemente me colocava.
O arrependimento pode ser uma emoção bastante tóxica de sentir ou alimentar, mas, quando se trata da minha carreira no poker, sinto muito disso.
Em determinado momento, o jogo e seus jogadores me ensinaram algumas lições da maneira mais difícil. Eu me concentrei demais em diferentes modalidades, negligenciei os estudos para melhorar meu jogo e raramente conversava sobre estratégia com amigos ou colegas.
Como resultado direto disso, o jogo passou por mim e entrei em um grande downswing. Ao mesmo tempo, tive outros enormes problemas financeiros: dinheiro que eu havia emprestado não estava sendo devolvido, pessoas pelas quais eu havia colocado minha reputação me fizeram perder centenas de milhares de dólares e leis tributárias estranhas estavam sendo aplicadas retroativamente na Holanda.
Quando tudo isso aconteceu ao mesmo tempo, fiquei em uma situação muito ruim e não fazia mais ideia de quem eu era no mundo do poker. Naquela época, eu era um blaster sem propósito. Sei que havia mérito nas estratégias que eu estava adotando, mas a maneira como as colocava em prática era exagerada e sem foco. Era como se eu tivesse me tornado uma caricatura de mim mesmo.
Eu não tinha muito orgulho do que havia feito. Isso me levou a um lugar bastante sombrio e eu sabia que alguma coisa precisava mudar.
Então surgiu o streaming. Foi um grande ponto de virada na minha carreira, e não foi por acaso. Minha agora esposa, Myrthe, e eu começamos nosso relacionamento naquela época, e isso realmente me fez querer pensar no futuro e melhorar minha vida.
O streaming me deu a oportunidade de começar de novo e fazer as coisas de maneira diferente. Tentar realmente aprender e respeitar o jogo, valorizar a oportunidade que tenho pela frente, ser um embaixador com quem seja fácil trabalhar e que esteja disposto a fazer um esforço extra, além de conversar com outros jogadores e tratá-los com respeito em vez de atitude. Algumas das coisas que eu queria fazer melhor podem parecer muito bobas ou específicas, como jogar o Big Game da maneira que aquela oportunidade e aquele espetáculo merecem. Acho que ter sido completamente destruído foi a melhor coisa que poderia ter acontecido com a pessoa que eu era.
O processo quase pareceu uma recuperação, uma reconstrução. Por exemplo, mandei mensagens para completos desconhecidos para pedir desculpas por comportamentos que tive nas mesas durante períodos em que me sentia completamente perdido. É como se eu estivesse seguindo uma lista de coisas das quais me arrependo ou que não soube valorizar, tentando reparar meus sentimentos em relação ao meu passado.
Jogar uma programação completa na WSOP é algo maravilhoso. Você sente a energia, o grind, a competição, o gosto amargo, a miséria… simplesmente incrível. Sinto muita falta disso.
Não vou à WSOP em Las Vegas desde 2014. No começo, foi porque coloquei tudo no streaming e sempre senti que ficar seis ou sete semanas fora acabaria com meu ritmo. Quando já estava mais estabelecido e tinha uma audiência fiel e engajada, veio a vida familiar. Com uma agenda de trabalho já tão cheia, não queria sacrificar ainda mais tempo com a família para passar o verão em Las Vegas.
Este ano, pude jogar minha primeira WSOP Online e, durante todo o ano que antecedeu a série, senti uma enorme motivação para grindar pesado. É uma das coisas da minha lista que quero provar para mim mesmo que consigo fazer da maneira certa. Estou muito orgulhoso do grind das últimas seis semanas. Mesmo que perder US$ 120 mil não seja uma oscilação tão grande considerando o buy-in médio que estou jogando, perder 15 ou 20 sessões seguidas pode ser bastante desgastante, especialmente sob o olhar das câmeras.
Eu realmente queria ganhar um bracelete. No entanto, fazer disso o único objetivo para provar que consigo fazer as coisas da maneira certa seria bobagem. Não é disso que o poker se trata. Não podemos enxergar algo como sucesso apenas quando o resultado é vitória ou lucro. Eu amei o grind, a série e a oportunidade de participar dela. Joguei stakes mais altos do que o normal, o que trouxe muito mais competição e pressão. As pessoas são muito criativas e jogam pra caralho, é inspirador. Tenho trabalhado bastante no meu jogo, mas ainda tenho muito a aprender.
Se você viu alguns dos clipes ou das transmissões, pôde perceber o envolvimento emocional, e senti a necessidade de escrever um pouco sobre isso. Essa série simplesmente foi diferente para mim. Este post não pretendia ser tão longo ou profundo, mas simplesmente acabou saindo assim. Um salve para quem chegou até aqui. Obrigado a todos pelo apoio durante a série. Vou voltar ao grind amanhã. As transmissões serão todas as terças, quartas, quintas e domingos”.
Confira o Poker de Boteco #155 com Bruno Paulino:

